Seja bem-vindo quem se vier por bem
Publicidade institucional
Os tipos não andam a brincar!
O BES lançou a sua mais recente campanha publicitária e, mais uma vez, decidiu apostar num peso pesado da interpretação. Aqui há uns tempos, era eu próprio quem, numa estação de comboio, publicitava o crédito habitação, ajudando esse valor emergente chamado Lúcia Moniz a fazer boa figura. Lembram-se?
Desta vez, não foram tão ambiciosos, mas continuaram a apostar em caras conhecidas de todos nós. Contrataram quem? Nem mais, nem menos do que o ministro social democrata David Justino. O ministro (que se mostra ainda um pouco inseguro na interpretação - diga-se) aparece no mais recente anúncio deste simpático banco, também a falar em crédito habitação.
Mas o BES foi mais longe e construiu uma campanha cheia de mensagem subliminar e profundamente inteligente.O tema de fundo, nunca assumido, mas terrivelmente presente, é a eleição presidencial:
David justino fala com um jovem moreno de cabelo encaracolado (subtil referência a Santana Lopes). O jovem diz que quer casa (leia-se: ir para Belém). David Justino diz que, antes disso, o melhor é ele ir chamar o pai... O pai... Quem há-de ser este pai, tão omnipresente, tão necessário à tomada de decisão sobre arriscar, ou não "a casa"? Exactamente, nem era preciso dizê-lo, Aníbal C+S!
Parabéns a todos os intervenientes, parabéns ao BES e sobretudo parabéns a esse novo actor David Justino. Apesar de ser fraquinho, é capaz de ser melhor a representar do que como ministro.
Estou a cavalgar a onda do sucesso!
Por acaso, não se deveria dizer coisas como "cavalgar a onda" do que quer que seja. O cavalo não se aguenta nas canetas sobre uma onda, uma vez que não tem superfície de contacto suficiente para flutuar, mas pronto...
Estou a ter um sucesso extraordinário com o blog!
De cada vez que o visito, há lá mais uma visita registada no contador. Exemplo: Escrevo um texto e publico-o. Saio da internet... Espero uns minutos, ligo-me ao blog e... Zás! Já lá está mais um visitante registado! Tenho andado a fazer esta experiência sucessivamente (e cada vez com menores intervalos de tempo) e... Pimba! Há lá sempre mais um leitor de cada vez que vou consultar o blog. Esta noite, por exemplo, passei horas neste proceso e o meu nº de leitores cresceu exponencialmente, chegando às 137 visitas!
Estou a nadar na minha própria baba...
O Dr. Proença
Fui gravar uma sessão da minha micro-personagem na série Ana e os Sete. Chama-se Dr. Proença, ou simplesmente Proença. A primeira coisa que aprendi nos quase dois anos em que estive a escrever novelas é que uma personagem só tem importância se tiver nome próprio. As personagens só com apelido: Proença, Ferreira, Gonçalves, etc.., do ponto de vista dos guionistas estão apenas um degrau acima do patamar do figurante.
Não têm incidência na história e são olhadas com desdém pelo restante elenco. O que não invalida que, do ponto de vista do actor que as representa, a sua personagem seja o centro da história. Pela minha parte, sugeri à produção que a série se passasse a chamar "Dr Proença e os Sete" ou "Ana e o seu caso escaldante com o Dr. Proença". Não sei porquê, mas não me levaram a sério quando o disse.
Uma actriz com quem contracenei chegou a perguntar-me, com um sorriso: "Tu és actor, não és?"
(Contingências de ter estado parado como actor durante quase dois anos, é o que é)
FAQ YOU, FAQ ME, FAQ OFF
Eu gostava muito de ter um FAQ devidamente organizado para responder de forma mais sistemática às inúmeras solicitações dos meus leitores. A todos os três, aqui vai o seguinte esclarecimento, a que candidamente chamei:
"FAQ MIGUEL BARROS, FAQ HIM REAL GOOD!"
Quem é Miguel Barros?
Não comeces logo com as perguntas difícieis! Sou actor e argumentista. Estou a trabalhar intensamente naquilo que designo como "Projectos"
O que são Projectos?
É um eufemismo para aquilo que faz uma pessoa que está desempregada.
Quem é o Cromo Sapiens?
A expressão resulta da fusão de vários termos científicos:
Cromagnon e Cromo, por um lado;
Homo e
Homo Sapiens, por outro.
O Cromo Sapiens é um
tertium genus, o elo perdido na evolução darwiniana. Para uns, é o
Sasquatch ou o
Yeti. Mas para outros é, tão simplesmente o português. Para outros ainda, Cromo Sapiens é uma designação cientificamente rigorosa do tecnodependente, uma espécie de
Homo tecnologicus.
Depois temos as teorias minoritárias:
Há aqueles que acham que o Cromo Sapiens é o Menino de Lapedo;
Existem outros para quem Cromo Sapiens é uma espécie extraterrestre que nos visita regularmente;
Outros ainda que o encaram como o Messias;
E outros que acham que Cromo Sapiens é uma doença rara que atingiu Paulo Portas ainda na fase de gestação e depois nunca mais o largou.
As teorias são muitas e para todos os gostos. A doutrina converge apenas num ponto: O Cromo Sapiens é uma criatura subdesenvolvida em termos de capacidade encefálica e, portanto, um ser humano inferior em termos de inteligência.
E para ti, Miguel Barros, o que é Cromo Sapiens?
Sei lá!
Não é um espectáculo, caramba?
Pois é, já me esquecia! Cromo Sapiens é um espectáculo de
Stand Up Comedy, escrito e interpretado por mim, que vai estrear no dia 6 de Maio no Teatro Bar do Teatro da Trindade.
Como é que eles, no Teatro da Trindade, aceitaram exibir um espectáculo teu?
Eu menti. Fiz todo o processo pela internet e disse que me chamava Pedro Tochas.
E quando eles descobrirem?
Quando eles descobrirem o quê?
Que não és o Pedro Tochas?
Digo que me chamo Bruno Nogueira.
Estou a falar do espectáculo. Quando estrear, eles vão descobrir tudo!
(Pausa) Não tinha pensado nisso.
Então?
Está tudo controlado.
O que é que vais fazer, quando chegar a estreia?
Estou a contar fugir do país antes disso.
Fugir do país?
Sim. Com o dinheiro.
Qual dinheiro?
Não sei. Ainda hei-de pensar nisso.
Isso não faz sentido nenhum!
Ah! Já sei... Eu sabia que me tinha esquecido de alguma coisa. É simples: Vou usar o espectáculo para lavagem de dinheiro. Os empresários que queiram fazer branqueamento de capitais provenientes da droga, ou do tráfico de armas, podem perfeitamente patrocinar o meu espectáculo. Eu passo factura e ainda podem beneficiar da lei do mecenato.
E tens gente interessada nesse esquema?
Ainda não, mas conto vir a ter. O espectáculo também pode ser uma boa alternativa aos habituais mecanismos de evasão fiscal.
Mas esses empresários não vão querer ver a estreia?
Achas? Pff!
Mudemos de assunto. Para que serve este Blog?
Para promover o espectáculo de
Stand Up Comedy Cromo Sapiens.
As pessoas estão a gostar do Blog Cromo Sapiens?
A minha mãe não se tem queixado.
E outros leitores, qual tem sido a sua reacção?
A minha reacção?
A deles!
Já não estou a perceber nada.
As pessoas que estão a ler este blog têm alguma maneira de te fazerem chegar as suas opiniões?
Sim.
Qual?
Falando comigo.
Mas como é que se fala?
Eu explico. Ao expirar o ar, as cordas vocais, bem como o movimento coordenado dos lábios e da língua têm a capacidade de produzir sons. Esses sons, devidamente ordenados e articulados formam palavras. Uma adição sequencial de palavras, com sujeito, verbo e predicado constitui uma frase. Uma série de frases alternadas entre um emissor e um receptor (que vão trocando de posição) constitui uma conversação, vulgarmente conhecida como "falar". Fala-se assim.
Mas eu não quero saber como é que se fala!
Então por que é que perguntaste?
Eu quero saber como é que é possível fazer-te chegar opiniões sobre este blog!
É muito simples. Falando comigo.
Mas quem não te conheça pessoalmente?
Para que é que alguém que não me conheça há-de querer falar comigo?
Vamos mais devagar... Existe algum email que as pessoas possam usar para te darem as suas opiniões sobre o blog Cromo Sapiens?
Existe.
Posso saber qual?
cromoerectus@hotmail.com.
Porquê cromoerectus e não cromosapiens?
Porque já alguém tinha registado cromosapiens.
A sério?
A sério. Há cada cromo...
Deixemos o Blog e falemos do espectáculo.
Qual?
Começamos outra vez? O Cromo Sapiens!
O que é que tem?
Vale a pena ver?
Eu acho que sim. Detestava ser cego.
Estou a falar do espectáculo!
Então por que é não disse logo?
Vale a pena?
O quê?
Vale a pena ver o espectáculo?
Eu acho que não, mas sou suspeito.
Por que é que esta entrevista está a ser feita por ti próprio?
Porque a minha mulher disse que ia comprar tabaco e não voltou a casa desde então.
Há quanto tempo é que isso foi?
Dois anos.
Estou 100 leitores
Cheguei aos cem leitores! O meu contador não mente! O meu blog é um sucesso! Há muita gente sem nada melhor que fazer!
Neste momento tão especial, eu gostava muito de agradecer:
aos meus pais e à minha irmã, que sempre estiveram lá;
à minha mulher, que sempre esteve lá;
e a Deus que sempre esteve Lá.
(mas Esse Está sempre Lá. Está sempre Lá, sempre quente como o Sol, sempre disponível para Si e sempre a olhar-nos com Dó)
Cem leitores é muita gente. E este momento é particularmente especial porque, das cerca de cem visitas, apenas 94 correspondem a visitas minhas (Vá lá, 95, pronto...) As restantes são de leitores anónimos e desinteressados, como a minha mãe, o meu heterónimo, o meu psiquiatra, a minha mulher e a minha filha de 9 meses e meio.
Somos bons para amostra
Parece que o novo filme Scooby Doo 2 vai ter a sua estreia mundial em Portugal. Os produtores querem testar a eficácia do filme com um público que seja parecido com o americano. Não sei se seremos tão estúpidos como o pretendido, mas a verdade é que Hollywood não costuma brincar em serviço, portanto eles lá devem ter as suas razões.
Para uma esmagadora sensação de plágio
Há para aí uma marca de cerveja (não me lembro se era a Super Bock, ou a Sagres, estou a ser sincero) que lançou uma campanha super original com o lema "Para uma esmagadora minoria". Ou os tipos são mesmo parvos, ou acham que nós é que o somos, ou então somos mesmo... Ou então todas as três premissas anteriores são igualmente verdadeiras, não sei.
Isto para dizer que toda a gente sabe que esse slogan já foi usado, designadamente pela velhinha e defunta XFM com a diferença de que no original (mais bem conseguido, por acaso) o slogan era "Para uma imensa minoria" Se calhar, ninguém se importa e sou só eu que sou obtuso, mas obtuso, ou não obtuso, para mim, isto é um abuso.
Eu rejeito liminarmente todas as formas de plágio! Matem os plagiadores!
Já vos falei no meu mais recente projecto?
Tenho andado a ler um livro do Tolkien. Chama-se "O Senhor dos Anéis". O livro é viciante e tem sequências bastante cinematográficas. Uma coisa bastante original em que estou a pensar é preparar uma versão cinematográfica do livro. Isso era sucesso garantido! O único problema é que o livro é um bocado extenso. Mas também posso partir aquilo e contar a história recorrendo a uma sequela, ou até duas. Mas não digam a ninguém. Se isto se sabe, de certeza que alguém pega...
Última hora!
Amadora: Metro assaltado antes de abrir
A administração do Metropolitano recusa comentar os insistentes rumores (que cromosapiens sabe corresponderem à verdade) de que a extensão da linha azul já foi alvo de vários assaltos e actos de vandalismo.
Estes actos, perpetrados ao mesmo tempo que estava a decorrer a viagem experimental com a presença do primeiro ministro ficaram gravados nas recém-instaladas câmaras de vigilância das novas estações.
Tudo indica que, enquanto o primeiro ministro e respectiva comitiva seguiam, animados, nas carruagens da frente, as de trás já estavam a ser alvo de vandalismo. As câmaras captaram uma figura feminina, com um penteado proeminente e mantido com laca, a arrancar cadeiras das carruagens e a escrever
grafittis nas paredes. A mulher gritava repetitivamente: "Vou privatizar esta m****!" e "Vou vender estas cadeiras!" Outras frases que ficaram registadas foram:"A culpa é dos socialistas!" e "Estou obcecada, o c******!"
A mulher, que os serviços da PSP não conseguiram ainda identificar, deixou escrito, a
grafitti, nas paredes várias frases, entre as quais:"Défice no more!"; "MFL rules!" e "Superavit´s not dead!"
O comando metropolitano da PSP da Amadora recusou-se comentar o rumor de que a mulher teria na verdade, sido identificada e conduzida a uma instituição psiquiátrica, mas tendo a sua identidade sido ocultada por razões de segredo de Estado.
Mas as atribulações da viagem não se ficaram por aí: um dos elementos da comitiva governamental teve que ser assistido após ter desmaiado na carruagem nº 3. Quando recuperou os sentidos, as suas primeiras palavras foram: "Tive a impressão de que a Catherine Deneuve estava a passar mesmo ao meu lado. Pensei para comigo "Figueiredo, ela está em França, tu não deves estar bem!" Pouco depois desmaiei, que é o que faço sempre que uma mulher me toca, ainda que seja de raspão."
Instado a comentar esta frenética sequência de acontecimentos,
Baby face black pussy, rapper e líder do maior gang da Amadora, os
Amadoramotherfuckers, disse: "Eu e a minha malta, não curtimos nada essa cena do metro, man! Sempre que lá vão ministros, a gente temos medo de ir pa lá. No Metro não tá-se bem. A gente temos muito medo." À pergunta do repórter: "Medo? De quê?" a resposta foi pronta: Do escuro e dos ministros."
Disparou em seguida "Sempre que vejo um ministro, nessa noite tenho pesadelos e faço chichi na cama." e,acto contínuo, esfaqueou repetidamente um operador de câmara da TVI, acusando-o e à estação que o emprega, de lhe provocarem mais pesadelos e situações de incontinência urinária nocturna ao exibirem reportagens sobre e com canibais.
Crónica queirosiana
Não, não é sobre o Hotel Braganza (ou Bragança), o tal que foi comprado ao engano.
Este texto tem a ver com o anterior (que nesta lógica de blog só será lido depois, mas enfim).
Perdi o meu telemóvel! Não irreversivelmente, deixei-o em casa.
E descobri o quão extraordinário se tornou o grau de dependência que aquele aparelhozinho exerce sobre nós. Como já não ia a tempo de voltar a casa, tive que me aventurar pela cidade mesmo assim. E digo-vos: senti-me nu. Senti-me desprotegido e desamparado.
Quis uma coisa tão simples como ver as horas... Tive que perguntar.
No metro, quis entreter-me com um joguito java... Tive que tirar daí a ideia.
Tinha que contactar algumas pessoas a quem tinha ficado de ligar... E não tinha a lista telefónica.
Tive que ligar à minha mulher, pedir-lhe que escrevesse uma mensagem para cada um dos destinatários, assinando por mim, e enviando ela mesma. Escusado será dizer que a mensagem não resolvia nada, apenas adiava.
E também escusado será dizer que tive que ligar de uma cabine telefónica.
Há anos que não telefonava de uma cabine de moedas! E juro, não é só para o texto ficar interessante, tive mesmo que reaprender a usar o telefone, pensar duas vezes antes de cada gesto... E habituar-me à ideia de ter um auscultador enorme no ouvido (auscultador esse que já tinha sido manuseado por milhares de pessoas, ideia que me fez impresão, confesso... "Olha o gajo, armado em borboleta!" dizem vocês e com razão) em vez do meu cúmplice, pessoal e intransmissível telemóvel.
Foi uma experiência interessante, quase como que uma visita a um país que já desconhecia. Andar na rua a olhar em volta à procura de uma cabine... aquela está ocupada... Aquela tem ali uns tipos com mau aspectol... Esta é porreira, F*****! Comeu-me a moeda! Enfim, uma viagem no tempo.
A todos os que já se tornaram tão teledependentes, como eu, fica a sugestão. Deixem o telemóvel em casa um par de horas e reajam à medida que as coisas forem surgindo.
Be afraid, be very afraid...
Esta é a altura em que vocês reparam que o texto está quase a chegar ao fim e percebem que isto, de queirosiano não teve nada. Perguntam e com razão: Por que é que este tipo usou aquele título?
Eu, em rigor´, só posso responder: Não sei. Tinha uma ideia qualquer para desenvolver o título, mas depois, às tantas, ela evaporou-se.
Nota: Não sei se já repararam mas ali, à vossa direita, têm um email que podem usar para emitir opiniões sobre este blog. (cromoerectus@hotmail.com)Para mim é importante ter esse tipo de feedback da parte do meu público. Por isso, já sabes, Susana... Já sabes, mãe: Usa o email.
Querem uma mala por cem paus?
Quem não quer ser lobo, não lhe veste a pele. E quem não quer ser mulher, não lhe usa a mala.
A minha mulher ofereceu-me uma mala muito porreira. Nada de caro, nem pretensioso, mas bonita e sóbria, grande o suficiente para conter folhas A4, o que é importante quando se é guionista ou, ocasionalmente se gosta de transportar um livro de um lado para o outro.
Até aqui tudo normal. A coisa só ganha contornos de caricatura quando eu, que sou sempre o primeiro a parodiar os tiques femininos e aquelas coisas que nós, gajos, não compreendemos nem compreenderemos nunca, começo a adquirir, numa espécie de estranha forma de simbiose, o mesmo tipo de comportamentos que julgava exclusivos do sexo forte (para mim é forte, desculpem lá).
Agora que tenho mala grande, enfio para lá todo o tipo de tralha, útil e inútil, actual e jurássica que me passa pelas mãos. E depois nunca sei onde é que as coisas mais básicas estão. (Isto é familiar, não é?) Pareço uma mulher! Tenho tudo comigo, trago tudo a tiracolo, mas quando é para encontrar um objecto espcífico, perco horas à procura dentro desse pequeno grande vórtex que se chama minha mala.
Felizmente, este fenómeno não afectou mais nada, designadamente a minha virilidade. Essa continua intocada e com testosterona para dar e vender. Muito macho...
Agora, com licença, vou sair que tenho que ir ao cabeleireiro fazer uma mise.
Doce povo português...
É verdade! Até no insulto!
Nos meus extensos momentos ociosos dei por mim a pensar em mais um tema fundamental para a civilização ocidental, tal como a conhecemos.
Neste país à beira mar plantado, nós não somos só hospitaleiros... Nós somos muito bem educados! Até - para não dizer: sobretudo- nos insultos!
Se pensarmos em dois dos mais usados e (ditos) violentos insultos do nosso léxico colectivo, um deles será:
"VAI-TE F****!" (Viram? Usei estrelinhas. Sou um bloguista educado, não precisei de escrever o palavrão "FODER" em maiúsculas para vos mostrar qual é que era a palavra. Isso, eu nunca faria!)
Como ia dizendo, "Vai-te f****!" nem sequer pode ser considerado insulto. Então, não é da psicanálise e da estatística que os homens passam justamente a maior parte do seu tempo a pensar nisso? E a desejar isso? "Vai-te f****!" é um cúmplice desejo de boa sorte, um gesto amigo de quem só pensa no melhor para o seu interlocutor!
Para verem que não é só a excepção que confirma a regra, aqui vai outro: "Vai p´ra C*** da tua mãe!" Ora aqui está mais uma falsa ofensa. Então não é verdade que nos momentos de aperto, até à beira da morte, o grito que mais nos sai é: "Mãe!..." ou "Mãezinha" para os adeptos dos diminutivos? E haverá local mais aprazível, mais íntimo e seguro que o útero materno? Dizer "Vai p´ra c**** da tua mãe!" é uma manifestação de grande amizade e preocupação com o bem estar alheio... É desejar o bem. É ser-se humano na mais grandiosa acepção do termo. Pensem nisto. Reflictam e tirem as vossas próprias conclusões.
É imbuído neste espírito que eu vos digo, caros leitores:
"Vão-se F****!"
w1tamt1... procura f fogoza p/ tcl ou algo +
O SMS TV é uma coisa espantosa! Olhar para aquele ecrã é olhar para uma boa parte da sociedade portuguesa. Um país diferente, disposto a encontros sexuais com desconhecidos, ansioso por trocar contactos com gente que não se conhece. Um país para quem a linguagem de sedução se resume a siglas frias e matemáticas, um país que vai directo ao assunto, sem rodeios e sem precisar de preliminares...
"T c ele n mão. Lg p/ mim se fores f."
Um país que passa horas à espera do strip do SMS TV... (Eu vi, mas foi por interesse sociológico, não haja equívocos)
E um país bastante solitário, cujos afectos são, tal como a comunicação, virtuais.
Já agora, já viram as mensagens de um desgraçado qualquer que mora na ilha Terceira? Passa o tempo a perguntar se há por ali, pelas bandas dele, uma f disposta a f. É giríssimo imaginá-lo lá, no meio do oceano, todas as noites, com o telemóvel (ou algo mais) numa mão e o comando da tv na outra a pensar: "Desta é que é!" "Desconfio que a filha do homem do
Talho Mimosa Terceirense também vê este canal... Com sorte, é hoje, com sorte é hoje!..."
PS: Onde é que desencantaram aquelas apresentadoras? "Boa... Noite... Bem vindo... ao... "
Aquilo é constrangedor!
A todo o vapor
O Tuga é uma criatura fabulosa. E nós todos, por muito que critiquemos o português e as suas deliciosas idiossincracias (é assim que se escreve?) acabamos, de uma maneira, ou de outra a fazer as mesmíssimas coisas que criticamos. "É para amanhã, deixa lá não faças hoje" já dizia, inspiradamente, o Variações. E é verdade. Passei meses em período de reflexão... estudo... procura do conceito, etc.. Enfim, eufemismos para "deixa andar". E agora, de repente, tenho que avançar com tudo ao mesmo tempo: texto, ensaios, divulgação, blog, site, fotografias, imagem, divulgação, patrocinadores. Estou numa roda viva. Mas acho que as coisas estão a andar...
E fico feliz por poder ter este espacinho para poder agradecer a todos os amigos e familiares que me têm ajudado - agradecer sem usar nomes, bem entendido, que alguns deles podiam ficar chateados se os referisse- Mas eles sabem perfeitamente quem são.
Aqui vai: Obrigado. O Cromo Sapiens é tão vosso como meu.
Snif, snif...
Olha que porra!
É o excesso de confiança, é o que é...
Estava aqui a acabar de escrever as minhas brilhantes tiradas (isto é ironia, malta) e apeteceu-me espreitar outras soluções estéticas para o meu Blog. Vai daí, fui ao Template...
O povo é que sabe...
"Quem tudo quer, tudo perde"
"Quem nasce lagartixa nunca chega a jacaré"
"Uma vez info-excluído, sempre imbecil"
Perdi os meus links! Não acredito nisto! Tinha conseguido furar as barreiras matrixianas do template desta coisa... Tinha conseguido dar a ideia de que até começava a dominar esta porcaria...
E agora fiquei sem links!
AAHHHGGG!
Com licença... Vou só ali bater com a cabeça nas paredes e já volto...
A Esther Mucznik vai-me cair em cima
...Vai dizer que sou mais um perigoso anti-semita, mas...
às vezes, ao contrário do que se diz, os judeus são muito burros. Eu explico.
Mataram o Xeque Yashim. Yashim? Perguntam vocês. Santinho, respondo eu.
Mataram-no. E gabam-se disso. Porquê? Para quê?
Não consta que ele fosse um Xeque careca mas, tirando isso, ele tinha mais problemas com a saúde que o Luís Filipe Pereira: Velhinho, paralítico, dependente de uma cadeira de rodas e praticamente cego. Como se isso não bastasse, tinha uma voz mais aguda que o Batista Bastos no seus momentos de maior esganiçanço. Um velhote assim, está mais que visto, não fazia mal a uma mosca. A menos que a mosca, acidentalmente, lhe entrasse na boca.
Mais. Ele era a prova que o povo palestiniano é dotado de um requintado sentido de humor. Sei de fonte segura que, lá nos territórios ocupados, as pessoas só paravam para o ouvir, porque era mais do que sabido que isso propiciava momentos hilariantes.
Nos seus comícios, a sequência era sempre a mesma:
Ele começava por dizer, naquela voz fininha: "Ninguém vai quebrar a nossa espinha!" Desatava tudo a rir. Mas insistia:"Os judeus não vão calar a nossa revolta!" E alguém na plateia gritava:"Olha, a julgar pela tua voz, para lá caminham!" Nova risada.
Por fim, ele ficava irritadíssimo e começava a gritar contra uma parede. Por esta altura, já havia gente a rebolar a rir no empoeirado chão da cidade de Gaza. Quando o público tinha sorte, das duas uma: ou avançava na cadeira e caía do palco; ou tentava levantar-se para dar um correctivo aos espectadores indisciplinados e... Dava um tralho ainda maior, naturalmente...
Seja como for, o venerado Xeque Yashim (carinhosamente tratado por Yashim Santinho pelos mais próximos) era um tipo com uma mente meio retorcida e achava, como todos os malucos, que o melhor que um gajo tem a fazer na vida... É morrer! (obviamente, o Champanhe ainda não abriu clubes na faixa de Gaza) Como ia dizendo, o grande sonho dele era morrer em martírio. E o mal dele é que ninguém lhe pegava, excepto quando era preciso trocar a algália. Ele bem bradava aos céus, gritava com todas as forças que queria morrer em martírio... E os israelitas, que de burros não têm nada (pensava eu) fartavam-se de gozá-lo, com piadas sobre impotência na terceira idade e chamando-lhe o Mr Magoo palestiniano. Até aqui, tudo porreiro.
Então, por que é que o foram matar? Bastava esperar mais três ou quatro meses para a coisa acontecer por si. Se partirmos do pressuposto que eles não lhe queriam fazer a vontade, assassiná-lo foi uma estupidez sem nome.
Ou então, sou eu que estou enganado. Eles podem ter pensado:"´Bora lá dar uma alegria ao velhote, também não custa nada" Eles podem ter decidido fazer as pazes com ele e satisfazer-lhe um último desejo... Pois é... Faz todo o sentido.
Se calhar, bem vistas as coisas, há novas esperanças de paz no médio oriente.
Aqui vai disto!
"Fui comido com os olhos"
São os ócios do ofício. Para variar, deixei-me dormir e acabei por só ir levar a minha filha à creche depois da uma da tarde. Uma vez lá, todas as educadoras me olharam com ar de quem me queria comer. Não, não foi uma coisa boa. Elas estavam furiosas comigo! Parece que os bebés têm horas certas para dormir, por isso a chegada retardatária da minha filha super desperta ia garantidamente afectar o eco sistema do local. Saí cabisbaixo e com o rabo entre as pernas.
Com o balúrdio que deixo lá todos os meses, pergunto-me se a miúda vai lá ficar muito mais tempo...
Piadinha gasta
Continuo o meu processo de alfabetização informática. Agora, aprendi a colocar links no meu blog! Com estas modernices todas, qualquer dia, ainda me apanham a fumar.
Oh, não! Vamos abrir a caixa de Pandora!
Decidi explorar os meus medos infantis como tema para o espectáculo. Apesar de ser uma coisa meio narcisista, acho que o público pode gostar da autoflagelação que estou a preparar. Seja como for, alguma coisa tenho que escrever, senão o espectáculo dura quinze minutos.
E não bocejam de qualquer maneira?
Não sei se hei-de fazer intervalo. Quero que o espectáculo dure mais de uma hora e é perigoso (em termos da minha energia em cena) não fazer paragens. Mas os intervalos são muitas vezes, contraproducentes para o público. "Dá-se-lhes tempo para respirar, começam a bocejar". Vou ter que pensar nisso...
I´m too sexy for my shirt
Parece que vamos ter um estilista português a desenhar as novas fardas do exército. Dada a orientação do Governo, a escolhida é bem capaz de ser a Ana Salazar, com muitos símbolos patrióticos e proto-fascistas. Se querem uma sugestão, eu achava bem melhor a Fátima Lopes. Era mulher para desenhar cuecas fio dental em metais preciosos e grandes decotes para os nossos valorosos soldados. Com uma farda dessas, até eu perceberia o orgulho do nosso ministro da Defesa em estar à frente de tão garboso ministério. Mais, já era tempo de dar o devido valor a essa instituição nacional que é o pêlo do peito! A par da escarreta pronta, da unha comprida do mindinho, ou do coçar das partes baixas, o pêlo do peito faz parte do nosso imaginário colectivo. Do meu, pelo menos...
(Nota do editor: este texto é de mau gosto e é falso. De certeza que as novas fardas do exército português não vão ter decotes arrojados. Pelo contrário, vão ser viris, como o nosso ministro gosta.)
Não, não é sobre o Bibi
Decidi incluir uma secção infantil no espectáculo Cromo Sapiens. Maliciosa... Muito maliciosa... E mais não digo.
Mataram o Pai Natal!
ou "É feio matar velhos ceguinhos com voz fininha que andam em cadeira de rodas"
Mataram o xeque Ahmed Yassin. Um míssil disparado de um helicóptero acertou-lhe em cheio e desfê-lo em bocados. Não deve ter sido bonito de ver. Danos colateriais: 7 mortos e dezassete feridos (nota: feridos graves, não basta envolver as feridas com faixas de Gaza).
Se querem a minha opinião, o Ariel Sharon deve ter o complexo do pénis pequeno. Está obcecado em destruir (ou, pelo menos, amolecer) a cabeça do Hamas por ter medo que seja maior do que a dele... (a inveja é muito feia, Ariel!)
Mas a verdade é que os tipos do Hamas não são verdes e que quanto mais lhes mexem na cabeça, mais tensão isso provoca.
(Aqui para nós, que ninguém ouve, quem deve estar todo contente - apesar das lágrimas de crocodilo, é o Arafat - parece que eles não podiam um com o outro- diz que, desde pequenino, que o Arafat detesta todo o tipo de vegetais.)
Around the Bush
Mário Soares apelou a que se estabelecessem laços de diálogo e negociação com os terroristas. Estou genuinamente indignado! É de uma grande irresponsabilidade e cobardia fazer cedências a terroristas! Pontes de comunicação com George W. Bush, nunca!
Quem diz que eles não sabem rir?
O riso não é um exclusivo dos ocidentais. Em resposta ao fenómeno britcom, designadamente às várias personagens de sucesso de
Rowan Atkinson (entre as quais o inimitável
Mr Bean, o Mundo árabe está a aderir em massa ao estilo bombástico de um novo comediante da Arábia Saudita. Esta estrela emergente chama-se Mr. Bin Laden e arranca explosões de riso em todas as suas actuações. Percussor de um estilo muito próprio e agressivo, Mr Bin Laden deita literalmente casas abaixo e é frequente ouvir as suas plateias gritarem:
"Alfyundyaergth Miredsatyhnbge"! (ou "Este tipo mata-me!" em tradução livre")
Nota: Estão prometidos para breve, aqui no
Cromo Sapiens, excertos dos seus espectáculos (só faz espectáculos únicos) para rebentarmos todos de riso.
E por hoje é tudo.
Thethi, thethi, thethi... That´s all, folks!
Ponto da (minha) situação
Estou neste momento a escrever (a conta gotas) o texto do espectáculo "Cromo Sapiens". Trata-se de um espectáculo de
Stand Up , registo no qual ainda não estou completamente confortável, mas onde me apetece desbravar caminho.
Não é fácil escrever stand up. Um tipo está mesmo sem rede e a glória de um momento que corre bem só é comparável à humilhação de uma sequência que corre mal. Às tantas, dou por mim a pensar: "Tens a sala marcada, tens que avançar - onde é que te foste meter?!" Mas vou gerindo a ansiedade.
Um momento bem interessante aconteceu na semana passada: Eu e a Susana fomos ver o espectáculo do Pedro Tochas ao Trindade. Confesso que estava à espera de uma banhada: as coisas que tinha visto dele (em publicidade e no Programa da Maria) não auguravam nada de bom. Mas tive que tirar-lhe o chapéu. O tipo é surpreendente! Tem uma energia notável e um sentido de humor muito inteligente. Além disso, conseguiu ali montar um espectáculo com uma estrutura arrojada e muito pessoal - capaz de levar o público à gargalhada, mas também a emocionar-se. O espectáculo chama-se "Variety" e eu (recém convertido ao Tochismo) recomendo vivamente.
Seja como for, no fim fui dar-lhe os parabéns e confirmei a ideia de que ele é uma pessoa acessível. Trocámos impressões sobre Performance e Stand Up e ele repetiu uma coisa que já me tinha sido dita, entre outros, pelo Pedro Górgia: O público quer saber de nós - no sentido em que só fica satisfeito se o espectáculo for pessoal e genuíno. O performer deve ser sincero e abrir-se (não é nesse sentido), expor-se a si e à sua vida (sem permitir voyeurismos) e dizer realmente aquilo que pensa sobre as coisas. Daí que haja muitos stand up comedians que se recusam a interpretar textos de outros autores - o que parece fazer algum sentido. O problema é ter coragem de ser MESMO sincero, e assumir o grau de exposição que isso representa.
Parecendo que não, se há tema difícil e doloroso, somos nós próprios.
Estou perante uma profunda
dúvida estrutural:
Por um lado, detesto quando, em stand up, se goza com os inevitáveis Lili Caneças, Zé Castelo Branco, Serginho, Cláudio Ramos, Delfins, Odete Santos, etc.. E não é que não ache que todos eles (excepto a Odete Santos) são desprezíveis, incompetentes, desprovidos de talento ou mérito próprio. (No caso da Odete Santos, a falta de talento é só em relação ao Teatro) Eu não gosto deles, nem do que eles representam (excepto a Odete Santos)! Mas detesto vê-los gozados e humilhados só por estarem a jeito. Por incrível que pareça, sinto uma enorme solidariedade por cada um deles - enquanto ser humano - quando os vejo serem achincalhados. Mais: acho que esse tipo de abordagem é um truque fácil e rasteiro para suscitar a gargalhada alarve de um público que se quer o menos exigente possível. E resulta da preguiça de se ser interessante: Posso dizer quinze coisas pessoais, espirituosas e profundas - ou pelo menos importantes para mim - e o público fica a dormir. Mas se gozo com a masculinidade do Castelo Branco a sala vem abaixo com os risos! Mas até parece que o homem faz gala de ser muito macho! Não se pode aceitá-lo como é? Eu, quando o vejo, mudo de canal. E chega.
É difícil ganhar as plateias com inteligência? Talvez. Ou então, somos nós que subestimamos a inteligência das plateias. E sobrestimamos a nossa.
Por outro lado, a verdade é que há pessoas que deviam ser gozadas. É mesmo um imperativo ético, uma manifestação de serviço público, parodiá-las, expô-las, ridicularizá-las. A Cinha Jardim ou a Lili Caneças não afectam a minha margem de liberdade e à sua maneira meio aparvalhada, não fazem mal a ninguém. O mesmo não posso dizer de um Paulo Portas ou de um Luís Delgado. Já para não falar do W Bush...
Tenho muita vontade de atacar a hipocrisia da nossa extrema direita no poder. Acho que o meu espectáculo pode e deve ser bastante político. Deve querer dizer alguma coisa e (vem aí um palavrão) passar alguma mensagem.
Mas como?
Não me sentiria bem se, mais do que sátira política, os meus textos fossem vistos como ataques pessoais...
Acho que vou ter que arranjar uma espécie de compromisso.
E por hoje é tudo.
P.S. Diz que o Bush anda quilhado. Parece que tem uma pedra no Zapatero...
Cá vamos. Agora é que é!
Eu chamo-me Miguel Barros, sou actor e guionista de profissão. Sou casado com outra actriz (a Susana Arrais) e tenho uma filha absolutamente extraordinária. (Não pensem que digo isto por ser o pai. A minha mulher acha o mesmo)
Pretendo usar este Blog para expor as minhas ideias, divulgar o meu trabalho e desabafar as coisas que se me atravessam a garganta quando olho o mundo.
Cromo sapiens é o nome do meu próximo espectáculo. Vai estrear em Maio no Café Teatro do Teatro da Trindade. Para já, é tudo. Beam me up, Scotty!
Pois é. Não saimos da cepa torta.
Começa a ser embaraçoso não escrever nada de jeito. Os meus leitores devem estar a ficar impacientes. Mas eu não tenho leitores... Ah, pois é!
Estou a ver se consigo copiar textos que escrevi no word para cá. Deve ser facílimo, mas eu, como bom info-excluído que sou, acho tudo impossível e dificílimo!