Seja bem-vindo quem se vier por bem
A Maldição do segundo espectáculo
Esta malta das teatradas (se calhar, por ser ignorante como tudo) é muito dada às superstições.
Entrar em palco com o pé direito... Desejar "Merda", como quem deseja Boa sorte... Não agradecer!... Rezar... Fazer a cruz antes de subir a cena... Nunca por nunca dizer "Macbeth" em circunstância alguma, a menos que se esteja a representar a dita peça maldita. (Nunca dizer Macbeth?... Oh, Diabo! Estou lixado!)
Os actores acabam por ser muito parecidos com os jogadores de futebol. O que não abona nada em nosso favor, diga-se.
Uma das teorias mais disseminadas no meio é de que, caso a estreia corra bem... O segundo espectáculo corre mal. Não por razões lógicas deste mundo, mas pelo simples facto de... Ser assim!
A verdade é que já tive muitos maus segundos espectáculos na minha carreira. Mas sei exactamente porquê:
a) porque após a enorme concentração e adrenalina da estreia, toda a gente relaxa um pouco;
b) porque,se correu bem, entramos em palco com excesso de confiança e armados em parvos;
c) porque achamos que já dominamos e perdemos o pé;
d) porque o público também é diferente, mais exigente e menos solidário com as nossas asneiras;
e) porque há menos gente na plateia.
Ainda poderia acrescentar uma alinea f) (Todas as de cima, em simultâneo).
Do meu ponto de vista, é por aí que muitas vezes o segundo espectáculo corre mal. E corre mesmo! Logo, é fácil culpar a maldição, em vez de pôr em cima da mesa o facto de se ter estado nos copos até às tantas na véspera. Tendencialmente, as superstições singram com facilidade no meio da ignorância (ou da preguiça intelectual).
Posso dizer que o espectáculo de ontem (o meu segundo) correu bem. Muito bem, mesmo. Até poderia dizer que correu, num conjunto de aspectos, bem melhor do que o primeiro. Soltei-me mais, improvisei, explorei novas coisas e novos temas, comuniquei mais (também me estiquei no tempo - lá está o excesso de confiança...) Mas o balanço é mais do que porreiro.
Mas estas coisas... Sabe-se lá explicar isto de forma racional?...
Lembram-se de ter dito que o público está do nosso lado, a torcer por nós, a sofrer connosco?
Continuo a acreditar nisso. Mas ontem, no meio da plateia, tive a excepção que confirma a regra. E logo no segundo espectáculo... Dá que pensar, não é?
Mal entrei em cena, percebi que havia um gajo com má onda na plateia. Eu não o conhecia de lado nenhum, logo, depreendi que tinha pago bilhete (este é o tipo de coisas que nos atravessam a mente numa fracção de segundo e tentamos não denunciar). Mal comecei, começaram também as bocas dele. Qualquer coisa que eu dizia... Pimba! Boca foleira! Sai uma piada... Pumba! Toma lá mais uma javardice qualquer e em voz alta!
Deu para ver que ele estava com os copos - o que é mau. Muito mau!
É que (e em
stand up acontece mais do que em teatro) os cromos que vão lá só para estragar o espectáculo (ou que não gostaram de qualquer coisa que disseste e embirram com tudo a partir daí) podem ser de dois tipos: os "chatos normais" e os "chatos bêbedos". Com um chato normal, está tudo bem... Um gajo pára, mete conversa, esclarece a coisa, conquista a confiança dele... E PIMBA! Manda uma piada sobre o gajo que faz toda a gente rir e a coisa acaba logo ali (e normalmente a bem - o tipo vem ter connosco no fim, e diz que gostou).
Mas isso é com os "chatos normais". Esses têm um discurso articulado, racional. Podem ter ficado indignados, mas não estão lá só para destruir.
Os chatos bêbedos, não. Esses, são como os patrões.
NUNCA se deve dar conversa a um chato bêbedo. É isso mesmo que ele quer. Dar-lhe trela é morte certa. É cortar o ritmo ao espectáculo... até porque ninguém se ri, se tu gozares com um bêbedo! É daquelas situações em que nunca se sai a ganhar. O que é que eu podia fazer?
De início, ignorei-o... Estoicamente, não lhe dei azo a fazer asneiras. Quando ele "rebentou" e se pôs de pé no meio da plateia, a botar sentenças... Vi que o caldo estava definitivamente a entornar.
Mas mantive sangue frio. Deixei-o falar... Bebi a minha aguinha, na boa... Deixei o público tomar o meu partido e mandá-lo calar ou sair...
E quando o gajo acabou por sair (por ter esvaziado o balão sem conseguir grandes efeitos) rematei.
"Eu já devia saber que não posso convidar o meu pai para estas coisas..."
Gargalhada geral... Palmas fortes e solidárias (que me souberam muito bem)... E ´bora lá continuar.
Mas em
stand up este tipo de coisas é a fruta da época. Tenho que me preparar (sendo que é impossível preparar-me realmente, tudo depende sempre da reacção improvisada que me saia na hora) ... E cara alegre!
Em balanço: o espectáculo sobreviveu... O problema foi ultrapassado e até obtive um efeito de "catarse" colectiva...
...Mas tive ali uns minutos de enorme tensão, sobre o fio da navalha...
E o aparecimento do gajo? Como se explica? É a maldição do segundo espectáculo? Mera coincidência? Será que ele é algum maluquinho (particularmente sádico) que anda a ler as carteleiras dos jornais todos para arranjar maneira de estar presente em tudo o que sejam segundos espectáculos? Será um actor falhado em busca desesperada de protagonismo?
A resposta têm que ser vocês a dá-la. Eu não sei.
´Pero que las hay...
Pedradas no charco
Tertúlia da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.
O que é? A resposta é simples: são uma cambada de cromos que se entretem a filosofar sobre o Mundo, a Academia, a Pedagogia e, sobretudo, sobre si mesmos (o que é altamente masturbatório - e por isso eu gosto). Têm um hino simpático ("A Trova do Vento que passa", do Adriano Correia de Oliveira) gostam de vestir negro (em sinal de luto... Ai, as saudades que eu tenho da adolescência!). E passam o tempo a reclamar. Têm um pasquim, que sai quando sai, e que se chama "O Berro".
E são (mesmo em tempos de crise existencial) o grupo mais interessante que a Faculdade de Direito tem o (des)prazer de albergar no seu grande seio. Polemizam, problematizam, questionam, questionam-se. Giro, não é? Mais: são uma estrutura assente na aristocracia (de valores) e rejeitam os podres que a democracia vai permitindo e sedimentando. No entanto, todos eles são democratas e amantes da liberdade. Estranho, não é? Mas é castiço.
Agora, vocês perguntam como é que eu, que sou actor, sei estas coisas todas sobre este grupúsculo semi-clandestino?
Embora ainda não o tenha dito aqui, antes de me ter tornado actor, eu cursei Direito. E cursei até ao fim.
Logo, fiz (faço) parte desse grupúsculo que dá pelo nome de
Tertúlia Libertas.
O que é que esta treta toda tem a ver com o que quer que seja?
É que há uns tipos (dois Pedros) que fazem parte da Tertúlia e que iniciaram um blog que promete (não chega aos calcanhares do Cromo, mas pelo menos tenta). O blog chama-se pedradas (em coerência com os nomes dos autores) e vale a visita. Fica o convite:
pedradas
(Vão... Mas voltem!)
Glória nas alturas!
Já foi!
O Cromo Sapiens já estreou. E a enorme cordilheira de dúvidas que andava a carregar sobre os ombros (será que funciona? será que tem piada? será que eu me aguento? será tempo a mais?) deu lugar a uma interessante combinação de altos e baixos: Funciona, mas não tudo. Tem piada, mas precisa de um pouco mais de ritmo. Aguento-me, mas tenho que me conseguir descontrair mais um pouco.
Descobri uma coisa interessante. Não é propriamente descobrir, foi mais redescobrir, mas dois anos de pousio como actor de teatro tinham-me feito esquecer: o espectáculo vive do binómio actor/público e, tirando raras excepções, o espectador, ao sentar-se, está já com vontade que o espectáculo corra bem.
O espectáculo, todos os espectáculos, são mais de cada espectador individual, do que dos actores, do encenador, ou dos autores. O espectador é soberano. Mas mais do que isso. O espectador, mesmo o mais discreto, o mais calado, é parte activa de um todo. E, querendo divertir-se, espera que tudo corra bem. Espera e deseja que as coisas
nos corram bem. Quer ajudar. Sofre quando damos tiros no pé e sente-se grandioso com os nossos momentos de glória.
Cromo Sapiens estreou bem. Fez rir, fez sorrir, fez pensar. É o fim de um ciclo. E estou orgulhoso por isso.
Mas é também o princípio de um outro ciclo, provavelmente mais difícil. Agora, o desafio é fazer crescer o
bebé. É dar-lhe alma, ritmo, vida. É fazer com que o pior espectáculo do mundo seja cada vez mais interessante de ver, cada vez mais rico, cada vez... Pior.
A todos quantos têm lido o Cromo, o meu sincero obrigado. O espectáculo é vosso.
Rapidamente percebi que o blog Cromo Sapiens não era um projecto a prazo e, por isso, vai continuar. Tal como as actualizações, que vão continuar a ser diárias. "Primeiro estranha-se, depois entranha-se" dizia o Pessoa. Eu estou viciado. Também por isso vos agradeço.
Chega de pieguices, Miguel! Isto é um blog, não é uma das tuas novelas!
Estou à vossa espera no Trindade. Vamos beber um copo?
Faltam quatro horas e tal...
Para a estreia mundial de Cromo Sapiens!
Eu sei que toda a gente gosta de deixar tudo para a última hora.
Também sei que no convite dizia para levantar os bilhetes até 48 horas antes do espectáculo.
Em resposta a vários telefonemas que me fizeram, aqui vai:
Não sei se há bilhetes para hoje, sexta e sábado.
O melhor que têm a fazer é ligar para o número: 21 342 00 00 (bilheteira). Lá dir-vos-ão se ainda vão a tempo. Mas atenção, é só para informações. Eles não estão a aceitar reservas. Os bilhetes e convites levantam-se lá, pessoalmente.
E agora perguntam: o que é que este gajo está a fazer, a esta hora, a tão pouco tempo da estreia, a escrever aqui? Não devia estar em recolhimento absoluto? Não devia estar isolado do mundo?
Devia. Mas é para vocês verem a importância que eu vos dou.
Abraço,
PS: Amanhã, sexta feira, vou estar no programa
Curto Circuito. A entrevista passa lá para o meio dia, meio dia e meio.
VADE METRO
Eu e a Susana usamos dois tipos de transporte para ir para o Trindade. Ora usamos o Metro (mais rápido e barato) ora vamos de carro (mais confortável e muito mais prático para transportar coisas, apesar de ser caríssimo, por causa do parque). Ontem (sim, já é ontem) entrei na carruagem do metro e sentei-me. Assim que olhei para o lado, vi um tipo a olhar para mim. Devia ter mais ou menos a mesma idade do que eu. A cara dele parecia-me estranha, mas ao mesmo tempo familiar. As olheiras fundas e a expressão de cansaço dele deixaram-me cheio de compaixão. Mas foi aqui que começou um fenómeno curioso, para não dizer inquietante:
Eu olhava para ele e zás! Ele fazia o mesmo, olhando para mim. Inibido, desviava o olhar, e ele fazia rigorosamente o mesmo. Sempre que o espreitava, ele espreitava-me. Às tantas, comecei a deixar-me apoderar pelo sono e soltei um bocejo. Diz-se que o bocejar é contagioso. Não sei se foi por isso, ou por ele estar a gozar comigo, imitando todos os meus gestos, a verdade é que ele também bocejou. E fê-lo de forma exactamente igual à minha. Bocejámos várias vezes, em sintonia, cada vez mais divertidos com a cumplicidade que ali havíamos gerado.
Mas eu não deixava de me sentir observado e gozado, o que me começava a deixar inquieto.
Quando cheguei à minha estação, pensei: "Acabou-se a brincadeira". Mas não! Ao mesmo tempo que eu me levantei e saí, ele fez o mesmo: Levantou-se e saiu! "Estou lixado!", pensei.
Cheio de medo, olhei para trás, temendo o momento em que ele me espetasse uma faca nas costas ou coisa que o valha... Mas...
Ele tinha desaparecido!
(As coisas que um tipo pensa quando olha para o seu próprio reflexo na janela do metro)
O
ensaio geral já lá vai (correu mal - o que é bom augúrio, em termos teatrais).
Estou de rastos. Verdadeiramente estafado.
Vou dormir (se conseguir - apesar de estar morto, sinto os nervos a crescer)
Amanhã programaram uma coisa fantástica! Mesmo a calhar! Os tipos do Curto Circuito mudaram a entrevista que tinham marcado para sexta de manhã... Para amanhã à tarde! Fabuloso, não é?!
Claro que vou! Estou por tudo!
AOS ESPECTADORES: AINDA HÁ LUGARES NA SALA. Seja para levantar convites, ou comprar bilhetes, a bilheteira abre às 14.00. A gente vê-se no... (não, não é no Tivoli, mas quase)
A gente vê-se no Trindade!
FALTAM 21 horas para a estreia de Cromo Sapiens! O pior espectáculo do Mundo!
Manda mais postais
É estranho o reino da
stand up.
Quanto menos um gajo se prepara, mais as coisas correm bem. O
Olá Portugal correu bem (penso eu de que) mas já faz parte do passado (esta participação pelo menos).
Agora, há que voltar a vestir o casaco do produtor (durante a tarde), para tirá-lo e calçar as luvas do autor (ao fim da tarde) e ensair com as cuecas do actor (noite dentro). Não estou muito seguro de que esta imagem das "cuecas do actor" tenha tido o efeito poético pretendido, mas enfim.
A estreia é já amanhã!
Fui buscar os postais à gráfica (onde tive que os pagar, bem como aos mupis - até doeu)
Como ando cheio de sorte, não bastou o Porto e o Carlos Cruz. Não! Ontem, dia da colagem dos mupis, e hoje de manhã, desatou a chuver! Coisa boa! Dos poucos mupis que vi afixados, grande parte já estava a descolar ou em adiantado estado de decomposição. Nalguns, a parte do cabelo tinha caído e eu aparecia careca, o que até me dava um certo charme.
Amanhã, pelas 9.45 a TSF vai passar a entrevista que eu dei à Lara Marques Pereira, bem como um excerto do espectáculo.
Repete depois das 17.30.
Agora, vou para o Trindade sem almoçar (também, isso é um luxo desnecessário) e voltar a vestir as cuecas do produtor. (ou é do actor?) Não sei, é tudo roupa suja, de qualquer maneira!
Beijinhos e Abraços!
Falta... Olha que porra! Não falta dia nenhum! É já amanhã!
De loucos!
Faltavam poucos minutos para o ensaio de imprensa quando recebo uma chamada. Era do "
Olá, Portugal!". Queriam que eu fosse lá... AMANHÃ! ÀS DEZ DA MANHÃ! Assim, sem aviso prévio, sem antecedência, sem nada... Como se eu não estivesse à beira de estrear um espectáculo!
Alguma vez eu poderia aceitar um convite nessas condições?! Sem texto, sem nada preparado? Com tanta coisa para fazer?
Claro que sim. Na hora. Preciso mesmo da visibilidade e da promoção. E cara alegre!
Assim: amanhã (4ª feira) vou estar no Olá Portugal a falar sobre nada (tipo
Seinfeld). Como começo a ganhar calo nisso, já nem estou nervoso. Não sei a hora exacta, mas deve ser lá para as 10, 10 e meia.
Relato telegráfico do dia: Corre, corre stop Deixar Maria creche stop Ir Trindade stop telefonemas produção stop afinar luzes espectáculo stop pedir aparelhagem e acompanhar instalação da mesma stop receber jornalistas stop reler texto colado com cuspo para ensaio de imprensa stop mais telefonemas stop tratar da distribuição dos cartazes pela cidade stop entrevistas stop apresentação de ensaio de imprensa stop comer a correr com um olho na televisão por causa do Puortô stop fazer ensaio geral com Susana stop ir buscar Maria a casa dos avós stop deitar coisas no ecoponto stop chegar a casa stop escrever no blog stop sorrir com o número de visitas stop obrigado a todos non-stop stop alinhavar texto para Olá Portugal de amanhã stop reestruturar sequência do espectáculo stop dormir como um anjo stop ou nem isso, madrugar com insónias, tal é o nervosismo acumulado non-stop.
No ensaio de imprensa, acabei por só ter duas jornalistas (poucas mas boas!). Eu tenho cá uma sorte: ninguém consegue competir com a meia final do Porto e com a libertação do Carlos Cruz ao mesmo tempo! A conversa/entrevista correu Ok. O excerto do espectáculo não tanto, mas deu para perceber algumas falhas.
A partir de hoje (4ª) a minha carantonha e corpanzonho vão estar exibidos um pouco por toda a cidade. Sinto-me um pouco como Narciso.
Os bilhetes já estão à venda! (Como se já não soubessem). Mas, se estou a repetir é porque, das duas uma:
-ou têm convite (e têm mesmo que o ir lá levantar ao Trindade, senão esgota)
-ou querem ir ao espectáculo comprando bilhete (e também correm o risco de o apanhar esgotado)
-ou têm convite, mas querem pagar o bilhete à mesma (eu acredito no Pai Natal, o que é que querem?)
Lembrem-se (eu não me consigo esquecer nunca):
Falta 1 dia para a estreia de Cromo Sapiens
Parabéns! Você é o leitor 1500 deste blog!
Não é? Se errei, foi por pouco!
Grande Campanha Primavera/Verão
Traz um espectador também!
Eu sei que não vai ser fácil. Não me precisam de dizer que a sala só tem 60 lugares. Não me precisam lembrar que há pouca gente a ir ao teatro...
...Mesmo assim,
decidi traçar um objectivo ambicioso para Cromo Sapiens!
VAMOS TENTAR TER MAIS ESPECTADORES QUE TODOS OS JOGOS DO EURO 2004!
A batalha é difícil, mas a vitória é certa! Estive a fazer
contas:
se a sala estiver cheia todos os dias e, além disso, cada espectáculo tiver cem plateias diferentes, todas em regime de cadeira de rabo quente (ou seja, se cada espectador assistir a um centésimo do espectáculo integral) poderemos entrar no
Guiness Book of Records. Superando o nº total de espectadores do próprio Euro 2004! Que tal?!
O quê? O que é que se passa? Errei nas contas? Mas estamos a falar de 600 espectadores por dia!
Mesmo assim, não dava? Não batia certo, é? Mas... As minhas contas estão erradas?
Estou lixado convosco! Quando é para a Manuela Ferreira Leite, está tudo bem. Pode ter as previsões erradas, pode falhar o déficit, pode mentir nos números... Ela proibe-vos os aumentos e mesmo assim, é uma dama de ferro! Mas quando é comigo, sou um lunático!?
Assim não brinco.
Faltam 2 dias para a estreia de Cromo Sapiens
Ensaio de imprensa! IMPORTANTE
O ensaio de imprensa é já amanhã (3ª feira) às 18.30. A
entrada é
livre e, por isso, estão todos convidados.
Mas há uma coisa importante a ter em conta: eu
preciso de entregar uma lista de presenças ao Teatro da Trindade. Por isso, se quiserem ir (e espero que sim)
enviem-me um mail com o vosso nome para cromoerectus@hotmail.com até às 11.00 de terça.
Até amanhã!
FALTAM 3 dias para o CROMO SAPIENS
Só eu sei por que não fico em casa.
Há ocasiões em que até chateia ser do Sporting. Não é por ter perdido. Qualquer bom sportinguista sabe que perder é uma coisa "perfeitamente normal" e o sofrimento faz parte da condição de ser-se verde e branco. Por aí, já nem me faz comichão: Parabéns ao Benfica!
Não é por ter perdido. É por outra coisa que doi mais do que perder.
Todos os sportinguistas que eu conheço (a começar por mim) têm um bocado a mania de acharem que ser do Sporting é, de alguma maneira, fazer parte de uma elite futebolística, em que o civismo, a nobreza de valores e o
fairplay são o prato do dia. É dessa vocação para as vitórias morais (tão portuguesa, meu Deus!) que vem o nosso hábito de reclamar constantemente quando somos roubados pelos árbitros (também é verdade que ficamos calados quando a coisa é ao contrário). Um sportinguista que se preze, em rigor, nem liga muito à bola. No fundo, gosta do aspecto filosófico, estético da coisa. Um sportinguista médio não bate na mulher quando o seu clube perde (a menos que ela esteja mesmo a pedi-las). Um sportinguista, mesmo o mais grunho, nunca, por nunca invade o campo!
O que é que aqueles anormalóides foram fazer para o relvado? Queriam o quê? Marcar eles o golo que nos faltou? Bater nos jogadores do Benfica? Nos do Sporting? No Fernando Santos? Ir apanhar sol para o meio do relvado? O que é que eles queriam, porra?!
Ninguém sabe o que é que eles queriam, quando entraram no relvado. E desconfio que nem eles sabem por que é que vão à bola. Ninguém ganha nada com eles. Diz a música da claque do Sporting: "Só eu sei por que não fico em casa!". É mentira! Ninguém sabe!
Ninguém sabe por que é que eles não ficam em casa. Deviam ficar, em vez de fazerem figuras tristes que retiram a nós, sportinguistas, a aura de seres superiores no podre universo que é a bola.
Esta fuga de informação é patrocinada por Omo, que lava mais branco
A PJ é uma força policial extraordinária. Mais do que a sua reconhecida eficácia em prender "os maus", o que torna os agentes da PJ únicos no mundo é a capacidade de baptizarem as suas operações com nomes certeiros. Diga-se em abono da verdade que "Apito dourado" nem é dos nomes mais bem esgalhados, se tivermos em conta os que nunca vieram a público. Muitos desses nomes (de operações ultra secretas, ou de investigações em curso) nunca foram divulgados, mas o
Cromo está em condições de os apresentar em primeira mão:
O caso Vale e Azevedo, sobre as luvas recebidas da venda de Ovchinikov chamava-se: "Luvinha nas bolas";
O processo Felgueiras, sobre o saco azul da edilidade era "Não acredito em Fátima";
A investigação sobre a célebre Catherine Deneuve foi baptizada de "Nalga na manga";
E...
Last but not least...
O processo Casa Pia era conhecido entre os agentes como "Rabinho cor de rosa".
Mas isto é segredo. Fica só aqui entre nós. Schhh...
Ensaio de imprensa - entrada livre
Terça feira às seis e meia vai ser o ensaio de imprensa do Cromo Sapiens. Na prática, trata-se da apresentação de um excerto (25 m.) do espectáculo.
Vou apresentar um texto inédito sobre jornalismo e jornalistas (que não vou repetir no espectáculo "oficial")
A boa nova é que estão todos convidados. Apareçam!
Europa Lerma
Já está! Somos 25! Não custou nada, viram?
E até foi engraçado terem formalizado a adesão (por favor, não digam aderência!) no dia do trabalhador, apesar de os trabalhadores serem a última coisa em quem os governos europeus estavam a pensar.
Seja como for, a verdade é que a Europa cresceu e forma agora o principal bloco económico do mundo.
Temos alguma tendência para esquecer estas coisas, mas a verdade é que, se a União Europeia, como projecto, vingar, o nosso futuro colectivo será bastante diferente do que foi até há tempos bastante recentes (com guerras intermináveis e grandes conflitos dentro do continente europeu). Só isso já justificava um pouco mais de entusiasmo da nossa parte. E, se isso não bastasse, a mera ideia de que a Europa poderia representar um travão ao expansionismo norte americano (pelo menos da extrema direita americana no poder) deveria ser tónico suficiente. Mas não. O português tem espírito de merceeiro. A única coisa que importa é perceber: "O que é que a gente ganha com isso?"
Nós sempre olhámos para a Europa como a árvore das patacas. Nos últimos vinte anos ela tem sido isso, de certa forma. Mas deveria ter sido mais. E, se não foi, a culpa é nossa. As últimas décadas trouxeram crescimento, autoestradas, e acesso a bens de consumo como nunca antes. Mas também deveriam ter trazido desenvolvimento, formação e qualificação humana, profissional e cultural. Aí, meus amigos, a falha foi nossa. Agora é mais do que justo que outros também tenham a sua oportunidade. Isto não é ser anti-patriótico. É ser honesto.
A Europa é um conceito, uma empresa, um projecto apaixonante. Mas nós temos vistas curtas. A única questão que nos afecta é: "vamos perder, ou ganhar?" "Vem mais guito, ou os gajos vão tirar-nos o guito?". (Só por causa disso, deviam tirar-nos o guito!)
Quanto ao espectáculo Cromo Sapiens, acho que já posso dizer que tenho uma estrutura. Só me falta ficar satisfeito com ela. A estreia é já na quinta feira, por isso é tempo de afinar pormenores. (Já me mentalizei de que o espectáculo vai ser permanentemente alterado e melhorado)
Amanhã vou ao "
Às 2 por 3" na SIC. Ainda não sei sobre o que é que vou falar, mas já estou por tudo.
Só mais uma coisa: É necessário levantar os convites na bilheteira. Não serve de nada telefonar para lá, que eles não aceitam reservas. Mais: Foram enviados muito mais convites, do que o nº de lugares da sala, por isso, se quiserem ir, é tratar dos bilhetes já. Não têm alternativas!
Claro que têm. Por acaso, até têm duas:
1. Ir mais tarde, na segunda ou na terceira semana de espectáculos (o que implica pagar bilhete, mas eu agradeço). Nesta opção, também já apanham o espectáculo mais rodado e com mais ritmo, o que é bom;
2. Não irem de todo, o que eu não recomendo.