Seja bem-vindo quem se vier por bem
Abre o olho, Miguel!
Esta semana, dei por mim a pensar que tinha que mudar qualquer coisa na minha pessoa. Qualquer coisa profunda. Afinal, sentia uma insatisfação que tinha que ser superada. Sou um artista e tenho que sentir-me artista para ter em cena um espectáculo tão pessoal como será Cromo Sapiens.
Fiz um esforço de introspecção e percebi que tinha que me assumir. Tinha que ser capaz de olhar as pessoas nos olhos, sem barreiras, e assumir a minha condição. Dar asas a toda a minha sensibilidade.
Ainda pensei perguntar à minha mulher o que é que ela achava, mas uma decisão tão pessoal, percebi-o logo, só dependia de mim. Nem a minha mulher, nem os meus amigos, nem a minha família tinham uma palavra a dizer. Ninguém tem nada a ver com as minhas opções.
Decidi fazer as coisas como deve ser e fui ter com um profissional, que me havia sido recomendado por um amigo muito especial.
Uma vez lá, ele tranquilizou-me e disse que eu estava em boas mãos. Face às minhas dúvidas de última hora, ele mostrou-se meu amigo e disse que era o melhor que eu tinha a fazer.
Pedi-lhe para me tratar com carinho. E ele assim o fez. Enfiou-me aquilo no olho, só para ver como é que eu reagia. Eu respondi que era um pouco incómodo. "Esteja descansado, Miguel... Só é estranho no princípio. Depois, não vai querer outra coisa. A maior parte das pessoas até se esquece..." "Acha possível?" perguntei eu. "Claro. Digo-lhe mais: os que fazem a sua escolha raramente ou nunca voltam atrás."
Mas eu tinha dores e pedi-lhe para repetir. E ele assim fez. Comentou que eu tinha uma sobrevasculação do olho e que tinha que ter cuidado sempre que quisesse pôr. À saída, a minha expressão denunciou-me e revelou que eu ainda estava com algumas inseguranças. Mas ele reconfortou-me. "As pessoas vão ter que se habituar à ideia de que você está diferente. É sempre difícil aceitar a diferença, mas tem que ser. E não se preocupe com os seus amigos: No princípio são capazes de estranhar, mas depois, até vão ficar a gostar mais de si."
Horas depois, quando cheguei a casa (com algumas dores e desconforto, confesso)olhei-me ao espelho e sorri. Estava melhor, mais seguro e confiante... Com as minhas novas lentes de contacto.
Pequeninos como a sardinha.
Os vários leitores de Cromo Sapiens (a minha mãe, mulher e filha de nove meses, designadamente) têm-me feito chegar o reparo de que os meus textos são demasiado longos e, por vezes, sem grande humor, ou motivo de interesse.
Sabem o que é que eu acho disso?
Não perceberam nada! Não têm é hábitos de leitura! É uma geração sem referências, se capacidade de intelectualizar! Pérolas a porcos, é o que é!
...Mas têm toda a razão.
Como a maior parte dos guionistas, a minha maior dificuldade é saber quando parar de escrever. Por isso, aqui vai a solução que encontrei:
Em vez dos textos extensos, maçadores e palavrosos, sem interesse real para o leitor a que vos estava a habituar...
Vou começar a fazer textos curtos, igualmente maçadores e desinteresantes - mas rápidos de ler (AhAh! É o ovo de Colombo!) só que em muito maior quantidade! Crio a ilusão de vertigem, dinamizo o blog, faço mais visitas (para confirmar a edição dos textos) e, com isso, aumento o número de visitantes do blog! Eu sou um génio! Um génio!
Nota: Na improvável e remota eventualidade de existirem leitores para além dos já referidos, agradeço mesmo que me contactem para: cromoerectus@hotmail.com
(Sim, porque este blog serve para preparar um espectáculo de Stand Up - e testar a eficácia do meu material, por isso, não se inibam de me escrev... AAAHHH! Quem é que eu estou a enganar? Ninguém está a ler isto!)
Olha que porra! Este texto afinal, ficou longo!
Para os mais distraídos...
O texto sobre a queda do governo foi a minha maneira engraçadinha de assinalar o 1 de Abril. Tinham percebido? A sério? Oh, esqueçam!
Alguém sabe como é que se elimina o porno-lixo de um PC?
Não é para mim, que eu nunca vou a esses sites. Eu? Pff! Não! Não, nem pensar, nunca, nunquinha!
Não, é que eu tenho um amigo que... Bem, ele está com o computador mais lento porque, coitado, enganou-se e foi parar aos sites errados, sem querer... e agora está com esse problema. Não é por mim, que eu não tenho essas curiosidades, mas ele está mesmo a precisar de ajuda com o PC... Dele!
Já repararam que há temas em que é impossível tocar com sinceridade? Pura e simplesmente, não dá para ter uma conversa franca. A pergunta é sempre enrolada num contexto qualquer, mal enjorcado, cheio de intermediários - o amigo, o primo, etc..
Quando vos fizerem a pergunta, acrescentando que não é para ele, mas para outrem, não acreditem. Nunca acreditem! Não é verdade. Se a pornografia é o negócio com maior expansão na net, é porque há-de haver quem queira, não?
Nota editor: Para que conste, a pergunta é mesmo para ser respondida por quem saiba a resposta. Mas a minha preocupação não é, de facto, por mim, mas por um amigo.
Pedofilia legalizada
Somos todos muito rápidos a condenar os pedófilos e a pedofilia. E ainda bem!
Mas preferimos olhar para alguns (poucos) casos mais gritantes, a enfrentar a génese do problema. Que é mais profundo do que parece à primeira vista.
A indústria do audiovisual (televisão, moda, cinema) assenta, em grande parte, na promoção da juventude como a principal (senão única) fonte de beleza e sensualidade. Não estranhamos, por isso, que as modelos, actrizes, etc.. sejam cada vez mais novas e, mesmo assim, sejam apresentadas como paradigmas de sexualidade, independentemente de serem menores de idade.
Esta pouco saudável forma de conviver com a marcha dos anos, reflectida na nossa fixação em aparentarmos ser mais novos do que realmente somos, é a razão de inúmeras e variadas insatisfações connosco e com o nosso corpo. Não são só as plásticas e o exercício compulsivo nos
healthclubs. Em última análise, é também por isso que rejeitamos os nossos velhos.
Hoje em dia, uma carreira de modelo pode (dizem que deve!) começar pelos treze, catorze anos. E ninguém estranha que, debaixo das camadas de base e dos vestidos que deixam ver à transparência os corpos delas, estejam meninas em idade de brincar!
Por este andar, o próximo passo é vermos grávidas a passearem na
passerelle. Não para as vermos a elas, mas para contemplarmos o feto que carregam!
Esqueçam, se calhar, sou eu que estou a ficar reaccionário. Agora tenho que parar de escrever. Tenho marcado um P.A. no
healthclub. Se estiver tudo bem comigo, o P.T. vai recomendar-me aulas de
Cardio fitness, Kick-boxing, Cross training, Fist fucking e Gang-banging. Para não falar na grande maratona colectiva de
cocksucking. Mal posso esperar.
Já é oficial. O Governo caiu.
O que todos esperavam aconteceu. A coligação PSD - PP, que nunca revelou coesão interna, ruiu pelas bases. As legislativas deverão ser marcadas de foma a coincidirem com as eleições Europeias.
Mas vale a pena fazer um apanhado dos últimos meses para perceber o retrato do país actual.
Há cerca de dois anos, pouco depois da tomada de posse, o Governo iniciou um discurso de desresponsabilização, atirando todas as culpas para cima do ex-Primeiro Ministro e do seu governo. Mas as debilidades internas da nova equipa governativa, designadamente as tensões entre o primeiro ministro e o titular da pasta da Defesa, Paulo Portas (agravadas pela falta de carisma do primeiro e pelo passado anti-cavaquista deste último) acabaram por deixar a nu a ausência de rumo do elenco governativo. O Caso Moderna encheu as páginas de jornais, deixando exposto o Ministro da Defesa. A tensão entre ambos atingiu um climax quando, instado a dizer se ia manter Portas, Durão declarou: "É uma falsa questão. Mesmo não gostando dele, todos sabem que não o posso demitir. Ele tem-mos na mão."
Ao cabo de poucos meses, a percepção do cidadão da rua era de que tudo tinha piorado, e a comparação entre os anos do Guterrismo e o período neo-cavaquista era claramente prejudicial a este último. Logo, o PS não teve dificuldades em desmontar a tese da tanga e, acto contínuo, disparou nas sondagens.
Não levou muito tempo a que os anos do Guterrismo fossem reabilitados e encarados com saudosismo pelo comum eleitor. O passo seguinte foi o de pressionar o governo, mostrando-lhe que havia apenas duas alternativas: mudar, ou sair.
A própria postura de Guterres, no acto da saída, acabou por provocar de forma retroactiva um enorme desconforto à actual maioria. Os fazedores de opinião espalharam eficazmente a ideia de que, enquanto o PS saíra do governo por não estar apegado ao poder, o PSD, pelas razões opostas, tudo faria para aí permanecer.
O popular secretário geral dos socialistas, fiel a um discurso assente na necessidade de o país, sobretudo em conjunturas de crise, apostar nas políticas sociais, tem vindo a conquistar extraordinárias marcas nos estudos de opinião, estando cotado acima do próprio Presidente da República.
A gota de água foi a queda do governo espanhol, nas últimas eleições de Março.
Durão Barroso tardou a perceber que não era mais possível governar, sobretudo sem saber se essa governação estava a ser feita contra a vontade da maioria dos portugueses. Cada coisa que dizia, tornava a manutenção do governo mais insustentável. À célebre declaração do "Desculpem lá termos ido para o Iraque, mas eu estava entalado pelos espanhóis" proferida na Assembleia da República a 13 de Março, seguiu-se a desastrosa "Os espanhóis não vão mudar a nossa postura em política internacional. Estamos a pensar sair do Iraque, mas é porque vem aí o Euro". Estava preparado o terreno para o colapso final.
No discurso de ontem, em pleno estádio da Luz, Durão Barrosos pegou mesmo nas palavras de Guterres, seu antecessor, ao referir, num acto de extraordinária sinceridade: "É verdade que herdei um pântano, mas deixo ao que vier a seguir um lamaçal. Eu próprio já estou borrado até aos joelhos. O último a sair que feche a porta. E viva o Benfica!"
José Manuel Fernandes, a mais recente aquisição dos socialistas, foi nomeado porta voz do PS. Nas últimas conferências de imprensa do partido, o ex director do Público tem dado nas vistas pelo ar entusiasmado que ostenta face à possibilidade de o PS ser governo, outra vez. Quando questionado se não corria risco de ser mal interpretado, por declarar apoio ao PS, apenas dias depois de assinar um editorial intitulado "Por que é que o PS nunca mais poderá ser governo", José Manuel Fernandes respondeu: "Os portugueses sabem ser muito mesquinhos. Por isso é que o país não evolui. Fui coerente toda a vida".
Mas enfim, voltando à questão da próxima contenda eleitoral: Todas as sondagens apontam para uma vitória esmagadora do PS. Um especialista em estudos de mercado comentou: "O Ferro está imparável. Vai ganhar e vai ganhar com maioria absoluta." Questionado sobre se o PSD ainda teria algumas hipóteses, foi lacónico: "Não me parece. Mesmo que, por hipótese absurda, surgisse um escândalo sexual a envolver altas figuras do PS, sei lá, pedofilia, ou assim... Mesmo nessas circunstâncias, o PS ia ganhar. Sabe porquê? Mesmo que isso acontecesse, as pessoas não são parvas. Iam questionar-se sobre como é que isso surgia assim, do nada, e de forma tão conveniente ao governo. O povo, por muito que se pense o contrário, não se deixa enganar."
Portugalia - Ital
Ó, que cambada de cromos esta nossa selecção! Então foram perder com a equipa mais florzinha da Europa? Mas não vale a pena desesperar. Este é o tempo de reflectir e encontrar as causas de mais um desaire. Cromo Sapiens já fez o levantamento:
1.
A mascote da Selecção.
Aquela saliência nasal (vulgo, penca) empinada não vos lembra nada? Exacto: o Kinas é o Pinóquio disfarçado. Estavam à espera que o Pinóquio torcesse contra... Itália? Ó, santa ingenuidade!
Mas não é só contra a Itália. O boneco tem problemas estruturais. Aquela popa, aquele cabelo castanho claro, aquela pose aparvalhada de quem ri, sem saber de quê, são meio caminho para levar a selecção à derrota.
O Kinas, com o seu irritante e estrangeirado "K" ainda é mais abichanado do que o era o Gil da Expo. Esse, ao menos, apesar do penteadinho à f***-se e da a cara de parvo, era muito macho. Estava sempre a fazer a saudação nazi, à homem.
Ontem, ver os nossos bravos a cantarem o hino nacional... Ver o Rui Costa de mão dada (!) com... aquilo, deu-me clarividência. A culpa é dele! Por causa do Kinas, eles estiveram todos a jogar para o boneco!
O Kinas, como o próprio nome indica, tem que morrer.
Sugestão: Pequeno, por pequeno, o Deco dava melhor mascote (e o sotaque até é giro).
2.
A porcaria do equipamento.
Não, não é que fosse mau demais. É o contrário! São bem bonitos, os novos equipamentos. Ao ponto de deixarem aquelas borboletas todas cheias de vaidade e com medo de sujarem a roupa nova. Por causa da roupa, eles não fizeram nada de jeito: Não simularam faltas, não se atiraram para o chão, não sacaram penaltis... Nada!
Perderam tudo aquilo que o jogador português tem de único - jeito para a canelada, apetência para a fuçanguice e falta de fairplay.
3.
O João Pinto.
Mas ele não jogou, dizem vocês! E o problema foi esse, digo eu! O João Pinto era o único que os tinha no sítio. A falta dele no campo foi tão óbvia, que até os Céus choraram durante os noventa minutos. Se o João Pinto lá tem estado, o medo de levar um soco teria feito o árbitro roubar ainda mais a nosso favor.
(Além de que também daria uma boa mascote)
4.
O adversário.
Está demonstrado que, sempre que Portugal tem pela frente um adversário (qualquer adversário) tem muito mais dificuldade em ganhar os jogos, do que se o adversário não existir, ou não comparecer. Falha grave... O SEF, em vez de fazer greves antipatrióticas devia era ter barrado aqueles cromos antes de eles chegarem cá.
5.
As condições atmosféricas
De que adianta trazer o Euro para Portugal, ganhando a simpatia e favores dos árbitros, apinhando os estádios de portugueses e galvanizando o país se, depois, os jogos se disputam num clima escandinavo? Está mais que visto que a selecção das quinas (com o orgulhoso "qu", carago! Qual K? Q!) não é bem vista por Deus. E se Deus está contra nós, a coisa está complicada...
6.
A bola não ter entrado mais vezes.
Vá-se lá saber porquê, o jogo tem destas regras caprichosas: é preciso introduzir a bola na baliza adversária... E antes fazê-la chegar até lá. Das duas três: Ou se muda a regra, ou sinceramente não sei...
EU TAMBÉM NÃO ACREDITO - PARTE 2
A célebre frase de Arnault, "Eu não acredito que nenhum português queira aproveitar-se do Euro 2004 para prejudicar a imagem do país" (esta é a última versão) causou tamanho impacto que tive que voltar a pegar no tema.
Aqui ficam algumas sugestões de construções frásicas alternativas:
"Eu não acredito em prejudicar a imagem do país. Já não há nada que se aproveite."
"Português a aproveitar-se? Eu não acredito. Euro? Nenhum. O País? É imagem."
"A aproveitar-se do país com o Euro 2004? Nenhum português, mas o Scolari, sim, esse acredito."
"Não acredito que haja nada que se aproveite na minha imagem. Mas no país nenhum português se sente prejudicado"
"Se alguém me quiser, é aproveitar-se... Nenhum português está excluído, mesmo que tenha má imagem."
"Excepto eu, não vejo mais nenhum português a prejudicar a imagem do país. Acredite!"
Durão mostra aos pretos quem manda
Assim é que é!
Em périplo oficial por Moçambique, o nosso Primeiro Ministro está a causar sensação. Isto porque o povo Moçambicano é conhecido pela sua humildade (muitas vezes confundida com subserviência) e está sempre disposto a ouvir as sábias palavras do homem branco.
Adoptando uma postura neocolonialista, Durão aproveitou as poucas oportunidades de que dispôs para colocar os pontos nos iis e distribuir algumas pérolas de sabedoria pelos seus anfitriões. Eis dois exemplos:
Joaquim Chissano, questionado pelos jornalistas sobre a alegada rede de tráfico de órgãos em Nampula, disse que não havia evidências de que esse tráfico existisse de forma organizada e que poderia estar a haver algum empolamento. Mesmo assim, agradeceu a oferta portuguesa de ajuda para as investigações, dizendo "Obrigado, mas não obrigado"...
Durão não se conteve e insistiu, dizendo que não duvidava da boa vontade dos investigadores moçambicanos, mas que Portugal lá estaria, se preciso fosse, para ajudar. Estas foram,
grosso modo, as palavras que proferiu.
Mas qualquer observador atento percebeu que aquilo que lhe estava a atravessar a mente seria qualquer coisa como: "Os pretos não percebem nada disto, muito menos os moçambicanos. Quando vocês perceberem que não saem da cepa torta, avisem, que é para nós, brancos, vos mostrarmos como é que se faz um trabalho como deve ser"
Mais tarde, reunido com o Presidente da República e com Afonso Dhlakama, líder da Renamo, deixou cair mais uma pérola, qualquer coisa como: Nós esperamos sinceramente que ambos saibam aceitar os resultados das eleições. Já tivemos o exemplo de Angola, em que o não respeito dos resultados descambou em guerra civil.
Mas aquilo que lhe ia na alma era mais cru: "Vamos lá a ver se não fazem merda, pretos dum cabrão. Ali, ao lado, em Angola, os outros pretos impediram-me de fazer um figurão com a assinatura dos acordos de Bicesse. Mal acabaram as eleições, desataram todos aos tiros uns aos outros. Era para isto que queriam a independência, era? Estavam mal connosco, queriam a independência, mas agora só se sabem matar uns aos outros e destruir aquilo que nós vos deixámos. Os pretos só sabem fazer merda. Estão a perceber, ou querem que eu vos faça um desenho? Ou fazem como o patrão branco diz, ou faço-vos aos dois Dhlakama!"
Nota: É óbvio que não é possível provar que os pensamentos de Durão seriam exactamente estes e não se quer fazer aqui um processo de intenções. Mas quem viu as declarações, feitas num tom superior, paternalista e arrogante, percebeu se o que digo tem, ou não razão de ser.
Eu também não acredito...
Eu não acredito que nenhum português se queira aproveitar do Euro 2004 para prejudicar a imagem do país.
Eu não acredito que nenhum português queira-se aproveitar do Euro 2004 para prejudicar a imagem do país.
Eu não acredito que nenhum português queira aproveitar-se do Euro 2004 para prejudicar a imagem do país.
Estas frases entraram em nossas casas e causaram um grande impacto em todos nós (eu, pela minha parte, fui às lágrimas).
Mas, ao contrário do que possa parecer, a intenção do ministro ao repetir a mesma frase com pequenas variações, não era deixar bem vincada uma ideia, ou mostrar alguma forma de indignação. Pelo contrário, foram uma manifestação extraordinária do esforço pedagógico do ministro José Luís Arnault.
Sim, porque ele mais não fez do que corrigir dois erros consecutivos. Vejamos: "...nenhum português se queira aproveitar" não é uma formulação correcta, além de permitir a ilação de que Arnault teria algo de pessoal contra um português chamado Sequeira. Logo, Arnault fez questão de corrigir, mas saiu-lhe ao lado: "queira-se aproveitar" é calinada da grossa. Mal a disse e já estava a morder o lábio em auto repreensão. Daí que tenha corrigido a frase uma segunda vez, para ficar bem no boneco: "queira aproveitar-se".
Muito bem. Nesta versão, o único problema da frase ministerial é a dupla negação no início. "Não acredito que nenhum português queira aproveitar-se do Euro..." significa que ele acha natural que todos (ou pelo menos alguns) portugueses queiram aproveitar-se do Euro para prejudicar a imagem do país. Nesta medida, Arnault deveria ter dito "Não acredito que algum português" ou "Acredito que nenhum português..." Assim, sim, seria uma frase tecnicamente perfeita. Mas isso já era pedir demais a um ministro para quem o português é a segunda língua. (Percebe-se pelo nome Arnault, que se trata de um francês naturalizado). Se assim não fosse, estaríamos a falar de uma pessoa francamente estúpida e inculta, o que não é o caso.
Tensão no Médio Oriente
Não, não é mais uma das minhas infindáveis crónicas sobre o conflito israelo-palestiniano. Trata-se, apenas, de uma curiosidade que cromosapiens apurou e gostaria de partilhar com os seus 3 leitores. A provar que o dia a dia do Médio Oriente não se pauta apenas por explosões, atentados e assassinatos selectivos.
A marca de detergente
ARIEL vai processar a marca
OMO
...por apropriação indevida do slogan "Lava mais Branco".
A disputa pelos direitos de propriedade intelectual da célebre campanha estava a ser objecto de encontros bilaterias entre as duas marcas. Ambas as partes já se vinham (já se vinham?) arrastando em longas negociações há alguns anos, mas o impasse ditou que decidissem ir para tribunal.
O porta-voz da Ariel afirmou em conferência de imprensa: "É mais que sabido que o Ariel lava mais e melhor que todos os outros. Há muito tempo que é assim, aliás. Mesmo em condições difícies, designadamente a altas temperaturas, o Ariel é o maior especialista em limpeza étnica e eliminação de manchas de campos de refugiados. O surpreendente é que ainda haja quem diga que limpa melhor do que ele. O Ariel é ganhador em todas as modalidades, desde a lavagem de dinheiro (que atingiu niveis recorde na Grécia) à limpeza do sebo de cidadãos palestinianos.
E a verdade é que o Ariel tem sido o preferido pelos consumidores de vários países. Nos Estados Unidos e em Israel, por exemplo, adoram-no. Até porque não abdicam de limpar tudo à sua volta, a começar pelos seus
backyard.
Na eventualidade de perder a causa em tribunal, o porta-voz de Ariel já disse que não lhes faltam alternativas: "Não nos desagrada voltar ao nosso slogan inicial, até porque tinha uma conotação racial bastante apelativa: "Branco mais branco não há!"
Um porta-voz da Autoridade palestiniana, por seu turno, referiu que gosta do slogan antigo, desde que lhe mudem uma letra, para ficar: "Branco mais bronco não há!"
A OMO também está em apuros, porque a Opus Gayish (ONG israelita equivalente à nossa Opus Gay) já ameaçou que vai avançar para o confronto na Justiça. "Homos somos nós! Não aceitamos ser confundidos com um detergente!"
Quando questionados sobre a contenda entre a OMO e a ARIEL, o porta-voz da Opus Gayish foi enigmático: "Garanto-lhe que eles seriam todos muito mais felizes se fizessem como nós." "Como vocês?" perguntou o repórter. "Sim, deviam era ir todos levar no c*!"
Do nosso correspondente em Israel, Cromo Perez.
Um sapato por Catarina
Solidariedade
200.000 pessoas a passarem fome em Portugal? O que é isso comparado com o drama de Catarina?
A sociedade materialista em que vivemos faz-nos ficar indiferentes aos pequenos grandes gestos que deviam fazer a diferença. Mas está na altura de voltar a pôr a palavra solidariedade na ordem do dia.
Não é por acaso que as revistas do social são assim chamadas. Estas publicações têm grandes méritos e são muito úteis ao nível da satisfação dos recursos básicos da população. A revista Lux entrevistou a namoradinha de Portugal, que aproveitou para fazer um apelo comovente. O escândalo é intolerável: Catarina Furtado só tem 326 pares de sapatos. O próprio namorado já não consegue oferecer-lhe mais nenhum, tal é o nível de penúria que atravessa.
Acontece que, tendo apenas 326 sapatos na sua singela colecção, Catarina precisa de mais 39 pares para poder andar calçada todos os 365 dias do ano (não lhe seria exigível repetir o mesmo par mais de uma vez). Pior. Estes cálculos não têm em conta o facto de tratar-se de um ano bissexto. Mas como 2004 é, de facto, bissexto (o pão de pobre cai sempre com a manteiga para baixo, não é?) a situação de Catarina ainda é mais desesperada.
O seu estado emocional é tão descompensado que, mesmo com os seus 652 sapatos, Catarina ainda não consegue parecer à vontade sobre uns saltos e, por isso, parece estar sempre a tropeçar, como uma menina a provar os sapatos da mãe.
Por tudo isto, Cromo Sapiens decidiu lançar mãos à obra e inicia hoje a campanha: "Um sapato por Catarina". Se todos contribuirmos, não levará muito tempo até que Catarina possa sorrir outra vez. Não fique com esta pedra no sapato: Se der a sua contribuição poderemos chegar aos quarenta pares numa questão de dias. Não se faça rogado. É por uma boa causa.
Entre-os-Rios de Tinta
Rir para não chorar...
Não importa que o Estado tenha logo assumido a responsabilidade, o Estado não se pode safar assim, com essa ligeireza;
Não importa que tenha havido indemnizações, queremos que alguém pague mais;
Não importa que um ministro se tenha demitido, queremos mais demissões;
Não importa haver ou não matéria para acusação, queremos um processo;
Não importa a decisão do juiz estar certa ou errada, queremos um juiz mais velho;
Não importa se os areeiros sabiam ou não sabiam, queremos que eles sejam todos perseguidos, acusados, acossados e que paguem;
Não importa se naquele ano houve cinco cheias consecutivas, queremos uma culpa com rosto;
Não importa se há ou não culpados, mesmo que não os haja, queremos é encontrá-los;
Não importa nada de nada, está é na moda atacar a justiça;
Não importa. Queremos sangue. A culpa não pode morrer solteira. Queremos enfiar gente numa praça e expiar os nossos pecados através dela. Alguém tem que ir para a cadeia, a todo o custo, seja como for, seja quem for, tenha ou não tido culpa. Tem que se encontrar alguém que possa pagar. Senão, isto fica a república das Bananas!
Porque sim.
Juizes, técnicos, arreiros, as famílias desses tipos todos... Não se pode exterminá-los? Toda a gente ficaria a sentir-se muito melhor. E o país era muito mais democrático se se acabasse com essa coisa ridícula chamada direitos.
Nota editor: Dá para ver pelo tom, o quão eu estava bem disposto. Haverá dias melhores.
Se eu não der notícias nos próximos dias, chamem a polícia
Duas notícias, ambas bem rapidinhas:
Fui tratar do cabelo para o espectáculo. Fiquei com uma penteado
street fashion. O mesmo é dizer que pareço uma espécie de arrumador com pinta. Mas acho que ficou porreiro e bastante ousado. Quanto mais não seja, quem for ver o espectáculo pode sempre dizer: O tipo era uma m**** mas tinha cá um penteado!...
Não há coincidências...Há um gajo a fazer-se passar por mim. Aliás, ao que sei, dois! Um é agricultor em Almoçageme e trata dos tomates com carinho e sem químicos. O outro é o presidente de uma marca de roupa portuguesa que está em grande expansão na Arábia Saudita, a "Onara".
Químicos, Arábia Saudita, meio empresarial, onanismo... Isto tresanda a conspiração...
O que é que vos parece? Cá para mim, alguém lá em cima está a preparar-se para me substituir e apagar todo o meu passado. Enquanto estiver vivo, vou continuando a escrever aqui (e a tentar denunciar a "cabala") se deixar de escrever, já sabem o que é que deverá ter acontecido!
Quem se interessar pela temática, fica já aconselhado a ver "American Splendor", sobre o genial Harvey Pekar...
Até amanhã, se o Governo quiser!
Mass Merdia
Mais uma notícia do fascinante mundo do audiovisual!
A RTP (que como é sabido, desde que este governo tomou posse, só emite programas de serviço público) está à beira de lançar mais uma pérola! Vem aí a coisa mais importante desde a descoberta de que o Dani é tão bom a apresentar programas, como o era a jogar à bola (isto não é necessariamente um elogio).
Um novo concurso para caçar talentos. Não, não é na área da cultura, nem da ciência. Mas sim... Ora aí está: do Futebol.
O programa promete encontrar jovens que sejam capazes de jogar tão bem como a geração que agora começa a arrumar as chuteiras. E que sejam capazes de encarar o jogo com tanto fairplay e civismo como os seus antecessores.
Convenientemente, chama-se "Só Cacetada".
A melhor das sortes!
Gordura não é formosura
Um tipo magro que tenha umas tiradas inteligentes, mordazes e engraçadas, é esperto que nem um alho, ou simplesmente um gajo divertido.
Se o mesmo tipo for gordo, é um pacholas, um bonacheirão, um prato.
Dá que pensar não é?
Porque há todo o tipo de gordos. Nem todos são bons garfos, apreciadores do melhor que a vida tem para dar. Aliás, nem todos comem muito, nem todos têm uma compulsão para a dieta desequilibrada. Há muitos que sofrem de problemas hormonais muito complexos. Há gordos que comem como forma de compensação. Há gordos de todo o tipo, nesta gorda (passe a redundância) plêiade de gente grande. E a ideia de ter dificuldades respiratórias, insónias e uma transpiração mais intensa do que a média não tem nada de romântico.
Voltando ao essencial, às ideias feitas sobre os gordos. Somos todos culpados. Há dias, um actor grande amigo grande meu (não é gralha) dizia: Se tu deres uma cambalhota em cena, o público nem reage, mas eu, se dou uma cambalhota, fica tudo de boca aberta e ri. Porquê? Por nada. Porque sou gordo. E os gordos não é suposto serem ágeis.
Nós gostamos de arrumar as pessoas todas em gavetinhas muito bem alinhadinhas.
"Se és X, é porque também és Y e Z. Se não, então és H..."
Para nem pensarmos nisso, dispensamo-nos de aprofundar o conhecimento do outro, com mais clichés, igualmente imbecis: "Sou uma pessoa de primeiras impressões. O meu instinto nunca falha, etc.."
Mas a verdade é que, no meio deste processo, estamos a deixar qualquer coisa para trás. No meio do nosso viver das nossas vidinhas, ficamos ainda mais autocentrados do que gostamos de admitir.
A ideia de que os gordos hão de ser todos malta bem disposta só porque sim, é dos clichés mais imbecis da civilização ocidental. Muitas vezes, são os próprios quem deixa perpetuar essa ideia, como uma forma de defesa. Mas negar aos gordos e gordas deste mundo a possibilidade de serem tão neuróticos e depressivos como os demais concidadãos, é retirar-lhes uma parcela de dignidade. E essa não se pesa em quilos.