Seja bem-vindo quem se vier por bem
Duas breves sugestões
Eu e a Susana vimos hoje um filme (em DVD) que tinha um conjunto de características únicas (vejam lá se adivinham qual é):
- violento até à décima casa (e gratuito nessa violência);
- cheio de lugares comuns, com um argumento que copiava milhares de coisas já feitas;
- kitch, exagerado, previsível e inconsequente.
(Adivinharam? Não? Aí vai mais uma pista:)
- é um filme do Quentin Tarantino e é absolutamente delicioso e imperdível.
Agora já perceberam?
Exacto, estou a falar de "O Sentido da Vida" dos Monty Python.
Estava a brincar. O filme chama-se "Kill Bill" é recomendo-o vivamente.
Segunda breve sugestão:
Se há coisa que dói é ver que um espectáculo com qualidade não está a ser um sucesso em termos de público. Os bons espectáculos devem ser premiados com a afluência das pessoas, tal como as pessoas que vão ao teatro devem ser premiadas, sentindo o prazer de ver bons espectáculos. É uma troca mais do que justa. E rara, num país em que tantos criadores e agentes culturais apenas desenvolvem projectos de masturbação intelectual.
Neste caso, não. Trata-se de um espectáculo que respeita profundamente o público, que é feito para o público, acessível, mas inteligente, diversificado e bonito, interpretado por um actor cheio de talento que está, infelizmente, a ser vítima do fenómeno Euro 2004, mas cujo trabalho merece mesmo ser visto.
Estou a falar do "
Quem Escorrega Também Cai", do Bruno Schiappa, que está em cena no Teatro Bar do Trindade, às quintas, sextas e sábados, pelas 23.30, até dia 26 de Junho. Não vão dar o tempo por mal empregue se seguirem a minha sugestão.
Vá lá. É aproveitar. Não deixem tudo para a última.
Olha, querem mais uma sugestão? Por que não irem já hoje?
Coisas simples
Por vezes, as coisas mais importantes são também as mais simples. Hoje tive um dia simples e sinto-me cheio por isso. Passei boa parte do dia com a minha mulher, a minha filha e a família de ambos. O dia ainda deu tempo para estar com amigos, beber uns copos (com moderação) e vegetar no relvado de Belém, olhando para a piolha, que já começa a dar os primeiros passos.
Nos próximos dias , vou introduzir um novo tema neste blog: a
Fábrica de Peças, a companhia de Teatro que formei há já uns anos com os actores Pedro Górgia e João Ricardo e que vai começar a desenvolver algum trabalho na área do social.
Viva o Rui Costa!
É extraordinário. Os portugueses são mesmo inconstantes. Os mesmos que diziam que ele não tinha nada que jogar, são os que agora mais elogiam a "estalada de luva branca" que foi o golo que ele marcou contra a Rússia.
Somos rápidos a esquecer. Memória curta... O Rui Costa passou de bestial a besta e de novo a bestial... em apenas uma semana! É notável.
Estou feliz por Portugal e (apesar de termos tido uma exibição algo insegura)é bom voltarmos a depender apenas de nós mesmos, é bom sentir que somos tão capazes como os outros. Mas cuidado, malta! Já estou a ver muita gente a embandeirar em arco! Vamos ver se a lição de humildade da Grécia nos serviu para alguma coisa... Um passo de cada vez!
Cromices.
Tendo em conta que ontem foi dia de jogo (e que jogo!) não me posso, de todo, queixar. Tive bastante gente na plateia e a onda esteve boa. Eu é que não estive brilhante: longe disso (também não foi nenhuma catástrofe, correu bem!)
O que se passa é que, uma vez que o espectáculo está constantemente a ser revisto, acrescentado, cortado, remisturado, etc.. de cada vez que mudo coisas, é preciso readaptar-me, afinar os tempos e voltar, num certo sentido, à estaca zero (e tento fazê-lo de forma humilde, consciente que nunca estará perfeito).
A partir de amanhã, vou recomeçar a análise/aperfeiçoamento dos segmentos novos do espectáculo (cujas insuficiências de ritmo ainda me deixam insatisfeito).
A partir de amanhã?
Népia!
Amanhã (quinta) não faço um boi. Sabem porquê? Porque é um dia especial. Muito especial: A minha filha Maria faz um ano! Estamos os três de parabéns! (Sobretudo ela, a aniversariante, como é óbvio). É extraordinário o que ela cresceu e aprendeu. E é incrível como este ano passou a correr. Eu e a Susana mal demos pelo tempo a passar, para verem o gozo que nos está a dar ser pais.
Parabéns, amor!
Não é para me gabar, mas a minha filha é mesmo especial. Então não é que já consegue ler as coisas que escrevo aqui no blog? E dá opiniões exigentes e construtivas sobre os textos! No outro dia, sugeriu-me o uso de um vocabulário mais simples e universal, de modo a ser mais facilmente perceptível por um leque mais variado de gente. Pelo menos, foi o que percebi das palavras dela. (ou era isso que ela queria dizer, ou bolsou mesmo para cima do teclado, não tenho a certeza)
A conta que Deus fez...
Já ninguém tem os três.
É natural, é a conta que só Deus fez.
Mesmo assim, aqui vão reflexões três.
Uma de cada vez.
Vocês sabem quem as fez.
reflexão 1.
Não é uma reflexão. É uma informação:
Hoje, quarta feira,
há espectáculo Cromo Sapiens. E dá na tv o
jogo de Portugal mais importante dos últimos quatro anos. Eu sei que o Cromo Sapiens é mais importante que tudo o resto - nem se compara - mas é só para dizer o seguinte:
não se preocupem. Os horários das duas coisas são compatíveis. Se quiserem ir ver o Cromo não têm que perder o jogo da selecção. O espectáculo é só às 22.30 (e talvez atrase um bocadinho, por isso podem ver o jogo, que eu deixo)
reflexão 2
Também não é uma reflexão. É um apelo. Recebi há dias um mail muito interessante em que se falava num filme cujo título tinha sido mal traduzido/adaptado para a versão portuguesa. Este é um tema que me inquieta e seduz há muito tempo e lembro-me de várias péssimas traduções de títulos de filmes. Mas não tenho um levantamento científico dessa
arte de mal traduzir. Assim, eu que ando sempre à procura das piores coisas do mundo, peço-vos que puxem pelas cabeças...
Correcção: Peço-vos que puxem pela cabeça e que mandem exemplos de filmes mal traduzidos. Se reunir um nº interessante de filmes, pego nisso para o espectáculo. Muito obrigado pela vossa atenção.
reflexão 3
Exacto, adivinharam: também não é uma reflexão. É mais uma indignação. Então não é que o Cristo-Rei é português? Andavam vocês, seus tontos incultos, a pensar que o Messias era judeu, quando acidentalmente descobri que o Tal, afinal, é lusitano, bebe minis e adora caracóis.
Foi na esplanada de um muitíssimo simpático restaurante (Passe a publicidade, é o Páteo Alfacinha, na Ajuda - recomendo a todos, sobretudo agora, com este tempo quente) com a senhora minha esposa quando vejo, lá na outra margem, imponente e sereno, Jesus Cristo (a estátua) iluminado com o verde e rubro nacionais.
Ele olhava para nós, sorridente, com o inequívoco pedestal bicolor como se dissesse: "Também eu torço por Portugal! Viva os Tugas! Quem não salta é estrangeiro, olé, olé! (espera aí que eu tenho pés de barro e não salto) Quem não é português é Anti-Cristo, Olé, olé!"
Pois...
Se calhar, a merda da ideiazita da bandeirinha já foi longe demais, não acham?
Cristo não era português. Cristo não é património da Igreja Católica Portuguesa, nem é património de nenhuma igreja, já que se fala nisso. É verdade que não chegaram ao extremo de lhe porem um mega-cachecol aos ombros, nem um carapuço, nem um chapéu com corninhos, nem o equipamento nacional. Não lhe puseram uma bola em cada mão. Também não lhe puseram uma fita no cabelo, nem um daqueles adesivos no nariz.
Mas é como se tivessem posto. Mais grave: a hierarquia da Igreja autorizou, de certeza (se é que não promoveu) a acção de iluminarmos o JC com as cores da bandeira.
Além do péssimo gosto da iniciativa, há aqui uma enorme irresponsabilidade e uma deturpação profunda da mensagem universalista de Cristo, já para não dizer que é uma apropriação nojenta de um símbolo que devia ser respeitado (pelo menos, pelos cristãos - não sei, isto digo eu que sou agnóstico).
Vamos lá a ver se nos entendemos de uma vez por todas!
Eu quero que Portugal ganhe tudo! OK?
E estou-me borrifando para o patrioteirismo futebolístico dos nossos padres. Por mim, podem pintar as igrejas de verde e vermelho, podem deitar fora as cruzes que têm ao peito e substituí-las pela cara do Kinas, podem fazer jogos de roda-bota-fora dentro das igrejas se lhes apetecer. Se quiserem, até podem enfiar um galhardete na peida, o problema é deles!
Mas o que fizeram ao Cristo-Rei é uma demonstração do quão primários, bimbos, mesquinhos e oportunistas os portugueses conseguem ser.
E isso dói.
Não me levem a sério. É que, às vezes, confundo o país que quero, com o país que tenho. O que é que eu hei-de fazer?
Ir ao "castingo"
Há uma realidade que a maior parte das pessoas desconhece, mas que é familiar e rotineira para os profissionais do espectáculo: o
casting.
Quantas entrevistas de emprego é que uma pessoa comum faz, ao longo da vida? 2? 3? 10?
Pois. Os actores fazem dezenas, senão centenas. "
Goes with the job!"
Um
casting é um momento de pressão evidente. Porque mesmo ali ao lado, tens as pessoas que estão a concorrer contigo (muitas vezes, tuas amigas); porque tens textos para decorar; coreografias para afinar; voz para aclarar; aparência para cuidar... e uma grande vontade de c...
Há
castings e
castings. Os de publicidade são mais ou menos descontraídos (porque toda a gente sabe que tem mínimas hipóteses e porque não são conduzidos pela pessoa que vai fazer a avaliação). Os de televisão são normalmente frustrantes, porque é raro a pessoa ficar satisfeita com o seu desempenho e mais raro ainda deixarem repetir...
E os de teatro, que são os mais violentos. Não que te tratem mal, mas porque o grau de exposição é maior. Além disso, as pessoas que vão escolher, tendencialmente, estão lá, a examinar cada movimento que fazes (tipo o júri dos Ídolos, mas com educação).
Fui fazer um
casting de teatro (são cada vez mais raros, infelizmente). E tive que percorrer toda a "via sacra" dos
castings de Teatro. A cada passo, tinha uma boa e uma má notícia.
A boa:
Foste seleccionado...
A má:
...para a próxima fase!
E a verdade é que o grau de nervos, o nível de exigência e de ansiedade vai dando saltos, a cada fase nova em que se entra.
Cheguei a um ponto em que só fiquei eu e outro tipo.
Apesar da cordialidade com que nos tratámos, sentia-se a tensão entre nós.
Ambos demos o nosso melhor. E a ambos correu bem. No fim, antes de comunicarem uma decisão, a equipa (júri) disse que já não era a nossa qualidade que estava em causa, e que iam optar em função das características físicas de um e de outro (em função da personagem. Esperámos mais um bocado, armados em Misses, desejando boa sorte um ao outro...
E acabei por não ficar.
Sorte de uns, azar de outros. Boa sorte para ele e para o espectáculo!
(A vida de actor é mesmo assim. Venha o próximo
casting. E a próxima úlcera nervosa, já agora...)
Domingo Dois em Um
Vamos por partes. Primeiro o mais importante:
o futebol.
Ontem tive aqui, ao lado de casa, um jogo de alto risco (moro ao lado do Colombo e do estádio da Luz): o França - Inglaterra.
Nestes jogos em que não há uma equipa claramente "nossa", fica difícil escolher o lado para o qual vou torcer. Desta vez, não. Se, por um lado, não gosto dos franceses (desde 1984 e, depois, 2000) também é verdade que não vou à bola com os ingleses. Sendo assim, e estando eu mais ou menos equidistante no desprezo que ambas as selecções me merecem, seria natural torcer pela equipa que mostrasse melhor futebol, assumindo todo o meu
fairplay. Mas não. Bastou-me ouvir as fanfarronices dos bêbedos ingleses (que não se inibiram de, assim que chegaram, se meterem com Portugal e a sua selecção (já para não falar nos desacatos durante as marchas) para escolher um lado neste jogo. Engoli o sapo (ou será o galo?) e torci pelos cabrões dos franceses.
O jogo foi desconcertante, com os franceses a dominarem, sem marcar, e os ingleses a ganharem sem merecer. Já agora, uma observação: repararam que os franciús pareciam os portugueses a jogar contra a Grécia, sem objectividade, coesão, eficácia? Pois é... a diferença entre bestas e bestiais está num lance de sorte.
Ouvi os comentadores de serviço criticarem o treinador francês, criticarem o Zidane (que estava acabado, desinspirado, etc.. aquelas coisas que andamos a dizer do Figo e do Rui Costa) Ouvi os adeptos ingleses celebrarem alarvemente durante todo o jogo, celebrando o ovo quando este ainda estava no cu da galinha (ou será do galo?).
Por tudo isso, exultei quando o
Barthez defendeu um penalti (que foi simulado! Não são só os latinos que aldrabam os árbitros). E mais feliz fiquei quando o Zidane (tinha que ser ele!) marca aquele livre magistral, empatando o jogo. E mais ainda, quando surge o penalti a favor da França, já em tempo de descontos (nunca pensei, em dias de vida, celebrar um penalti da França em tempo de descontos, mas isso são recalcamentos meus)
Numa palavra: Fiquei feliz da vida! (Se calhar, são quatro palavras)
PORTUGAL 1 - Força Portugal 0
Agora, passemos a um
assunto claramente secundário, um breve apontamento sobre... as
eleições e os destinos do país.
Assim que fecharam as urnas começaram os comentários imbecis sobre a abstenção. "A grande vencedora foi a abstenção" foi uma das frases recorrentes saída dos cérebros iluminados de alguns comentadores e, obviamente, dos meninos do PSD e do CDS. Ficou-lhes mal. Muito mal. Para já, porque a abstenção nem foi assim tão alta (por muito que eles tenham tentado ampliá-la); Depois, porque fazer leituras da abstenção é anti-pedagógico, anti-democrático, desrespeituoso para os cidadãos que efectivamente votaram e manipulatório.
Por último porque, caso eles não tenham percebido, a abstenção não ganha nada. É uma derrota de todos. E nunca se sabe em quem votaria um abstencionista. Só quem vota é que decide alguma coisa. E decidiu, e não foi coisa pouca. Desde logo, decidiu dar um arraso, um porradão, uma humilhação histórica aos arrogantões, tecnocratas, corruptos intelectualmente, elitistas que mandam neste país.
Números da efeméride:
A esquerda teve 60 % dos votos!
O PS teve maioria absoluta! Com mais onze por cento que os dois partidos da direita juntos!
...que, mesmo juntos, foram inferiores aos resultados que haviam tido em separado!
O PCP manteve dois deputados, com quase 10%! E esteve à beira de conseguir o 3º deputado!
O Bloco de Esquerda elegeu o Miguel Portas!
Que grande banhada! (o termo é do Professor Marcelo Rebelo de Sousa)
Já o nosso querido Primeiro Ministro disse que sabia ler os resultados das eleições e que, por isso, tinha percebido que esta derrota era uma crítica às opções e às políticas do Governo dele... Portanto... Tendo percebido o recado... Vai continuar a fazer mais do mesmo que andava a fazer! Sem se desviar um milímetro!
(Ora aqui está uma pessoa inteligente. Parte do pressuposto que somos todos burros, mas um dia destes ainda é capaz de ter uma surpresa)
Quanto ao Ferro Rodrigues (ainda há dias considerado um cadáver ambulante, um líder a prazo) ganhou uma aura de respeitabilidade e, após levar o partido à maior vitória da sua história (a maior vitória de todos os 25 Partidos Socialistas da Europa) assumiu que vai continuar à frente do PS. Já há quem o veja o próximo Primeiro Ministro. E é bem capaz de lá chegar... (eu sei, nada é perfeito)
Quanto à coligação CDS/PSD, que tão inteligentemente havia tentado associar (e beneficiar) do apoio dos portugueses à selecção usando o slogan futebolístico "Força Portugal!" ocorre-me dirigir-lhes umas palavras de consolo e solidariedade: "
Chuuuuupa! É bem feita por acharem que somos parvos!"
(Não sei se, com este texto, denunciei ligeiramente o facto de eu ter leves tendências de esquerda. se o fiz, foi sem intenção.)
Agora, sim, sinto-me livre de dizer:
FORÇA PORTUGAL!
O Voto é a arma do povo. Não fiques desarmado. Não votes!
A frase é deliciosa. Foi inventada pela extrema esquerda anarquista do pós 25 de Abril.
Mas é perigosa, falsa e mal intencionada.
O voto é a principal forma de que dispomos para manifestar as nossas ideias, o nosso descontentamento, satisfação, preocupações, prioridades e anseios.
O voto é uma conquista recente. Houve muita gente que teve que morrer e sofrer torturas, perseguições e prisões, para que nós, hoje, possamos ter esse direito (que tantas vezes desprezamos) sem o qual, não podemos falar de Democracia e Liberdade.
O voto é também mostrar à nossa classe política que estamos atentos, que não somos carneiros, que não gostamos de ser pisados, que somos gente!
O voto, um voto, pode nem fazer muita diferença na contagem global. Mas há um ponto em que faz toda a diferença: quando uma pessoa que não vota (por desleixo ou desinteresse) passa a vida a queixar-se do estado das coisas, isso não é legítimo. Quem vota , pode queixar-se (porque as pessoas em quem votou o estão a desiludir, ou porque votou noutros e, assim, tentou fazer algo para que quem "lá" está, não estivesse). Quem não vota, não pode mandar vir. Quem não vota tem que se aguentar à bronca e ficar caladinho.
Não votar é, na realidade, dizer que é indiferente o sistema político em que vivemos. A Abstenção e a Demagogia são terreno fértil para os ditadores e para os políticos que se servem da política, em vez de a servirem a ela e, dessa forma, a todos nós.
O voto é, neste caso, a forma de fazermos parte da Europa, com todos os direitos associados aos cidadãos europeus. É mostrar que temos uma opinião sobre a Europa no Mundo, sobre a Guerra, sobre a Fome, sobre a Paz.
Por tudo isto, não te esqueças de votar. Em quem te apetecer, ou até em branco. Mas não negues a tua cidadania. Não te anules, como ser pensante. Não confundas a vota com a perdigota. VOTA!
(ou depois, não te queixes)
Agora é que se vai ver...
Oh, não! Como é que é possível!? Perdemos? Não estava no programa! E foi a primeira vez na história dos Euros que uma selecção anfitriã perdeu o jogo de abertura! (Vá lá, somos especiais nalguma coisa)
Eu não quis ser desmancha prazeres, mas já temia que isto acontecesse há algum tempo.
A selecção andava inchada de vaidade, segura de que isto era tudo nosso e, infelizmente, mais preocupada com as transferências milionárias do que com treinar de forma concentrada (esta é para o Paulo Ferreira).
Mas eles não eram os únicos. A culpa disto é um pouco de nós todos. Deixou-se instalar a ideia de que Portugal ia ser inevitavelmente campeão (a ponto de só ter que suar um bocadinho lá para as meias finais). Os portugueses, na sua ingenuidade e fé achavam que bastava os nomes dos craques, bastava a força dos adeptos, bastava as bandeiras nas janelas.
Viram-se gregos. Por falar neles, na Grécia, vejam lá se concordam com a definição:
"Equipa compacta, trabalhadora, sem estrelas dignas de renome(excepto aquele do Benfica, o "Pissas")cheia de humildade e sabedora das dificuldades que ia enfrentar." O oposto do balão de ar em que se tinha tornado a selecção... Ganharam-nos e ganharam bem!
Mas vamos pôr as coisas em perspectiva:
1. Antes de mais, se os nossos jogadores e adeptos tiverem levado um banho de humildade, isso já terá servido para alguma coisa. Pode ser que todos consigamos perceber que Deus não é "dos nossos". Para ganhar é preciso fazer por isso. E se a atitude mudar, já é um começo.
2. Não é pela derrota que os tugas ("tugas", "turras" ou "tungas"? que alcunha mais foleirosa) perdem o valor que têm. Todos sabemos que eles valem mais do que mostraram. Pode ser que para a semana, com mais humildade e concentração, a coisa melhore e possamos recomeçar a caminhada para um lugar bonito no Euro (que talvez não seja o primeiro).
3. Nem 8, nem 8000. Os portugueses ferrenhos (com mais de três bandeiras no apartamento) que, apenas por causa do jogo, acham outra vez que isto é tudo uma merda, dos jogadores ao país, estão a mostrar a fibra de que são feitos. É fácil ser adepto nas vitórias. Nas derrotas é mais difícil, mas muito mais digno.
4. Se Portugal não passar desta fase, lembremo-nos que há vida, para além do Euro.
5. Mas vamos lá a torcer para que Portugal siga em frente. Agora é que eles mais precisam do nosso apoio! Vamos mostrar que todos juntos, não somos um país de gente interesseira que só é solidária nas vitórias! Viva Portugal! Toca a torcer!
Agora é que se vai ver!