Seja bem-vindo quem se vier por bem
Não há fome que não dê em fartura
Pois é. Há pessoas para quem a escrita num blog só faz sentido se há alguma coisa para dizer. Só se escreve quando apetece, ou há vontade. E isso faz todo o sentido. Mas eu não sou uma delas.
Eu uso o blog para me disciplinar a escrever diariamente (nem que seja só em duas linhas) ideias e temas que possa usar no espectáculo Cromo Sapiens.
Mas passaram dois dias inteiros em que não escrevi (bem sei que ninguém deu por isso) e acho que isso é uma falha quase irreparável.
Assim,
decidi compensar os meus dois leitores e meio e
inundar o blog de textos novos!
Leiam-nos!
Estes textos são a minha forma de pedir desculpas (a vocês e a mim)
FOTO FINISH
Por muito que isso me custe e doa, a verdade é que já começou a contagem decrescente para a estreia do espectáculo Cromo Sapiens.
Apesar de, neste momento, todo o texto do espectáculo se resumir a um ridículo emaranhado de ideias dispersas e não desenvolvidas, escrevinhadas em cartõezinhos que nunca me lembro onde guardei, por vezes há coisas que me lembram da proximidade do momento da verdade.
Na quinta feira aconteceu um deles: fui tirar as fotos definitivas para o cartaz de Cromo Sapiens. Isto só chega a ser interessante se eu vos disser que o cartaz terá uma representação (bastante original) da bandeira nacional (e mais não digo).
E qual é o objectivo? É fazer chegar ao público a ideia de que o espectáculo é marcadamente provocador e crítico, designadamente no que toca à forma de olhar para a realidade nacional.
Mas ainda há outra coisa: É que, se tiver sorte, alguém vai lembrar-se de processar-me por uso indevido de um símbolo nacional. O que é que eu ganho com isso? A resposta é simples: publicidade à borla, vitimização, visibilidade e... PÚBLICO!
(Vocês já estavam a pensar que eu era um tipo corajoso, rebelde, contestatário, com mensagem... Nada disso. É tudo uma questão de Marketing!)
Dia do pai
E lá gravei o anúncio da Vodafone. O conceito do anúncio gira todo à volta da figura do pai, da sua importância e do amor que lhe devemos. Depois associa a Vodafone a esse lado paternal, como uma empresa que nos ajuda e acompanha nas dificuldades (talvez seja um bocadinho forçado, digo eu, mas enfim)
Seja como for, passei o dia inteiro a interpretar o papel do filho extremoso, cheio de memórias e histórias afectuosas para contar. Para não sair tudo "por fora" ou histriónico, tentei usar memórias minhas e recordações pessoais de momentos passados com o meu pai, apesar de estar a contracenar com um actor espanhol que nunca vira antes na vida. A esse processo de composição, chama-se tecnicamente "memória afectiva" mas isso não interessa para nada. O que interessa é que tentei fazer do anúncio uma homenagem ao melhor pai do mundo. E vão-me desculpar, mas esse, é o meu.
A Paixão do Cristo
Fui com a minha mulher ver a Paixão do Cristo (sim, "do", porque a tradução "de" está incorrecta). Enquanto a minha mulher é católica praticante, eu sou agnóstico praticante, por isso, íamos com motivações diferentes. Mas no fim, ambos sentimos que ficámos a ganhar com o processo. Vamos por partes. O fime...
...trazia a fama de ser um banho de sangue pegado (e essas coisas dão-me sempre vontade de ver para depois poder criticar);
...vinha rotulado de anti-semita (o que em mim, despertou logo alguma simpatia);
...e era acusado de ser uma interpretação fundamentalista da Bíblia (o que me aguçou o apetite - também para poder criticar)
Agora vocês dizem:
"Só falas das tuas motivações! Então, e as dela?" Perguntem-lhe, sei lá!
Entrámos na sala (completamente cheia) e vimos logo que a coisa não ia a correr bem, quando ouvimos o sempre reconhecível som de pipocas a serem ruminadas, mesmo atrás de nós. Mas já era tarde para recuar. A apresentação dos outros filmes também foi algo traumatizante: parece que o que está na moda são os filmes com mortos-vivos, crimes satânicos e vampirismo - em que os maus são facilmente identificáveis e em que não se é forçado a pensar (sinal dos tempos).
Quanto à "Paixão". De facto, trata-se de uma sucessão interminável (muito gráfica e pormenorizada) de cenas do martírio de Cristo. Tudo é dado a ver, até ao pormenor das costelas descarnadas, para se ter uma ideia. Mas o que é mais chocante (pelo menos, para mim, foi) é testemunhar a crueldade, a infinita maldade dos assassinos de Cristo (que seremos, de certa forma, todos nós), tendo, em contraponto, a serenidade e imensa capacidade de perdoar de Jesus.
Mas não se trata só de sangue. Pelo meio, vemos
flashbacks da vida de Cristo, que nos ajudam a contextualizar o momento, bem como a perceber que, pelo menos para ele, a vítima, aquele era visto há muito tempo como um desfecho totalmente indesejado, mas inevitável.
Outra coisa que vem ao de cima, é a extraordinária coerência de percurso, postura e raciocínio do Cristo, a par de uma profunda e tocante humanidade.
Mas por que é que o sangue choca tanto? Por que é que a crueldade é tão dura de ver? Por que é que não nos é mostrada uma crucificação
light? Porque o filme tem a coragem de mostrar as coisas como elas são. E ainda bem.
Nós crescemos numa cultura de "final feliz" em que o que nos é dada é a versão "devia ser assim" em vez do "é assim que as coisas são". Por isso, sempre que não levamos com um final feliz, moralista e facilmente digerível, ficamos desasados. Por isso, é que não compreendemos que a nossa vida não seja como nos filmes. Por isso é que somos tão facilmente enganados e tão propensos a sermos uns neuróticos permanentemente insatisfeitos com as nossas vidinhas tão irritantemente realistas.
Seja como for, o sangue todo teve, pelo menos, uma vantagem: ao cabo de meia dúzia de minutos, já não havia som de pipocas para ninguém.
O
anti-semitismo é uma falsa questão. O que o fime vem dizer é aquilo que todos já desconfiávamos: Os responsáveis directos da morte de Cristo, mais do que os romanos, são objectivamente os judeus. E foi assim que aconteceu, porra! Pilatos, ao lavar as mãos está inequivocamente a dizer: "Vocês é que querem isto. Se ele é o vosso rei, este assunto é vosso. São vocês que o matam através de mim". E se não cedesse, teria que gerir um motim generalizado - algo que os exércitos de ocupação não costumam ver com bons olhos. No filme nunca é dito que os judeus têm que pagar por terem morto Cristo. Nunca é dito que isso é uma responsabilidade histórica deles. Isso seria, de facto, anti-semitismo. O que é dito (e é verdade) é que naquele contexto, e por causa da necessidade de eliminar uma ameaça ao poder dos sacerdotes, os líderes religiosos judeus exigiram a morte de Cristo. E fizeram-se valer da sua influência para conseguirem a adesão dos que os seguiam cegamente. Usaram-no e eliminaram-no por razões eminentemente políticas.
Por outras palavras, a crítica de que o filme é anti-semita é terrivelmente manipuladora e revela, essa sim, uma dose de má-fé. Se Cristo morreu para nos salvar dos nossos pecados - temos que perceber que a acepção de "pecados" não é limitada no tempo nem no espaço. Os pecados são os da humanidade - no seu todo e em todos os tempos. Daí sentirmos o desconforto de ver o calvário - porque os culpados somos todos nós, não apenas os judeus!
Não é negando um facto histórico documentado (eventualmente desagradável de relembrar) que se limpa o papel dos judeus. Eles não precisam de limpar coisa nenhuma, porque a função deles, do ponto de vista de Cristo, foi instrumental - teria sempre que ser assim. Esta negação apenas chama a atenção para a dificuldade que uma certa intelectualidade hebraica tem em assumir a falibilidade, a fraqueza, a HUMANIDADE de um povo que se considera superior e eleito. E mostra que há feridas que levam tempo a sarar. Aparentemente, 2004 anos não chegaram.
Quanto ao fundamentalismo religioso, acho que essa crítica é demasiado fácil. É óbvio que o filme tenta passar intencionalmente uma mensagem. E que essa mensagem é religiosa e de fé. Pela minha parte, teria preferido outras opções. Por exemplo, há uma representação humana do mal (ou do Diabo) que é um
cliché, descritivo e desnecessário - até porque o mal, tal como o bem, são coisas de todos nós. Também dispensava ver a ressureição em directo, três dias depois. Isso são elementos que retiram um cunho histórico, documentado e realista ao filme. Para mim, essas conclusões deviam caber ao espectador, em função da sua fé pessoal, ou das suas explicações laicas e científicas. Mas isso sou eu: se o Gibson enterrou ali dinheiro dele, faz o filme que quiser.
Conclusões.
Nunca fui daqueles que põem em causa a existência física da personagem histórica Jesus Cristo. Acho que isso é uma evidência. E partilho, inclusive, toda a sua mensagem política - de igualdade e amor entre os homens. Mais, acho que Cristo continua a ser uma das (talvez "a") figura humana mais subversiva e revolucionária de que há memória. Assim, é com naturalidade que me defino (se me perguntarem) como um cristão (na acepção política) não religioso. Os milagres, a ressurreição, o paraíso, etc.. não me cativam e até me parecem secundários. A mim, como agnóstico a resvalar para o ateu, que sou, a mensagem política e humana é que é mais forte. Ainda hoje, se estivermos atentos, é de uma clarividência e simplicidade extraordinárias. E quanto mais me deixo emocionar pelo lado humano do Cristo, mais convencido fico que ele, se estivesse vivo, voltava já a destruir os templos das igrejas e toda a hierarquia hipócrita (católica, ortodoxa e protestante) que vive à custa da deturpação do que ele foi e disse.
Para a minha mulher, a "Paixão de Cristo" serviu para receber uma lufada fresca de fé e para devolver alguma lógica às nossas vidas (e às dificuldades e ao sofrimento). No fundo, permitiu sedimentar valores e aplacar as dúvidas.
Ainda bem. Para ambos.
ABC da Terceira Guerra Mundial
Eis uma boa notícia para aqueles que achavam que isto estava tudo na mesma:
A Terceira Guerra Mundial já começou!
Já está aí. E veio para ficar. Estamos a viver, neste preciso momento, os primeiros meses do maior conflito à escala global de todos os tempos! Uau! (É um bocado épico, não é?)
Na noite de ontem os nossos aliados americanos (sempre preocupados com a democracia, a liberdade e o bem estar dos iraquianos) começaram a recuperar o controle de várias cidades (sim, porque perderam o controle - note-se). Claro que isso passou por libertar pelo menos 400 (quatrocentos) deles de uma série de preocupações comezinhas relacionadas com o facto de estarem vivos. Sim, os americanos, só ontem e só numa das várias cidades rebeldes mataram 400 civis iraquianos. Civis, atente-se. Nada mal! Pelo menos, é um bom começo.
Um aparte...
A mim, sempre me fez confusão ver determinadas variações terminológicas. Em quase todas as guerras (sim, estamos em guerra), em função do lado em que se está, adopta-se palavras diferentes. Exemplos:
Os americanos: autointitulam-se exército libertador, mas aos olhos dos autóctones são exército de ocupação ou invasor.
Os rebeldes, para os americanos, são milícias, criminosos ou simplesmente terroristas. Para os iraquianos (e muitos europeus) , são a "Resistência" (Palavra que nos é cara e que tem uma grande carga política e emocional.)
As
mortes em combate (dos iraquianos) são, para os americanos, baixas do inimigo (terroristas ou civis) ou danos colaterais. Para os que lá estão são uma tragédia e um assassinato.
Terroristas são, para os americanos, todos os que se opuserem à ocupação (ou libertação, claro está) pela via militar. Para os iraquianos, são todos aqueles que, na sua terra, não se inibem de os matar, prender ou destruir as suas casas (e que poderão ser americanos, árabes de outras nações, ou iraquianos)
E não é só no Iraque. Dando um saltinho ali, ao lado...
No Médio Oriente, o
muro de separação construido por Israel nos territórios habitados por palestinianos é, para os israelitas, uma vedação de segurança. Já para os palestinianos é a consumação da anexação dos territórios (ou o muro do apartheid, ou da vergonha)
É curioso, não é? O poder das palavras que se escolhem. E a lista poderia continuar.
Mas não temos tempo. A notícia do dia é mais importante: Estamos em Guerra! Estamos a viver a Terceira Guerra Mundial.
World War Three! O inimigo está potencialmente em todo o lado, e nem sequer sabemos como e onde o combater.
Felizmente, podemos confiar nalgumas premissas básicas:
20 NOTAS MENTAIS A USAR EM MOMENTOS DE DÚVIDA
1. O Ocidente é liderado por um presidente eleito democraticamente, portanto alguém que obteve mais votos que o adversário numa eleição livre;
2. Os nossos líderes não colocam interesses materiais mesquinhos (venda de armas, controlo do petróleo, contratos para reconstrução, etc..) à frente dos princípios: O nosso objectivo colectivo é disseminar a democracia e a liberdade. Numa palavra, construir nações;
3. As causas da Guerra (das várias, directas e indirectas, no Iraque e no resto do mundo) prendem-se com a salvaguarda da nossa segurança colectiva.
4. As Armas de Destruição em Massa são uma ameaça a não desprezar nunca, mesmo quando não as encontramos;
5. Os nossos líderes respeitam as opiniões públicas dos seus países e nunca mentem sobre as razões que os levam a enviar os soldados para o campo de batalha;
6. Portanto, à cautela, é aconselhável reeleger os líderes que temos...
7. ...Senão, seremos sempre vistos como cobardes;
8. A civilização ocidental é superior às restantes (é uma constatação, não é racismo);
9. As nações livres só fazem negócios com países governados por Democracias onde haja liberdade, como é o caso da Arábia Saudita e do Paquistão - fazer o oposto seria hipócrita;
10. O outro lado - sejam eles quem forem - são o mal. O eixo do mal. A origem do mal. Estão treinados para o mal, amam a morte, desprezam a vida. Não amam os seus filhos, não temem a morte nem o sofrimento. São movidos exclusivamente pela vontade niilista (não é assim, senhor Pacheco Pereira?) de destruir toda a nossa civilização e os alicerces das nossas liberdades. Não são, portanto, seres humanos;
11. E com gente assim não se negoceia;
12. O discurso de que é necessário combater as causas do terrorismo faz o jogo dos terroristas. Os terroristas só usam as causas (palestiniana, p.e.) como um mero pretexto. Por isso, na dúvida, deve-se deixar tudo como está, para não fazer o jogos dos terroristas;
13. É óbvio que, para lhes fazer frente será inevitável limitar algumas das nossas liberdades;
14. E ser-nos-à exigido sermos vigilantes;
15. E denunciar tudo o que nos parecer suspeito;
16. De futuro, é previsível que certos textos, ideias e opiniões sejam consideradas anti-patrióticos e, naturalmante, impedidos de chegarem ao conhecimento do público;
17. Lembrar que no passado, foram as democracias ocidentais que armaram e treinaram o inimigo (Saddam, Bin Laden, Durão Barroso no seu tempo do MRPP) é anti-patriótico;
18. A mera perspectiva de reconhecer um erro, pedir desculpas, ou mudar de política é uma traição ao bem, à liberdade e à democracia, essa sublime forma de governo que, entre outras coisas, nos permite pensar e pensar de forma crítica;
19. Não existe meio termo. Ou se está com os aliados, ou se está com os terroristas;
20. Quem tiver dúvidas sobre a bondade da causa já está com um pé na trincheira do inimigo. Para evitar essa tentação, ler estas regras com frequência.
Bem-vindos à Nova Ordem Mundial!
How are you?
Hoje vou filmar um anúncio publicitário (para a Vodafone). É curioso que o meu percurso como actor passe bastante mais pela publicidade e pelo teatro do que, por exemplo, pelas telenovelas. Não sei exactamente porquê, mas a minha eficácia em termos de castings é superior no caso da publicidade e do teatro do que nestas últimas.
Gosto de trabalhar em publicidade. Além de normalmente pagar bem, é um registo que exige grande concentração e dedicação, onde há muito cuidado com os pormenores e onde, regra geral, toda a gente tem o cuidado de respeitar profundamente o actor. E, consequentemente, onde os actores dão o tudo por tudo para agradarem. Vive-se um bom ambiente num
plateau publicitário.
A publicidade é capaz de ser a única vertente do audiovisual em que os portugueses não têm vergonha nenhuma de competir com os estrangeiros: dos textos, à fotografia; da realização à qualidade das interpretações (excepto quando a escolha recai sobre modelos inexperientes - mais baratos, mas também menos aptos) a publicidade bem podia servir de exemplo para o cinema e para a ficção televisiva que se fazem em Portugal. Não se perdia nada.
O que é que eu estou para aqui a dizer? Estou a delirar, ou quê? Não liguem a nada do que eu disse, que isto é sono! Os actores precisam é de mão de ferro e maus salários! Essa cambada de p**** e de p********* não queria mais nada! Olha, olha...
Vai ser tão bom, não foi?
Foi. Não foi perfeito, longe disso. É preciso trabalhar muita coisa, desde o
timing à desinibição, mas para estreia (em televisão, como performer de stand up) não correu nada mal. Pelo menos, a minha família gostou (também é verdade que a minha família gostou da minha estreia em teatro, apesar de, nesse dia, ter vomitado em cena para cima de um elemento do público - eles gostam sempre).
Seja como for, estou mais do que receptivo (desesperado é mais o termo) para ter o vosso
feedback (do Levanta-te e Ri, dos textos do blog, etc..). Além disso, estou a preparar (mais lentamente do que gostaria) os textos para o espectáculo. Por isso, não hesitem! Façam parte de um processo interactivo! Tornem Cromo Sapiens um espectáculo ainda mais pessoal e participado! Escrevam sugestões para cromoerectus@hotmail.com !
PS: Isto é mesmo verdade. Sabem como é que a TVI chama ao espaço de cinema com que ocupa a grelha às segundas feiras? Filme de Segunda!
Depois admiram-se...
Levanta-te e Ri! - publicidade institucional
Em condições normais, este blog não faz publicidade. Excepto quando se trata de auto-promoção (e, por auto-promoção não me estou a referir a promoções no ramo automóvel). Assim, para todas as pessoas que me costumam ler (as três, incluindo eu próprio) cá vai:
AUTO-PROMOÇÃO:
Hoje à noite (segunda feira) vou estar no programa "Levanta-te e Ri!". O programa vai ser transmitido em directo da cidade de Aveiro e deverá passar lá para a meia noite. Vou usar uma mistura de material novo, com material já testado com público universitário.
E pronto. É isso. Se puderem ver, agradecia. Fico à espera das vossas opiniões.
Um abraço para todos e um grande,
Vão-se foder!
(Quem já leu o blog sabe que isto não é insulto - quem não leu, leia)
Coisas que me fazem espéce
Entre as que coisas que me conseguem irritar solenemente está a degradação diária e constante da língua portuguesa. Não que eu seja propriamente um grande exemplo de correcção na minha maneira de falar, mas determinadas calinadas, de tão básicas, deviam ser abolidas. Eis alguns exemplos:
Frases sem verbo. Está aí uma campanha a uns supermercados cujo lema é "Treinados para precços baixos." Ok. Treinados para preços baixos? O que é que isto quer dizer? Treinados para
serem preços baixos? Para
terem preços baixos? Custava muito especificar?
Nos jornais, é frequente ver escrito: "Fulano de tal acusou fulano de tal de corrupto". Acusou de corrupto? Acusou de corrupto? E por que não: "Acusou de
ser corrupto". Ou "acusou de
corrupção"? Custava muito?
Outro exemplo, que surge normalmente após uma qualquer explicação: "Estás a realizar?" A realizar... o quê? A menos que o interlocutor seja profissional de cinema, a frase carece de sentido. É apenas (mais) um estrangeirismo bacoco.
Esta é de bradar aos céus: "Isso foi onteontem..." Onteontem? Mas por alminha de quem é que alguém inventou esse termo, o onteontem? O anteontem não estava bem? Estava, mas deixou de estar. Isso era onteontem.
Sou eu que estou doido? Será que só eu penso nestas coisas?
Acho um crime. Acho que as pessoas não deviam de dizer asneiras destas!