Seja bem-vindo quem se vier por bem
Então os americanos não eram os bons?
Deve ter sido esta a pergunta que muita gente fez ontem à noite, com a divulgação das fotos em que prisioneiros iraquianos eram torturados por alegres soldados americanos. Na maioria das fotos, os soldados (e uma soldada!) posavam e sorriam, abraçados uns aos outros, como quem quer fotografar momentos especiais, irrepetíveis... para depois mais tarde recordar. E mostrar aos filhos e netos, por que não?
Mas o nojo humano não se limita ao tipo de coisas que acontecem na guerra. Ou então foi a guerra que já chegou aqui. A minha filha tem dez meses. Mas não tardará a ter idade para perceber determinadas coisas. As televisões (especialmente a SIC -
shame on you) não se inibiram de promover os seus telejornais repetindo à exaustão as imagens mais chocantes, como aquela em que um iraquiano está a ser electrocutado, ou as simulações de sexo anal e oral a que foram sujeitos os desgraçados que os amigos americanos escolheram para se divertirem naquela tarde. É aceitável exibir aquele tipo de imagens sem, pelo menos, o aviso prévio de que se trata de material chocante? Ou as audiências valem mesmo tudo? (Infelizmente, ambas as perguntas são retóricas)
Cá para mim, aquela obsessão com sexo tem a mãozinha do nosso ministro da defesa.
Isto de os iraquianos não quererem ser "libertados" é mesmo uma chatice!
Eu cá não sou racista
Pois não. Ninguém é. E muito menos os portugueses. Os portugueses são um povo de brandos costumes. Sempre se deram bem com toda a gente. Em África, como em todo o lado, o Zé Povinho só deixou amigos.
Isto são tudo clichés, não são? E como todos os clichés, têm um lado de verdade. Mas é só um lado...
Não é qualquer pai que aceita a ideia de ver um filho casar com uma preta (ou vice versa). E há sempre algum desconforto quando, à noite, numa rua deserta, vemos alguém de côr. E a expressão "de côr" é indirectamente racista, não é? Nós somos brancos.
Eles são de côr. De côr? Mas de que côr, pergunte-se? Bem... São negros. Negros? E por que não pretos? Por que é que temos medo de lhes chamar pretos? Acaso nós, brancos, gostamos que nos chamem "claros"?
Claros que não!
Vinha hoje no Público a entrevista a uma historiadora conceituada que não hesitava em usar a expressão "genocídio" para descrever muitas coisas que fizemos no curso da guerra de África. A mera ideia é arrepiante. Talvez sejamos um povo de
brancos costumes.
O doutor
Santana Lopes, presidente da CML, viu decretada pelo tribunal a suspensão das obras do túnel do Marquês. O tunel sempre foi tudo, menos consensual (o que deveria levar a Câmara a ter cuidado na maneira de o gerir, certo?). Só que, no campo de Santana, não há lugar a hesitações. Avança-se e pronto! Ainda por cima, a malta do governo é tudo gente amiga, não é? E dá o jeitinho...
Só os tribunais é que atrapalham o progresso e a modernização da cidade. Os tribunais e aquela coisa meio maleável que dá pelo nome de "lei". Estranhíssimamente, surgiram grandes anúncios de jornal a convocarem os munípes a concentrarem-se na Praça do Município (para manifestarem o seu apoio ao senhor presidente). Anúncios anónimos. Anúncios caros. Anúncios hiper-personalizados na figura de Santana. Quem terá sido a alminha caridosa que investiu do seu dinheiro para apoiar Santana? Quem?
Já reparou no dinheiro que a sua Câmara gasta em publicidade e auto-promoção? Nããã. Não pode ter sido a Câmara! Isso seria indecente.
Só tenho pena de o comício não ter ido para a frente. Sempre gostava de ver quem é que lá ia aparecer...
Estou a começar a preparar a estrutura do
espectáculo Cromo Sapiens. À noite. Sim, porque os dias passo-os a fazer produção no Teatro da Trindade. Ando mesmo estoirado.
Ah! É verdade! Os bilhetes já estão à venda, malta!
Voltando à estrutura. Hoje decidi fazer um apanhado das ideias chave que quero transmitir. Para as poder alinhar em sequência, escrevi os temas em papelinhos amarelos (que depois vou afixar num painel de cortiça). Em seguida, vou colocar os papéis em locais relativos diferentes, tentando dar alguma unidade, lógica, ou sentido de conjunto àquela confusão toda. Sem contar com as coisas que escrevi no blog, tenho 31 temas - o que daria para quase três horas de espectáculo. Vou ter que começar a seleccionar temas e textos, deixando cair uma boa parte. Depois, há que escrever de novo e reescrever os textos de que gosto, mas que estão longos demais. Tenho um espectáculo inteiro para montar! Não há crise, tenho até quinta feira...
(neste ponto parei de escrever porque desmaiei sobre o tecladommmmmmmmmmmmmmmllllll
Não me digam nada...
Está tudo atrasado. Atrasado? Atrasadíssimo! Oh, raios! Por que é que eu não contratei um produtor? Por que é que acabei por ser eu a tratar de tudo: texto, interpretação, produção, divulgação, patrocínios...?
A culpa é minha, bem sei. E tenho recebido imensa ajuda de muita gente (se não fosse por isso...)
O que vale é que, nestas coisas do teatro, por muito complicadas que estejam as coisas...
...Depois acontece sempre um milagre qualquer que salva tudo! (Acontece? Eu sou agnóstico, bolas!)
Aqui vai o texto que vou pôr no verso do postal (Aceitam-se comentários)
"Pegou no postalinho? Óptimo! Vamos começar.
Baixe o postal e olhe bem à sua volta. Quantos cromos é que está a ver?
É impressionante, não é?
Agora, falemos de si.
Diga lá, mas diga sinceramente...
É ou não é um grande cromo? Sim, você!
Não? Nunca? Nem a conduzir? Nem quando bebe? Nem na cama? Nem quando discute? Nem quando lê na casa de banho? Nem quando fala ao telemóvel?
Pois... Eu sei.
Não há crise, ninguém é perfeito. Além disso, já vimos que não está só. Somos muitos, um país inteiro deles.
Já pensou? Um país inteiro de cromos... e em que toda a gente se leva a sério!?
Se calhar, o nosso mal é esse: rimos pouco.
Sobretudo de nós mesmos.
Concorda? Concordas? (Já podemos tratar-nos por tu, acho eu)
OK. Assim é muito melhor.
Então, vamos fazer o seguinte:
Vem ter comigo. Traz um amigo também. Vamos beber um copo e rir um bocado juntos, que tal?
Já sabes onde é que me podes encontrar.
Um abraço,
Miguel"
Psicologia invertida
1. Às vezes, a psicologia invertida é tudo menos divertida. Hoje, ao mostrar o meu site a uma amiga, ela não passou da página do índice porque a minha foto dizia, no balão, para não clicar na minha imagem (e ela, obedientemente, não clicou) Para os mais distraídos e para os menos afoitos aqui fica: É mesmo de clicar na imagem que aparece no início, senão aquilo não vai dar a lado nenhum, o que não tem piadinha nenhuma.
2. Faz favor escrever mensagens. Basta clicar nesta coisinha que aparece abaixo do post, preencher os campos e...
voilá...
3. Vou fazer ensaio de imprensa na terça feira às 18.30. Vou escrever um texto especial para a ocasião (sobre jornalistas e jornalismo) Quereis aparecer? É telefonar...
4. Por falar em textos, ainda não tenho o texto da
stand up. Tenho muitas ideias, bastante material testado, centenas de notinhas e milhares de coisas escrevinhadas em tudo quanto é sítio. Mas textinho, que é bom, com estruturinha, como deve ser... Népia!
(O que é coerente com a minha intenção de fazer o pior espectáculo do mundo)
5. Os
bilhetes do espectáculo
Cromo Sapiens já estão
à venda. Encontram-nos: nas bilheteiras do T. Trindade (21 342 00 00); nas lojas FNAC e na FNAC service do Vasco da Gama; e ainda no serviço Ticketline. (Esta mensagem foi mandada pelo Miguel-produtor, e não pelo Miguel-actor)
6. A estreia vai ser no dia 6 de Maio (quinta). Se pretendem ir, é marcar já na agenda.
7. Hoje pus os cartazes (mupis) e os postais a fazer.
8. É mesmo verdade! No cartaz apareço nu! Tirando essa imagem (que toda a gente acha desagradável e grotesca- incluindo eu) o cartaz está muito bonito.
P.S. Mais um texto sem piadinha nenhuma.
Já sou interactivo! (para não dizer radioactivo)
Não sei se já viram - claro que já - mas consegui inserir um sistema de comentários aqui no blog (obrigado, Elsa). Isto significa tão somente que, se estiverem para aí virados (estejam, estejam...) podem escrever as vossas bocas, críticas, insultos gratuitos e palavras feias e deixá-las aí, eternas, susceptíveis de serem admiradas para a posteridade, como as pirâmides do Egipto. Podem ler os comentários que já foram feitos (não faço ideia por quem) e podem... Olha, podem fazer o que quiserem, este é um país livre (por enquanto).
Se ainda não o fizeram podem dar um saltinho ao site.
AQUI!
P.S. Desculpem-me a prosa desinspirada, mas ando cheio de trabalho com a produção.
Quero ser posto em Tribunal!
Já aqui disse uma vez que o meu objectivo é dizer qualquer coisa tão violenta, insultuosa ou descabida, que me faça, finalmente, ter que ir a tribunal defender-me. Apesar das coisas que escrevo aqui, apesar de já ter dito, na tvi, de manhã e em directo, que o Paulo Portas tinha prisão de ventre e que o Durão Barroso era pior do que cocó... ainda não consegui atingir esse objectivo. Também já disse que não é por ser corajoso, nem idealista, que faço uma marcação tão cerrada aos tipos do governo. Quero é ir para tribunal para poder fazer de vítima, ter tempo de antena, invocar a liberdade de expressão... Em suma, para ter publicidade!
Mas, por mais que esperneie, as minhas palavras ainda não tiveram mais efeitos que meia dúzia de sorrisos nos leitores e uma ou duas repreensões dos meus pais. De resto, tudo o que disse no meu blog foi, até agora, inconsequente. Mas nem todos têm a minha falta de sorte...
Não tenho nada contra o vil metal, a não ser o facto de ter tão pouco dele. Mas
há limites para aquilo que se pode fazer em troca de dinheiro. Um jornalista, por exemplo, não deve ter que fazer reportagens por encomenda. Nem elogiar a empresa x ou y, para continuar empregado. Eu disse "não deve"? Não devia...
Três jornalistas do Primeiro de Janeiro foram despedidos por causa das coisas que publicaram no seu blog colectivo. E o que é que disseram, perguntam vocês?
Limitaram-se a denunciar uma falta deontológica grave dos seus superiores. O Departamento Comercial do "Primeiro de Janeiro" acertava com empresas a realização de reportagens, em troca da compra de espaço publicitário nas páginas do jornal. E, se calhar, ainda o faz. Os jornalistas, fartos de serem obrigados a dobrarem a ética e a deontologia para acatarem ordens manifestamente imorais, decidiram fazer um blog:
diariodeumjornalista.blogspot.com onde, para variar, davam notícias a sério: designadamente sobre os procedimentos internos do jornal. Resultado?
Foram despedidos. E em vésperas de 25 de Abril! (E eu, para aqui, que nem consigo um processozito - dá Deus nozes...)
Cá para mim, esta história é só a ponta do iceberg e casos destes (de compra de notícias) há-os em mais jornais... Mas essa seria a preocupação de alguém intelectualmente honesto. E isso, eu não sou. Só consigo pensar: "Ele há tipos com sorte! Eles é que a sabem toda! Foram mesmo despedidos!"
Piadas à parte, "Diário de um Jornalista" é a prova de que um blog pode ser mais do que masturbação intelectual! (o meu, não, o meu não passa disso)
notinha de rodapé 1: se quiserem mais informações, leiam o suplemento de computadores do Público de ontem (pág. 2).
notinha de rodapé 2:
Vejam aí, nos links, como chegar ao blog da discórdia.
E já agora, visitem o meu NOVÍSSIMO SITE OFICIAL CHEIO DE COISAS GIRAS E COM UM LOOK ALTAMENTE VALE MESMO A PENA TENHO TANTO ORGULHO OBRIGADO TIAGO PELAS HORAS QUE PERDESTE A AJUDAR-ME, PÁ!!
Roubar ceguinhos, doentes e crianças...
...Deixou de ser uma metáfora para aquilo que a Ministra das finanças faz. Agora, ela rouba literalmente o dinheiro de doentes, velhinhos e criancinhas!
Caso não tenham reparado, na vossa declaração de IRS, há um anexo (anexo h) que vos permite doar 0,5% do que pagam em IRS a Instituições Religiosas, ou Instituições Particulares de Solidariedade Social à vossa escolha. Exactamente! Pode ser feito. Está na lei. Até há um anexo para prencher, caraças!
A lei já é de 2002. A ministra, quando a teve na mão, decidiu dar despacho e mandar aplicar a lei... Mas nunca a regulamentou (o que, em trocados, quer dizer que nunca deu o dinheiro a ninguém). Mais: nunca consignou as verbas (os tais 0,5%) em Orçamento de Estado - sabendo que era dinheiro que não era para ela gerir...
Para tapar o défice (que já vai em 5% - contra os 3,8% dos últimos governos PS - note-se!) ela
gastou dinheiro que não era dela e não o pretende devolver. Se eu fosse pouco educado, diria que a senhora ministra é uma ladra, e que anda a gozar connosco. Mas eu não sou pouco educado.
Curtas, quentes e boas...
A data
Aparentemente, o léxico do Partido Popular não transformou apenas
Revolução em Evolução. Agora, Portas inventou "a data". Em vez de 25 de Abril, diz "a data", como quem fala numa coisa má, tipo "holocausto", ou "Liberdade". Como se isso não lhe bastasse, passou a sessão solene "da data", na Assembleia da República, a mascar pastilha elástica e a despachar. É notável. Nunca vi parvalhão mais cretino... Até à data.
Uma no cravo...
Na Assembleia Legislativa da Madeira, um ilustre deputado regional do PSD foi discursar, lá na sessão comemorativa "da data". Sim, porque apesar de ninguém reparar, "a data" também chegou a esse país estrangeiro que dá pelo nome de Região Autónoma da Madeira.
Como eu ia dizendo, o senhor deputado, que é nada mais, nada menos que o porta-voz da bancada do PSD M, e que dá pelo inspirado nome de Coito Pita, ao subir à tribuna, teve o delicado gesto de pegar no cravo que lá havia sido deixado (em homenagem à "data") e atirá-lo ao chão, ao mesmo tempo que dizia rejeitar a Constituição da República Portuguesa. Não se ficou por aí, e disse que "não reconhecia à Assembleia da República o direito de dizer não ao que foi decidido pelos deputados regionais sobre revisão constitucional". E atirou ao chão o "símbolo dessa revolução". Nada mau, nada mau... Mas, mesmo assim, não se conteve e chamou "general de aviário" ao Otelo Saraiva de Carvalho, entre outras pérolas de linguagem vernacular.
Imagino o senhor Coito Pita (juro que o nome não é inventado: ele é mesmo Coito com Pita). O Senhor Pita deve ser um homem amargo, etilizado e frustrado... É que, por muito que berre, não tem metade da visibilidade do patrão, Alberto João. No fundo, se calhar, até gostava de lhe tomar o lugar, só não tem coragem para isso.
Mas o Alberto João gosta de Pita à mesma. Tomara ele contar com muitas Pitas!
É que ele sabe que o seu braço direito é o único Coito não pago que terá até ao fim da vida.
Preso por ter cão...
E por ser Valentão. O Major está inocente, estou cada vez mais certo disso! Imaculadamente inocente! Os jornais, agora, descobriram mais uma prova irrefutável da sua inocência: Valentim Loureiro conseguiu ter a PSP nos jogos do Boavista, durante cinco anos, sem pagar! Sublinho: sem pagar! Se não pagou, não houve corrupção, certo? Se tivesse pago é que sim, havia! Ou sou eu que estou a ver mal a coisa?
Do Melhor e do Pior
Ao contrário do que muitos disseram, a detenção de gente com responsabilidades no futebol, em vésperas do Euro 2004, não prejudicou a imagem do país. Lá fora, eles também não são virgens nestas coisas e sabem bem o que é que as casas deles gastam. Pelo contrário, uma justiça que funcione, indiferente aos calendários de conveniência, já é um bom cartão de visita para o exterior. Mas, se somos capazes do melhor, também não ficamos mal na fotografia do "pior".
Então não é que a equipa do Sporting de Braga foi atacada, com pedras, quando o autocarro se encontrava em movimento? Meus senhores, essas imagens também chegam ao estrangeiro...
Já estou como o
Arnault:
"Eu não acredito que nenhum português queira aproveitar-se do Euro 2004 para prejudicar a imagem do país." Viva o bom povo português!
We love football! ´Tá bem, abelha...
Esta é a tua soneira...
Não sei se já viram o último anúncio onde entra o Figo.
Não, não é esse. Nem esse, o outro.
Também não é esse. Estou a falar daquele onde ele fala na bandeira nacional - estão a ver?
Exactamente, estou a ver que também repararam.
É um bocadinho estranho ouvi-lo, naquele tom monocórdico de quem acaba de acordar:
"Esta é a tua Nação.
Esta é a tua vontade.
Esta é a tua Pátria.
Esta é a tua bandeira..."
Escusavam de ter drogado o homem!
Senhores da publicidade: O homem até tem boa imagem, mas o que ele faz melhor é jogar à bola. Locuções, podem esquecer!
ATÉ QUE ENFIM!
Já estou online! Entrei no clube selecto das pessoas que têm SITE!
Após muitas tropelias, atrasos, dores de cabeça e directas...
O MEU SITE ESTÁ NO AR!
Não está ainda completo, mas já vale bem uma visita!
VÃO LÁ! Está prontinho a estrear!
E nasceu no dia 25 de Abril! Isto há coisas que um tipo até fica comovido.
Ide descobri-lo, caros leitores. Ide e dai-me
feedback:
www.miguelbarros.4t.com
Viva a Liberdade!
Arrumadores II
Aproveitemos estes dias em que se celebra a Revolução para sermos um bocadinho menos auto-centrados e mais atentos a quem nos rodeia. Em suma, descretinizemo-nos!
Os arrumadores são uma profissão muito engraçada. Temos tendência a ignorá-los (porque nos lembram das muitas coisas que não funcionam na nossa sociedade e para tentarmos poupar algum dinheiro) mas, se calhar, fazemos mal.
A minha rua tem três/quatro arrumadores. Apesar do inevitável mau aspecto, são todos bastante educados e, até, atenciosos. Sabendo que sou morador, nem me pedem moedas (mas não as rejeitam, claro) e até me disponiblizam lugares que eu não sabia existirem. Volta e meia, lá cravam um cigarro (que é coisa que eu nunca recuso) e, sendo assim, não há conflito.
Acontece, por vezes, (porque eu não tenho lata de não olhar para alguém que me esteja a dirijir a palavra) iniciarmos conversas, algumas das quais interessantes.
Hoje tive uma delas (estou a tentar fazer citações rigorosas):
Arrumador: "Isto está mau. O fim do mês está a sentir-se muito."
Eu: Pouca gente, é?
Arrumador: "Sim... Para sábado e domingo, está muito fraquinho. Veja bem: Não há rotação de saída... "
Eu: Rotação de saída?
Arrumador: Sim. Às vezes, há muita procura e somos nós que não temos oferta..." Mas hojé é pior. Não há rotação de saída, não há rotação de entrada... Nem sequer há rotação de circulação! Está tudo estagnado! Assim, não dá para trabalhar!"
Garanto-vos: Só me apeteceu propô-lo para o prémio dos jovens empresários...
Recuso-me comentar a conquista do campeonato pelo FCP!
Não o vou fazer. Não vou escrever nem uma linha sobre o Porto! Nem uminha! (Oops! Agora já é tarde, não é?)
Sou do Sporting. Nem é preciso dizer que já não tinha ilusões sobre o campeonato, mas há uma coisa que me faz
espéce: o meu clube é compulsivamente neurótico e auto-destrutivo (à imagem deste seu adepto, talvez).
Habituado a sofrer (ao ponto de lhe ter ficado o gostinho), interiorizou que havia de capitular e fê-lo em grande estilo (vamos lá a ver para a semana se este morrer na praia não é ainda mais espalhafatoso)
Seja como for, apetece-me registar um pensamento. Este ano, Portugal volta em força à máxima salazarenta
Futebol, Fado e Fátima. Agora é Euro, Rock in Rio e
Taizé (o mega encontro europeu da comunidade deste ano é na nossa terra) Dou por mim a pensar se isto é por acaso, ou se não está tudo ligado...
Foi só um calafrio que eu tive...
Parabéns ao Porto!
Mas que fique bem claro: hoje não há textos sobre outra coisa que não o 25 de Abril!
Abril 30 anos - Revolução em balanço
Sempre tive pena de ver a direita olhar para o 25 de Abril com vergonha e afastamento. Abril é de todos (e trouxe benefícios para todos), não sendo um património exclusivo da esquerda. Mas a direita (sobretudo a mais populista) continua a ter vistas curtas e a sentir-se desconfortável em associar-se às celebrações da data fundadora da terceira república - a primeira fase da nossa História vivida em Liberdade.
A verdade embaraçosa é que muita gente com responsabilidades governativas, embora não o assuma, detesta o 25 de Abril, não percebendo que, se não tivesse sido esse dia, nunca teria tido posteriormente a liberdade para atacar, como o fizeram, o cavaquismo, por exemplo.
E aí é que entra a pequena nuance do "R". Abril não foi um processo evolutivo.
A direita, os empresários, os católicos mais conservadores e os políticos liberais nunca quiseram realmente que o país
evoluísse democraticamente. E, já com a revolução em marcha, tiveram que se adaptar às novas circunstâncias, e da maneira mais cobarde e vira-casaquista, auto-proclamando-se de esquerda moderada, mas mesmo assim a favor de um Estado economicamente socialista (até o CDS).
A memória é uma coisa tramada e a verdade é que 40% dos portugueses de hoje não viveram o 25 de Abril. Logo, é muitíssimo perigoso deixar associar a Democracia apenas ao progresso económico. Isto porque o principal, a Liberdade, não é e nunca será um dado adquirido pelo qual não seja preciso lutar diariamente. Quando olho para as barbaridades que andamos a fazer a reboque dos americanos no Iraque, quando já se ouvem discursos a prepararem terreno para a limitação das liberdades individuais (em nome da luta anti-terrorista) começo a perceber a lógica de quem apregoa que aquilo que de mais importante obtivemos desde Abril, foram os quilómetros de auto-estrada, ou o número de lares com água canalizada.
25 Abril sempre!