Seja bem-vindo quem se vier por bem
Rock, Futebol e Fátima
ROCK
Eu, a Susana e um grupo de amigos fomos ao Festival
Super Bock Super Rock (Que poderia perfeitamente ter um nome mais simples e curto, como Super Reboque, ou Super Broca.
O cartaz do último dia era espectacular (ao contrário do programa pimba e comercialão do Rock in Rio). No Super Bock oferecia-se Massive Attack, Lenny Kravitz, Fatboy Slim e... os inimitáveis Pixies.
Os
Pixies foram uma banda fora deste Mundo. Pujantes, criativos e brilhantes numa mistura alucinada e única de Punk e Rock, constituiram um fenómeno de rara genialidade. E já não vinham a Portugal desde 1991. Como a banda se desfez entretanto, a notícia de que se tinha voltado a juntar (falta de massa, provavelmente) soube que nem ginjas aos muitos milhares de fãs deste projecto de culto. E fomos! Claro que fomos! Sabiamos lá quando (e se) voltaríamos a ter a oportunidade de estar a apenas 200 metros do Black Francis, da Kim Deel e do Joey Santiago, a vê-los por um fantástico ecrã gigante! Não desiludiram. A garra, a melodia e a deliciosa violência das fadas ("Pixies" significa fadas) deixaram a plateia deliciada e de barriguinha cheia (mas com vontade de repetir). Só pelos Pixies, já valia a pena ter ido ao Super Rock. E ainda bem, porque o resto foi uma merda: O Lenny Kravitz fartou-se de namorar as adolescentes portuguesas mais hormonais, com o uso despudorado dos clichés mais mal amanhados, do tipo: "
It´s the second time I´m here in Lisboa. I´m thinking of moving in..." ou "We have a love affair (ele e os portugueses, leia-se"). Namorar, lá namorou. Cantar é que... pouco e mal. Além do mais, conseguiu esticar as músicas até ao enjoo, com solos despropositados e monótonos. Uma seca. Os Massive Attack também foram um tiro ao lado, usando um alinhamento que parecia ter como objectivo afastar as pessoas. Para cúmulo, uma das principais vocalistas estava afónica...
Mas
os Pixies valeram por tudo o resto.
Até fizeram esquecer a desorganização daquela porcaria de Festival. Era preciso esperar literalmente horas para conseguir uma cerveja, um maço de tabaco, uma água, tudo! Pouquíssimos pontos de venda, todos eles desorganizados e incompetentemente geridos.
O Super Bock pareceu uma festa amadora, em que tudo faltava, das casas de banho, à qualidade na concepção do espaço. Ou então, sou eu que estou a ficar velho, não sei.
Já agora,
alguém me explica por que é que somos, como público, tão estupidamente infantis que quase temos um orgasmo quando um músico estrangeiro se digna a dizer "Obrigado!"? Dizer "obrigado" não significa que eles amem o nosso país mais que o deles. Não implica estarem cheios de vontade de mudarem a nacionalidade para portuguesa (excepto o Lenny Kravitz que deve pensar em mudar de nacionalidade todas as semanas, sempre que vai a um novo país).
outra pergunta:
Por que raio as plateias adoram gritar, durante concertos de Rock: "Portugal! Portugal!" É alegria de sermos portugueses? É reflexo pavloviano (o músico diz: "Obrigado" ou "Boa noite" e isso enche-nos de orgulho e desatamos aos berros patrióticos por acharmos que, se o estrangeiro se presta a decorar duas palavras em português, então isso já é motivo de orgulho para a nação.
FUTEBOL
É hoje... Vamos lá a ver como é que nos saímos com a Grécia. Torço para que ganhemos, mas se isso não acontecer, talvez não corte imediatamente os pulsos. Apesar de nem toda a gente estar de acordo, penso que há vida para além do futebol.
FÁTIMA
A menção a Fátima está aqui só pela provocação. Pareceu-me bem. Mas há uma ligação possível: Afinal, ir a mega-concertos-carneirada na expectativa de ser tratado com humanidade, ou torcer por Portugal no futebol é quase a mesma coisa: uma questão de fé.
Eu também tenho fé em Portugal. Tenho fé que um dia seremos capazes de algo mais ambicioso ainda que ganhar o Euro. ("O que é que pode ser mais difícil do que ganharmos aos outros todos?" pergunta o atónito leitor) É ganhar a nós mesmos, acreditar nas nossas capacidades, eliminar o pessimismo bacoco que nos está na massa do sangue, pensar as coisas com visão de conjunto, ambição, ser profissional, rigoroso, exigente. Criar um país diferente, mais culto, civilizado, mais justo e socialmente equilibrado. É erradicar os 200.000 de portugueses que passam fome (não é matá-los a eles, é erradicar a fome!). Isso, sim, é que é uma fezada que eu tenho! Por mais pontapés nos tomates que a vida me dê, continuo a achar que podemos ganhar Portugal. Ter fé em Portugal, é ter fé nos portugueses. Ter fé no ser humano.
Mas deixemo-nos de merdas. O que importa é que eles ganhem o jogo contra a Grécia.
Boa sorte, Portugal!
Já dizia o Pessoa: "Senhor, falta cumprir Portugal!" E o Eça: "O importante é que eles ganhem aos gregos por três secos ainda na primeira parte! Depois é só ir gerindo o jogo e apostar no contra ataque".
Bandeirada
Os símbolos nacionais, designadamente o hino, a bandeira e os órgãos de soberania não são e nunca foram valorizados em Portugal. O português habituou-se ao
cliché do "nada funciona neste país!" e desenvolveu um profundo desprezo pela pátria. Como Nação, Portugal não tem auto-estima, ambição ou visão de futuro. "Glória em Portugal? Só no passado..."
Esta atitude não é saudável. Provoca desinteresse, egoísmo, abstenção e pessimismo crónicos. Além disso, faz-nos perder o amor quer às coisas fundamentais, que colectivamente conquistámos, como a Liberdade e a Democracia, quer aos valores intemporais, como a cultura, a história, a língua ou o património.
Estamos cada vez mais indiferentes e apáticos, e isso é deveras preocupante.
Nos últimos tempos, a propósito do Euro 2004, tem surgido em força o apego à bandeira, o amor à pátria, e a ambição colectiva. De repente, bastou o Figo e o seleccionador (brasileiro) apelarem ao uso desse ícone, para o lema "
Uma bandeira em cada carro, uma bandeira em cada janela" se tornar mote nacional.
Mas está-se a começar a casa pelo telhado. Estamos a dar importância ao acessório, ao folclore, e a borrifar-nos para o fundamental: o significado profundo da bandeira e, se quisermos ir mais longe, a importância de se viver Portugal de forma saudável e exigente.
Vamos, desde já, esclarecer isto: eu amo o meu país, mesmo com todos os defeitos e imperfeições que lhe critico (e obviamente também quero que Portugal vá o mais longe possível no campeonato) mas odeio a alienação e a estupidez. E estamos a cair em ambas. A bandeira não simboliza: "Vamos ganhar campeonatos de futebol". É ligeiramente mais profunda que isso. Representa Portugal como República e, em menor escala, a Democracia. Representa, ainda, a nossa História. É das poucas bandeiras da Europa com elementos desenhados, gráficos (a esfera, os castelos, as quinas, etc..) e, só por isso, já é um objecto pitoresco e fora do comum. Mas nunca, como recentemente, vi a ostentação da bandeira como algo socialmente aceitável.
Até há meia dúzia de semanas...
P: Quem é que tinha a bandeira no
tabelier, à janela, ou à porta de casa?
R: Só os camionistas e alguns "Cromos" que viviam em bairros de barracas.
O uso da bandeira era piroso, apenas explicável pela saudade (que afectava os camionistas no estrangeiro) ou pela excentricidade castiça dos mais desfavorecidos.
Esta explosão recente do uso da bandeira é um fenómeno interessante.
Pensemos nisso:
qual é a motivação de colocar a bandeira à janela ou no carro?
Será
informativa? Para informar os estrangeiros de que estão em Portugal? Não me parece. Acho que eles já sabem isso.
Será
intimidatória, como se disséssemos em uníssono: "Cuidado connosco! Olhem que nós apoiamos a nossa selecção?" Também não parece. Estranho seria se apoiássemos outra selecção que não a nossa, portanto isso não intimida ninguém.
Será
para influenciar os resultados? Para criar uma onda de vitória, uma energia colectiva que aumente as hipóteses da selecção? Para pressionar os árbitros com o factor casa?
Talvez, mas isso são más notícias. Isso significaria que somos ignorantes: o jogo ganha-se no campo. As superstições não ajudam em nada. Alhos e galinhas pretas não valem golos: nas equipas, ou há talento e técnica, ou há derrotas (como se viu, aliás, no último Mundial).
Será uma manifestação de
orgulho nacional?
Talvez. Mas isso também não são boas notícias.
Assim, de repente, qual é a nação cujo povo mais orgulho tem em exibir a bandeira? Exactamente, os EUA. Nos Estados Unidos, a bandeira é um ícone permanente. Mas aí, o mecanismo patrioteiro não é uma moda. É estruturante. Funciona sempre.
Tenho uma coisa horrível para dizer, mas alguém tem que o fazer.
Mesmo que a gente acredite muito, mesmo que o país torça todo para o mesmo lado, mesmo que a nossa equipa jogue bem...
Talvez Portugal não ganhe o Euro. (Desculpem lá! Até me senti mal em dizer isto)
Sabem porquê? Porque há outras selecções, também apostadas em ganhar (e com gente, na lá na terra, a torcer por elas). Não vamos estar a jogar sozinhos.
Outra má notícia (hoje estou mauzinho, não acham)?
Mesmo que ganhemos o Euro, isso não muda o nosso país. Não é a bola que nos vai tornar mais cultos, mais ricos, mais organizados, ou mais ambiciosos. Quanto muito pode tornar-nos um pouco mais felizes... Mas é tudo. Não nos expande a inteligência, o talento ou o salário. E muito menos o pénis.
Outra má notícia (Vai-te embora, malandro, só sabes dizer mal!):
A recuperação económica de Portugal, o fim da crise, a prosperidade não estão nas mãos de Scolari. Como Durão Barroso muito bem disse, isso é tarefa para o Governo (Não preciso de explicar por que é que isto são más notícias, pois não?)
Outra má notícia:
Se os nossos jogadores se esforçarem muito, muito, muito... Se derem tudo!... Mas não chegarem, sequer, às meias finais... o que é que vai acontecer? O que é que lhes vamos chamar? Exacto: vão voltar a ser umas bestas quadradas que ganham demais, que não honram a pátria, que só fazem publicidade (aquelas coisas que sempre lhes chamámos). Não saberemos perdoar um fracasso, mesmo que eles dêm o seu melhor. Isso mostra que os mesquinhos, aqui, somos nós. Isso revela falta de desportivismo, falta de humanidade e falta de grandeza.
Para terminar:
Tanta bandeira que há para aí...
Ao contrário das dos americanos, as nossas bandeiras perdem o sentido de oportunidade quando o Euro acabar. Os nossos "amuletos verdes e vermelhos" voltarão a ser pirosos quando o campeonato acabar, sobretudo se nós não ganharmos. O que é que se faz àquela bandeirada toda? Vai voltar a ser embaraçoso ostentar a bandeira à janela, certo?!
Onde é que os portugueses poderão enfiar todas aquelas bandeiras?
A mim, ocorre-me um sítio.
Nova Vaga Cromática
Parece que
o Cromo Sapiens é mesmo um espectáculo à prova de bala. Mexo-lhe, altero-o, corto coisas, acrescento outras, estico a corda, passo os limites... E não é que funciona sempre?
O espectáculo de hoje (e os que se lhe seguirão também) foi realmente diferente. Apenas para dar uma ideia, teve duas horas e vinte e sete minutos de duração! Queria experimentar coisas, assumi perante o público, que eles iriam ser, de certa forma, cobaias, dei-me ao luxo de improvisar variadíssimas vezes... E, no fim, as pessoas disseram que nem tinham sentido o tempo a passar.
Agora que tive a oportunidade de experimentar, o objectivo passa a ser é seleccionar, aperfeiçoar, sintetizar e outros verbos acabados em "ar".
Toda a gente cresceu.
A
Susana é cada vez mais fundamental para a dinâmica do espectáculo. O João e a Isabel (o casal
Benetton) estão cada vez mais divertidos e o público esteve muito bem!
Tinha algum receio de ter pouca gente. Com a ponte, a campanha eleitoral, a bola e a falta de divulgação isso seria o mais provável. Mas a verdade é que a sala, não tendo estado cheia, dava a ideia oposta.
O princípio do espectáculo foi estranho (eu estava nervoso e o público parecia cauteloso, a "estudar-me") e houve pouca expansividade nas reacções das pessoas. Mas ao cabo de uns minutos iniciais de grande ansiedade, a calma e a cumplicidade acabaram por instalar-se. Daí em diante, foi sempre a subir! Obrigado a todos os que vieram (especialmente à malta da Tertúlia - com quem não deu para falar no fim, mas que merecem um grande, fraterno e confrade abraço)
O Professor Sousa Franco morreu. Chocou tudo e todos. Alguns de vocês devem ter reparado que coloquei no site duas piadas sobre ele. Devo dizer que a actualização do site (no início da semana) foi obviamente feita antes dos acontecimentos de hoje. Devo acrescentar que, se fosse hoje, não poria piadas sobre o senhor.
Mas também quero
deixar isto claro: não vou retirar as piadas. Não é bonito não assumir as coisas que se dizem só porque fica bem, ou mal. E não contem comigo para oportunismos desse tipo.
Uma coisa que me fez confusão foi assistir aos discursos "emocionados" de muita gente (designadamente dos opositores de Sousa Franco). Muitos daqueles que o maltrataram nos últimos dias, agora dizem que ele era o maior. Essa onda é perfeitamente hipócrita e falsa. As pessoas não mudam de opinião de um dia para o outro.
Vão decretar o
luto nacional? Pelo suposto "Pai do déficit"?
Ou há ali desonestidade, ou sou eu que ando a ver mal as coisas. Cá para mim, Portugal só sabe respeitar os mortos. Os vivos podem ser humilhados, ofendidos, maltradados. Isso é visto como sendo normal. Mas quando alguém morre, chovem os elogios! (Na realidade, já se pode elogiar o rival porque, uma vez morto, já não chateia nem constitui ameaça)
Eu fui aluno do Professor Sousa Franco, que me deu Finanças Públicas na Faculdade de Direito de Lisboa. Ele não era uma pessoa fácil, tinha um feitio complicado e era muito exigente. Mas foi dos tipos mais honestos e rectos que apanhei naquela casa.
As piadas do site estão escritas. E ficam. Essas piadas são a minha
homenagem ao velho mestre e professor. Penso que ele estaria de acordo comigo, afinal, sempre dispensou os paternalismos e a falsidade.
Duas rapidinhas de seguida!
(Não é para qualquer um!)
Primeira rapidinha:
Tal como havia falado ontem, o site foi alvo de uma remodelação bastante profunda.
Está praticamente limpo de publicidade indesejada (no iníciozinho aparece uma janela, mas basta fechá-la que ela já não chateia mais) e mais "
user friendly". Não sei o que é que isso significa, mas soa muito bem.
Quanto aos conteúdos:
Quase todas as páginas têm informação nova, textos novos e piadas novas. Vale a pena passearem pelo site como se fosse a primeira vez.
Introduzi uma secção nova, a "Secas" para piadas com pouca piada, da minha autoria.
Estou a recolher material para uma futura secção de boas piadas (que será composta por textos que vocês me mandarem: se possível, vossos).
O Tiago Cascais também aumentou o tamanho do seu cantinho. Vale a pena ler até ao fim, o material mais recente está no fim da página.
Estão convidados a darem lá um saltinho.
Segunda rapidinha
A partir do dia 28, vou apresentar uma variação do espectáculo
Cromo Sapiens em Lisboa. Neste caso, estaremos a falar de uma nova versão, num ambiente diferente, e com uma estrutura também ela diferente: Vou fazer actuações, todas as segundas feiras, num Restaurante de comida mediterrânica chamado
Fio d´Azeite, que fica em Telheiras. Os espectáculos terão lugar às 22.30 (à hora do café, portanto) numa sala pequena (e íntima) com capacidade para apenas 22 pessoas. Vou estar mais perto das pessoas, ser (ainda) mais inter-activo e reformular a estrutura toda... Mais tarde, falarei disso em pormenor.
Entretanto, se quiserem fazer reservas, já podem fazê-lo: liguem para o nº 21 754 06 50. A ideia é mesmo jantar no local (come-se muito bem) e ficar, calmamente, para ouvir as maluquices do Cromo, com um digestivo à frente, noite dentro...
NOTA 1: Na prática, estamos a falar de espectáculos quase totalmente diferentes. Sou suspeito, já sei, para dizer isto, mas recomendo que vão ver ao Trindade (primeiro) e que, depois, complementem com a versão Fio d´Azeite (em jeito de sobremesa).
NOTA 2: Ainda há mais um texto novo (de quarta) a seguir a este. Como estou em pânico com o espectáculo de logo, deu-me para escrever muito aqui no Blog. É a chamada "fuga para a frente".
É hoje!
Tic-tac... Tic-tac... Tique-traque!
O tempo não parou e eis-me chegado a esta complexa situação: tenho hoje espectáculo (numa nova versão) e sinto-me quase tão impreparado para o que vou fazer logo à noite, como me senti no dia 6, em que estreei Cromo Sapiens! Se tudo correr bem e os deuses das artes estiverem comigo, todo este processo é um bom prenúncio... Vou improvisar, soltar-me, ser fluído e dinâmico... Cativante!
Claro que, se tudo correr mal...
Mas não há-de correr. Nestas coisas da
stand up verdade seja dita,é impossível (e indesejável) fazer ensaios demasiado rigorosos, ou fixar um texto milimetricamente. Isto não é um monólogo teatral, logo deseja-se espontaneadade, certo? O importante é ter alguma coisa a transmitir, e isso continuo a ter (acho eu).
Se quiserem assistir hoje, podem fazê-lo (até costumam ser espectáculos especiais, as estreias, na medida em que se sente a tensão e a ausência de rede do "artista").
Para que conste: É às 22.30, no Bar do Teatro da Trindade. Estão convidados!
Até já...
Por favor: continuem a divulgar. Lembrem-se que só haverá este e mais quatro espectáculos em Lisboa. Não se recomenda nada deixarem as coisas para a última!
Onde é que eu ando com a cabeça?
Não é essa que vocês estão a pensar, cambada de tarados...
Ando de cabeça perdida porque tenho mil e quarenta e três coisas para fazer, seiscentas e trinta e nove ideias para o espectáculo... E ainda não tenho o alinhamento definitivo feito! Como tenho todo o tempo de mundo... Decidi pôr-me a refrescar o meu site (tarefa mui nobre, certamente, mas talvez não completamente prioritária) até às cinco da manhã!
A propósito, não vale a pena irem lá ao site... As coisas ainda não estão actualizadas...
E o espectáculo, malta? Não basta improvisar!
Acho que estou a começar a ficar um bocadinho nervoso. Concentra-te, Miguel! Concentra-te!
Espalhai a "Boa Nova"!
O Cromo vai voltar. Isso vocês já sabem. Vai ser às quartas feiras (designadamente nos dias 9, 16 e 30 de Junho e nos dias 14 e 21 de Julho): Isso vocês também sabem. Os espectáculos continuam no bar do teatro da Trindade, mas serão às 22.30.
Tudo isto vocês já sabem. "Então, por que é que estás a repetir a informação? Julgas que não temos melhores blogues para ler?"
A razão é muito simples: vocês sabem tudo isto,
mas há muita gente que não sabe!
Os cartazes (que diziam que o Cromo terminava a 29 de Maio) já estão a desaparecer das ruas, tapados por outros cartazes. Os postais já praticamente desapareceram dos bares (foram muito procurados)...
Assim, só vocês, leitores privilegiados deste blog é que sabem das últimas!
Pensem bem: quantas pessoas não haverá, por aí, cabisbaixas, lacrimejantes, aos caídos, pensando que nunca mais poderão ver o Cromo? Ou rever?
Façam a boa acção do dia. Fiquem de bem com a vossa consciência. Ganhem um pedacinho de Céu...
Divulguem Cromo Sapiens junto dos vossos amigos. Mandem emails, telefonem às pessoas, organizem grupos, convidem toda a gente... o amigo, o vizinho, colega, o parente, o arrumador, o cão... até o patrão, por que não?!
Espalhai a boa nova!
PS: O post que se segue, por razões óbvias, não foi escrito por mim (apenas o comentário final). Não costumo fazer isto no blog (usar material que não é meu) mas, neste pareceu-me irresistível abrir uma excepção. Vá... Desça o olhar que vale a pena:
Adivinhem quem disse esta...
"A
revolução não é um estado de coisas permanente e não podemos permitir-lhe que assim queira caminhar. A corrente da revolução desencadeada deve ser conduzida pelo canal da
evolução."
E então? Quem dá ideias?
Durão Barroso? Paulo Portas? Morais Sarmento?
Não, Adolf Hitler, na Chancelaria do Reich em 6 de Julho de 1933
É o problema das palavras que dizemos. Não só mostram o nosso verdadeiro "eu" como, nalguns casos, nem são originais - pagam direitos de autor.
A angústia da folha em branco
Quando se pensa nas dificuldades de quem escreve, seja romances, teatro, ou outra qualquer forma de ficção, é comum falar-se na chamada angústia da folha em branco, ou no "bloqueio de autor".
Isto porque temos tendência a achar que só se deve escrever se tivermos algo importante para dizer e, simultaneamente, um impulso incontrolável para fazê-lo, que é como quem diz: devemos esperar pela inspiração.
Eu não concordo. Não acho que se deva esperar pela inspiração. A escrita depende disso, mas também de outras coisas. A escrita é uma actividade artística, mas também é uma profissão técnica. É por isso que um texto, antes de ser considerado pronto, deve ser sujeito a várias revisões. É por isso que todas as obras primas obedecem sempre a alguma forma de estrutura. Sem um trabalho prévio (eventualmente lento e penoso) de estruturação de um texto, a mera inspiração leva à escrita narcisista de ideias disconexas, sem real interesse para o destinatário: o leitor ou o espectador.
A que propósito é que isto vem à baila?
Vem a propósito do facto de ainda não ter pronta a nova versão do Cromo Sapiens. Estou a rever o Cromo Sapiens. Estou a realinhar os tópicos, a deitar fora algum material e a aperfeiçoar o que sobrevive à "purga". Quero que o Cromo seja mais curto, tenha mais ritmo, mais eficácia, mais humor.
Já disse que o espectáculo Cromo Sapiens resultou. E muitíssimo bem. Mas encostar-me ao sucesso que já tive, achar que não é possível, ou que não vale a pena, aperfeiçoá-lo era a pior atitude que eu podia ter. Porque, ao fim e ao cabo, o Cromo é uma obra permanentemente inacabada, que deve ser diferente a cada dia em que é apresentado. Manda a minha (pouca) humildade que procure melhorar (neste caso, "piorar") constantemente o trabalho. Pelo espectáculo, por mim e, sobretudo, pelo público.
Volto ao início: não estou com bloqueio de autor. Tenho uma imensidão de coisas para dizer, e um conjunto de temas a "atacar". Mas ainda não escrevi uma única linha, desde o dia 29 (último espectáculo).
Porquê? As razões são várias. Desde logo, o cansaço com que eu estava. Não era possível desatar a escrever mais e melhores coisas no imediato (aliás, nem sequer era prudente, porque corria o risco de estar a escrever grandes bostas, sem sequer me dar disso conta).
Depois, pareceu-me sensato deixar instalar-se algum distanciamento, antes de retomar a escrita. Só assim poderia (poderei) olhar para o espectáculo com a serenidade e auto-crítica que o processo exige.
Por falar em auto-crítica, a preguiça também pode ter tido o seu papel (ó p´ra mim, a fazer um mea culpa)!
Mas não foi só isso. A culpa também é sua, caro leitor! Sua, caro espectador!
Que é das ideias sobre Deus e sobre Aborto? Que é delas, hum? Hum?
Eu sei que são temas delicados (da única vez em que explorei temas religiosos (Deus e Fátima, no dia 13 de Maio, a reacção ao público foi estranha: riam, mas estavam desconfortáveis). E também sei que não é fácil encontrar humor sobre o assunto.
Nada está perdido!
Eu não preciso, necessariamente, de
piadas sobre estes dois temas, malta! Se me enviarem reflexões, ideias, coisas caricatas, etc.. O que quer que seja sobre estes temas pode ajudar-me a encontrar o que preciso. Partilhem comigo as vossas ideias sobre estes e outros temas. Ajudem a tornar o Cromo um espectáculo inter-activo! Estou à vossa espera!
De qualquer forma, não pensem que o processo de trabalho está a sair do controlo. Está tudo em marcha, não há nervosismo, nem ansiedade. Está tudo a andar... Sobre rodas... Tudo tranquilo... Na boa! Temos tempo! Não? Quando é que é?
Meu Deus! É já na próxima quarta? Porra! Já?! Ainda não tenho nada escrito! Ai, ai, ai!
Alguém me ajude! Estou f*****!
PS: Fora de brincadeiras, cá espero os vossos "
inputs".
PS 2: Não seria justo não fazer uma referência aos vários mails que, entretanto, já recebi. Foram muito úteis. A todos, o meu muito obrigado!