Seja bem-vindo quem se vier por bem
Somos todos cromos
A começar por mim. Não só não fujo à regra, como sou o maior cromo de todos. A minha função, se é que tenho uma, é denunciar, apontar o dedo, tocar na ferida, remexê-la, dizer "O Rei vai nu!" e fazer-vos rir com isso. Não sou moralista, não sou nenhum Messias. Se o fosse, estava a ajudar as criancinhas de África, ou já me tinha tornado monge franciscano. É muito mais simples: sou o bobo da corte. Digo as alarvidades e toda a gente me perdoa (ou, inteligentemente, ignora). Já percebi que dificilmente vou ser processado. E também já percebi que sou (passe a imodéstia) necessário e útil. Cada vez mais precisamos da lucidez de olhar-nos ao espelho (individualmente e como sociedade) e sermos capazes de rir. De tudo e todos, a começar por nós próprios. É que, enquanto nos continuarmos a levar tão a sério, não vamos sair da cepa torta. Vamos continuar tão cromos como sempre (ou seja, cromos repetidos, nem sequer somos cromos difíceis)
O
espectáculo de hoje (ontem, para o caro leitor)
correu muito bem. Já nem olhei para a cábula com os tópicos e, por isso, decidi experimentar, a partir de amanhã, deixar de levar o papelito/cábula para o palco. Mais uma vez,
vou arriscar e abdicar da única rede que ainda tinha (apesar de ter sempre lá a Susana, a malta do bar e o próprio público). Mas vou tentar soltar-me ainda mais (isto ainda vai acabar em
strip integral...)
Casa praticamente cheia!
Óptimo ambiente!
Nota: a minha irmã, com a qual (ainda) não gozei no espectáculo, organizou uma expedição de espectadores entre amigos e colegas dela, o que aumentou a cumplicidade entre mim e a plateia. Foi também a oportunidade de rever amigos com quem não me cruzava há mais de 10 anos (como o tempo passa)!
A coisa está a correr bem... Sobre rodas, mesmo...
(E, ao que tudo indica, daqui a pouco tempo vão surgir interessantes novidades... São novidades boas, mas ainda não posso dizer mais nada)
"Ó para ele, armado em parvo a fazer caixinha!" Têm razão, podia nem ter dito nada. Se levantei a lebre, foi para vos aguçar o apetite... Mas há mesmo novidades no horizonte... E mais não digo...
Maturidade
O espectáculo Cromo Sapiens está a entrar numa fase muito interessante. A sessão de ontem foi uma boa demonstração disso mesmo: estou mais solto, mais descontraído e mais disponível, quer para estar atento ao público, quer para dialogar ou, pura e simplesmente, improvisar.
A Susana também está cada vez mais activa e criativa na sua forma de intervir. Cada vez há maior cumplicidade e inovação. Pela segunda vez, experimentou acompanhar-me ao piano: além de ser um toque de sofisticação, dá côr àquilo que eu estou a dizer. Também ali, há um diálogo, tipo
Jam Session. Também ela está a dominar com cada vez mais mestria as várias componentes do trabalho dela: os tempos, a improvisação, os discursos e os àpartes de "marido-mulher". Ela é, apesar de pautar pela sobriedade e discrição, um pilar absolutamente fundamental do "edifício". Basta um olhar entre nós para eu perceber o que é que ela está a querer dizer, seja "Acelera, dá-lhe ritmo" seja "Esqueceste-te de um tópico" seja o que for. É um privilégio brutal contar com ela. Dá-me paz, força e energia. Na realidade, o Cromo é um espectáculo a dois.
Já para não falar no João e na Isabel (sobre os quais nem vou falar, para não estragar a surpresa a quem ainda não viu).
Tivemos uma boa casa, com quase todas as mesas cheias. Muito boa, se tivermos em conta que era quinta feira.
Os meus pais, os irmãos da minha mulher e o meu sogro estavam lá, logo nas primeiras filas. Era impossível isso não se repercutir na minha postura. Também eles me deram força e ajudaram ao resultado final. E o público esteve muito bem. Concentrado e exigente. Às tantas, cada sessão é uma viagem sem destino certo, com alguns pontos de referência mas sempre com muitas paisagens novas para descobrir. Grande abraço para todos. Foi especial.
Miguel em Sensurround
Pois é. Por um dia, vou ter o dom da
ubiquidade. Quer dizer, não é bem ubiquidade, não vou estar em toda a parte, mas em dois sítios apenas. E num desses sítios não vou sequer estar presente, mas em gravação: Ok, não é ubiquidade.
Mas vou estar no
Cabaret da Coxa de hoje (lá para as 23.00).
E vou estar no
espectáculo hoje,
no Teatro da Trindade.
Conseguem ver-me ao mesmo tempo nos dois sítios? Ah, pois é...
Até já.
Painel de Informações
(informação para paineleiros)
A pedido de várias famílias (ou melhor: a pedido da minha família) vou voltar a colocar algumas informações úteis sobre o espectáculo Cromo Sapiens.
Está em cena até 29 de Maio (Sábado) - NÃO GUARDEM TUDO PARA A ÚLTIMA (está a esgotar)!
Os espectáculos são às
quintas, sextas e sábados, pelas
23.30.
É conveniente
ligar para a bilheteira (21 342 00 00) a fazer as reservas de bilhetes.
É
obrigatório levantar as reservas in loco (não é à maluca, é no local)
até 30m antes do início do espectáculo - senão eles vendem os bilhetes reservados. Também podem ser comprados no serviço ticketline e nalgumas lojas FNAC (Colombo, p.e.)
O
dia mais seguro para ir é a
quinta feira (mas mesmo assim não se garante que haja bilhetes)
Se chegarem mais cedo, a partir das 22.00 é possível entrarem no bar e ficarem por lá a beber (ou a jantar - come-se bem e barato!)
ATENÇÃO!
Não deixem tudo para a última hora!
Faltam seis espectáculos e não há qualquer previsão de que dê para prolongar a carreira do espectáculo.
Há a ideia de levar o espectáculo em digressão, mas ainda não está nada garantido.
"Vamos agora ouvir um bocadinho do humor do... Como é que te chamas, pá?"
Pois é. Há dias em que as coisas não correm bem. Nem é por tua culpa: é qualquer coisa que te transcende, alguém que falha, o tão temido azar ou a pura e simples incompetência.
Fui ao
Cabaret da Coxa, programa simpático e liberal, onde muita gente tem uma oportunidade de visibilidade: grandes actores,
jetset, músicos, bandas,
strippers, artistas pimba... E até eu!
Eu já sabia que não ia poder sentar-me no sofá e saborear calmamente a situação de uma entrevista, com direito a ouvir bocas porcas do papagaio. O alinhamento reservava-me uma curta actuação, bem como uma conversa informal com o Unas(tão informal que teria que ser de pé). Era isso (a exibir no programa da próxima quinta feira) ou, em alternativa, a possibilidade de entrar com calma (mas num programa a exibir depois do fim da carreira do espectáculo). A opção era simples. E nem tudo era mau: afinal, encerrar o programa significa que te dão importância (ou que estão a gozar contigo, como fazem com alguns grupos pimba - prefiro pensar que é a primeira coisa).
Fui. Antes, fui à minha velha Faculdade de Direito reunir com a Tertúlia (da qual já falei por alto em
posts anteriores). Tinha o tempo controlado quando saí da Faculdade... Teria! Teria, não fosse o facto de me ter esquecido da chave dentro do carro. "Susana! Tens que vir ter comigo! Traz a chave!"
Mesmo assim, tudo bem! Apesar de ter pouco tempo, se acelerasse, talvez desse para chegar (quase) a tempo...
Se não fosse pelo acidente que entupiu durante horas a A5!
Nervoso, sigo pela Marginal (a passo de caracol). Comunico com a produção e digo que estou atrasado. Afogueado, lá chego aos estúdios, desfazendo-me em desculpas.
"Não há problema! O programa atrasou! Quanto? Uma horita! Não mais... Há gente bem mais atrasada que tu."
Espero, claro... Já que vim até aqui. Tic-tac, tic-tac...
Preparo-me para apresentar o meu número (uma remistura de textos do espectáculo, colada a cuspo)... Subo ao palco... O Rui Unas diz qualquer coisa como: "E agora, um artista de
stand up, com um espectáculo em cena no... Ele... Onde é que está o papelinho? Onde é que...? A minha cábula? Bom, seja como for, peço uma salva de palmas para o... Como é que te chamas?"
Tinha duas alternativas: ou exigia a repetição de toda a segunda parte do programa, ou engolia em seco e aceitava humildemente o embaraço da situação. Talvez tenha feito mal. Talvez devesse ter reclamado que era profissional e que não podia fazer nada naquelas condições. Mas eu sou um tipo muito certinho, sabem? Engulo tudo. E disse: Miguel Barros. E disse: Cromo Sapiens. E disse: Teatro da Trindade, no bar... E fiz o meu número, sem piar.
O importante é que o número correu bem. Tal como foi bom ele ter dito e redito que era preciso tê-los no sítio para arriscar o que eu estava a fazer. E riu com vontade (tal como a plateia).
Nos dias que correm (e com o tipo de textos provocatórios que levo à tv) sacar umas gargalhadas às plateias é sinal que as coisas correram bem. Afinal, o meu humor é bom (assumo-o sem imodéstias e o público do Trindade concorda sem reservas) mas não é "pastilha elástica". Exige alguma dose de atenção e inteligência.
Na quinta à noite poderão formular uma opinião.
Abraços,
Ando um bocado desregulado
Não vão por aí. Não foi isso que eu quis dizer. Estou a falar de sonos. Hoje adormeci por volta das 18.00 (para dormir uma sestinha) e só acordei a esta hora (01.00). Acho que o cansaço acumulado dos últimos meses está a produzir efeitos.
Agora a dificuldade vai ser voltar a adormecer.
Quanto à ida ao Cabaret, ainda não sei bem o que é que vou levar. Será sempre qualquer coisa mais ou menos provocatória (é o programa de tv onde isso faz mais sentido em Portugal, aliás) mas não sei se será um tema genérico ou qualquer coisa mais política.
Quem quiser ir, não se acanhe. Dá mesmo para ter gente na assistência. Só não se esqueçam é de me mandar os emails (ou comentários) para marcarmos a ida conjunta.
Cabaret!
Amanhã, terça-feira, eu e a Susana vamos gravar ao
Cabaret da Coxa, na Sic Radical. Devido às questões lá deles, de alinhamento do programa, não vai haver entrevista, mas apenas a apresentação de um excerto do espectáculo.
Como eu sou muito bom tipo, perguntei-lhes logo se podia levar gente comigo à gravação, para ficarem na assistência. E eles disseram que sim! O que é que isto significa concretamente?
Significa que
estão todos convidados a aparecer. Vai ser nos estúdios da Valentim de Carvalho, em Paço d´Arcos amanhã à tarde. Quem quiser assistir em directo a um momento único de televisão pode fazê-lo e é muito simples:
Basta escrever para o meu mail cromático: cromoerectus@hotmail.com
(ou deixar aqui um comentário - em qualquer dos casos, eu depois respondo a dar mais pormenores)
Nota: o programa é gravado amanhã, mas só vai para o ar na quinta-feira.
PS: Olho para a televisão (TVI) e vejo imagens captadas a partir de helicóptero do cortejo fúnebre do Bruno Baião. Não tenham dúvidas: o interesse informativo destas imagens é zero. O objectivo de quem as transmite é apenas ter audiências, lucrar com a morte. Estou enojado.
Herman Soco
E lá fomos ao Herman.
O Herman Sic é dos poucos programas de televisão em que um convidado pode dizer o que lhe apetece. Daí termos preferido usar um texto duro e agressivo (sobre guerra, mentira e política) do que qualquer coisa mais imediata e risível. A ideia era marcar a diferença. E isso foi conseguido. O Herman (grande senhor, diga-se o que se quiser) foi cortez, afável e hospitaleiro. E percebeu rapidamente a lógica do "promoção-ao-contrário-este-é-o-pior espectáculo-do-mundo". Tal como me parece que respeitou a opção de apresentar algo que não servia para rir gratuitamente.
Já o excerto, surtiu o efeito soco-no-estômago-estás-a-pisar-o-risco que pretendíamos.
O público não riu muito. Mas também é verdade que só muito dificilmente riria do que estava a ser dito. Não deixa é de ser sintomático que tenham batido palmas imediatamente à minha frase "O nosso primeiro ministro é um caso patológico. Não tem culpa: é um mentiroso compulsivo". Sinais dos tempos que correm. Aquela plateia é um espelho do país: alegre por causa do Benfica, mas farta de ser aldrabada e desiludida com a classe política (esta falta de classe política, mais precisamente).
A malta pode ser ingénua, mas não é parva. Já toda a gente percebeu a lógica de manipulação que esteve por trás da guerra. Portugal não deveria ter nada a ver com esta guerra injusta no Iraque, que expôs o país, entre outras coisas, a atentados, e logo numa altura em que vamos estar tão "a jeito". Se a guerra não fosse injusta, se as nossas tropas lá tivessem motivos de orgulho, eu seria o primeiro a rejeitar o discurso do "Saiam de lá enquanto é tempo". Eu acho que devemos "sair de lá enquanto é tempo". Mas não é para salvarmos o pêlo. É para salvarmos a honra.
Última hora Herman SIC
Eu e a Susana vamos estar hoje à noite no Herman Sic. Além da curta entrevista da praxe, deverei apresentar um
excerto do espectáculo (curto, mas intenso...). Gostava que vissem e que dessem a vossa opinião.
Estou 100 palavras
100? Estou 1000 palavras! Palavras não faltaram.
O espectáculo de hoje (sábado) esgotou completamente a sala. E não havia uma única pessoa com convite!
Como é que correu? Foi irrepetível!
Foi extraordinário, para o bem e para o mal.
Para o bem: Soltei-me como nunca antes tinha feito; Diverti-me; improvisei mais do que nunca (o espectáculo teve duas horas, para terem ideia);
Para o mal: Larguei completamente a estrutura, avacalhei a sequência, tive brancas como nunca antes (em quantidade e duração). Tive larguíssimos momentos em que me deixei ir à deriva, navegando sem instrumentos, esperando para ver onde é que aquilo ia parar. O ritmo, às tantas, tal como a eficácia tornaram-se secundários. Estávamos todos a deixar-nos contagiar. Todos na expectativa.
Para dar um cheirinho do ambiente vivido, a Susana foi tocar piano durante o espectáculo... Há coisas que não dá para pôr em palavras.
Posso apenas dizer que foi uma orgia de loucura/gargalhadas/irresponsabilidade e reflexão colectivas. Fomos todos uma cambada de Cromos!
Só lá faltou um cromo. Tu. A gente vê-se na quinta feira? Então, é reservar já, antes que esgote.