Seja bem-vindo quem se vier por bem
"Já reparou que estou quase, quase a ir-lhe ao cu?"
Este bem podia ser o mais recente cartaz a afixar (à nossa custa) pelo Presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Ao que tudo indica, estamos mesmo prestes a assistir a uma espécie de Golpe de Estado Constitucional. Ninguém questiona que seja juridicamente possível ao PSD mudar de Primeiro Ministro, o que se questiona é se eles terão a
legitimidade política de fazê-lo, após uma derrota estrondosa, e sem que o povo seja chamado a decidir em eleições.
Lembram-se do Durão na noite das Europeias? "Não se preocupem, não fujo, não vou a lado nenhum..." Está bem, abelha!
Por outro lado, ainda temos a perspectiva de Santana Lopes como Primeiro Ministro, a fazer no país, aquilo que já vinha fazendo em Lisboa (mas com a urgência despesista de ganhar eleições!). É o caos! O fim do Mundo em cuecas! Ou pior,
o fim do Mundo de Tanga!
Mas ainda há uma esperança de se conseguir evitar isto. Basta conseguir abrir os olhos ao Presidente da República (parece que ele anda a dormir) e exigir-lhe eleições antecipadas.
Passo a palavra ao Scolari:
"´Cê tá convocadu!..."
CONCENTRAÇÃO DOMINGO, PELAS 19.00, EM BELÉM CONTRA A NOMEAÇÃO DE SANTANA LOPES PARA PRIMEIRO MINISTRO E PELA CONVOCAÇÃO DE ELEIÇÕES ANTECIPADAS.
NINGUÉM VOTOU NESTA COLIGAÇÃO. E MESMO AQUELES QUE VOTARAM PSD NÃO VOTARAM NO SANTANA.
APESAR DE TUDO, PREFIRO TER UM DURÃO NA MÃO, DO QUE UM SANTANA A VOAR.
POR QUE É QUE ELES TÊM MEDO DE OUVIR OS PORTUGUESES? ELEIÇÕES, JÁ!
Notícia fundamental para o futuro do país
Já era sabido que eu e a família fomos ao Porto, para curtir o "San João". O que não disse (para não dar azar) é que também íamos tratar da possível ida ao Porto do espectáculo
Cromo Sapiens.
Pois é. A nossa ideia era arranjar forma de fazermos lá um ou dois espectáculos. Mas as coisas não correram como prevíramos. E já não vamos fazer no Porto um ou dois espectáculos.
...Vamos fazer muitos mais! Durante muito mais tempo!
Decidimos fazer toda uma temporada do Cromo Sapiens (em versão revista e piorada, claro...). E conseguimos um dos locais mais interessantes da cidade: Vamos estar no "Maus Hábitos" (Até o nome é lindo, carago!) daqui a uns meses! Não cabemos em nós de contentes! O "insucesso" do Cromo vai alastrar à Invicta! E já não falta muito!
(Obrigado: António Capelo, Pedro, João Paulo, Cláudia, malta da ACE... Pela hospitalidade, pelo calor, pelo São João, por tudo, carago!)
Mais notícias sobre a nova carreira do Cromo Sapiens seguem nos próximos dias...
PS: Como me baldei à escrita, nos últimos dias, aqui no Blog, decidi compensar-vos com os textos correspondentes aos últimos dias. Não se esqueçam de espreitar. Desculpem lá qualquer coisinha e obrigadinho e um grande bem - haja pra todos vós, nunca vos doam as mãos!...
Notícia muito menos importante para o futuro do país
Parece que Deus tem mesmo sentido de humor: A Velha Europa poderá estar prestes a escolher para próximo Presidente da Comissão... José Manuel Durão Barroso!
A notícia de que Durão ia deixar de ser Primeiro Ministro até era boa. E ele sair do país ainda melhor. Mas as coisas boas ficam mesmo por aí. Então:
Durão Barroso à frente da Comissão? Ele vai ter uma palavra a dizer sobre o futuro da Europa?
Ele, que se aliou à extrema direita em Portugal, que se recusou a mudar a lei do aborto, que lançou o país numa crise económica sem precedentes, que foi a mascote do Bush na Europa, que associou Portugal à Guerra infame do Iraque?
...Que perdeu as eleições há menos de um mês, numa derrota Histórica e humilhante?
...Que passou dois anos a acusar o Guterres de ter fugido após uma derrota eleitoral, preferindo um exílio dourado no estrangeiro (na Internacional Socialista) a ter que continuar a governar o país?
Irónico, não?
Antes de começarmos todos em histeria por termos "um dos nossos, um portuguezinho" na Presidência da Comissão, convém esclarecer umas coisas:
Não basta ser-se português, para se ser competente. Se me dissessem que o "emplastro" ia para Secretário Geral da ONU, isso não me deixaria radiante.
Não é preciso, sequer, ser-se competente para ser Presidente da Comissão.
Romano Prodi demonstrou que qualquer "nabo" pode cumprir as funções com galhardia.
O argumento de que "ter lá um dos nossos" é bom para nós é completamente falso. Não ganhamos mais dinheiro, nem direitos, nem privilégios por aí. Acham que o Luxemburgo é uma potência mundial? E a Bélgica, que tal? Pois são essas as "potências" que têm "oferecido" mais Presidentes da Comissão. Serviu-lhes de muito, vê-se logo.
Aliás, a mera ideia de que "podemos, tipo, ter lá uma cunhazita, para passarmos à frente dos outros países" é tão mesquinha e burra que nem merece comentário.
Tradicionalmente é escolhido, para Presidente da Comissão, sempre alguém de um país pequeno, sem importância estratégica e sem peso na Europa (isto já poderá dizer algo sobre o nosso país).
Mais. Aqui estão os
argumentos que o tornam um candidato forte. E isto são factos.
1. Não foi a primeira escolha para o lugar. Nem a segunda, nem a terceira.
2. Houve mais Primeiros Ministros a serem equacionados. E convidados. A diferença é que Durão foi o único que aceitou.
3. Teria sempre que ser alguém de direita (por imposição do Partido Popular Europeu) a competência pessoal há muito que deixou de ser critério.
4. Durão é elogiado pelo "perfil discreto e conciliador" que exibe (leia-se, por amochar e não ter peso para fazer frente aos governos europeus)
5. É igualmente elogiado pela "competência" (não sei se isso se refere às 200.000 pessoas que passam fome em Portugal, ou à enorme capacidade de Durão para ser pau mandado dos poderosos (lembrem-se do Iraque... )
6. A Europa nunca valeu tão pouco. Não está interessada numa Comissão forte, com uma voz comum e uma política externa colectiva (tanto os grandes, como os pequenos países estão mais preocupados em manterem os seus privilégios que em construir um bloco forte. A Europa dos Povos, a Europa Política, a Europa dos Princípios está a dar lugar à Europa das Nações, à Europa Egoísta (E Durão tem o perfil adequado...)
7. Até a diplomacia europeia mais anti-americana desvaloriza o acto anti-europeu e pró-bélico de Durão, de avançar para a Guerra Ilegal Contra o Iraque. Dizem, gracejando, que nem apareceu na fotografia (excepto a mão) e que ele, nas Lajes, se limitou a ser o responsável do
catering da cimeira da guerra(sic). Está-se mesmo a ver que o têm numa grande conta...
Mas ele poderá muito bem lá chegar. Ele, que se fartou de jurar a pés juntos que o seu candidato era o António Vitorino (interessante, essa reviravolta, não?).
E, se a falta de pudor (até do Presidente) for mesmo total, poderemos ter que gramar com o Santana Lopes, sem eleições, durante dois anos! Por indicação do povo? Não, por indicação do PSD! E com uma equipa escolhida por ele mesmo, Santana, que é conhecido pela sua coerência. Lembram-se das várias vezes que anunciou que ia retirar-se da política? Têm acompanhado o "trabalho" dele à frente da Câmara Municipal de Lisboa? Viram os cartazes: "Já reparou que não fiz nada, para além de me auto-promover!?"!?
NOTAS:
1. Muito gostaria eu de poder orgulhar-me de ter um português à frente da Comissão. Se escrevo o que escrevo, é por achar que Durão é mesmo uma péssima escolha. Mesmo com todos os condicionalismos, se ele tivesse apostado, por exemplo, em lançar como candidato ao lugar, o Cavaco Silva (de quem não gosto, mas que respeito e julgo competente), eu seria o primeiro a tirar-lhe o chapéu. E a, patrioticamente, ficar orgulhoso.
2. Não pensem que desvalorizo a Europa por ser mauzinho e mesquinho (até posso ser, mas não é por isso). Aliás, não desvalorizei a Europa. Limitei-me a descrevê-la como é, na actualidade. Já lá vai a Europa da Coesão, do
Jacques Delors e do
Kohl. Eu acreditava nessa Europa. E continuo a acreditar na ideia de Europa. E é justamente por isso, que me dói ver um oportunista sem espinha colocar-se em bicos de pés de forma tão despudorada e traiçoeira.
3. A ideia de que ele foi pedir ao PR para não convocar eleições seria cómica, se não fosse trágica. Qual é o medo de convocar eleições, afinal? Se as pessoas estiverem satisfeitas com o Governo e orgulhosas pelo Durão, de certeza que elegem o Santana, a Ferreira Leite, o Dias Loureiro, o Rato Mickey, pela coligação. E o PR, o que é que vai fazer? Vai aceitar a cunha?
Aguardam-se as cenas dos próximos capítulos.
PS: A única coisa positiva no meio disto tudo é que os humoristas, como eu, vão continuar a ter trabalho garantido.
De Luva Branca...
Épico! Electrizante! Devastador!
É o mínimo que se pode dizer sobre o Portugal - Inglaterra.
Como toda a gente já falou sobre tudo, não vou falar sobre o jogo. Há apenas um aspecto que continua a fascinar-me, 24 horas depois do orgasmo.
Lembram-se de um guarda-redes que era um perfeito nabo, motivo de chacota geral, alvo de campanhas nacionais para ser trocado pelo Baía? Lembram-se desse desgraçado?
Pois é. Esse pobre diabo mostrou ao país que não se deve nem glorificar uma pessoa, nem crucificá-la, precipitadamente. O Ricardo, não só teve uma exibição (mais uma) sem falhas, como acabou por ser o homem do jogo.
A sequência de acontecimentos foi demasiado extraordinária para ser credível. Parece coisa de filme, como se alguém se tivesse dado ao trabalho de escrever uma história rocambolesca e trágica, a terminar com umas pinceladas de glória. O "argumentista" descrevê-la-ia assim:
"O protagonista desta história é um guarda-redes. Ao longo do filme, sofre bastante, o gajo. Não só teve uma época complicada, como está a atravessar uma crise confiança. Além disso, ninguém acredita nele: É gozado, dissecado, comparado, tratado como se fosse um frango ambulante, um zero à esquerda. Só o treinador insiste nele (e às tantas só o faz para não perder a face). Só a família acredita nele. Chega o Euro. Faz um conjunto de boas exibições, não tem culpa nos golos que sofre, mas mesmo assim, ninguém muda de opinião sobre o gajo. Chegas aos quartos de final... Jogo contra a Inglaterra. O Baia está sentado atrás da baliza, como se fosse um fantasma omnipresente. O jogo é arrepiante e acaba (injustamente) por ter que ser decidido nos penaltis. Ele diz que quer marcar. O treinador responde que sim, se houver segunda série. Na primeira série, todos marcam, menos um de cada lado. Na segunda série, farto e enervado, Ricardo decide confiar em si, mais do que em ninguém. Tira as luvas e defende um penalti. Inacreditável, não é? Mas ele ainda quer mais: decide marcar o próximo. Avança e marca o golo decisivo! Acaba agarrado ao Eusébio!"
Qualquer argumentista que avançasse com uma história destas, seria maltratado por qualquer produtor. A história é inverosímil, não tem credibilidade... Mas foi assim que aconteceu, certo?
Notinhas finais:
1. Não temos o Euro ganho. Calminha, que a soberba e a arrogância são doenças fatais em futebol (olhem para a França, que perdeu com a Grécia)
2. Não vamos endeusar a selecção. Eles são homens. Têm o direito de falhar. E podiam mesmo ter falhado. Imaginem que o Ricardo não marcava o penalti! Ia ser escorraçado, tratado abaixo de cão (enfim, ele já está habituado, mas era chato).
3. Olhemos para nós mesmos e para a forma como encaramos a selecção: tanto deitamos abaixo, como colocamos os gajos num pedestal. São as mesmas pessoas, malta!
Se tivessem sido eliminados (e a sorte podia perfeitamente ter-nos reservado esse destino) não eram menos humanos, nem menos esforçados por isso. Pensemos um pouco neste tema.
É mais importante ainda saber perder, do que saber ganhar (ganhar é fácil). Vamos saber ganhar o Euro. Vamos merecer ganhar o Euro. E, se isso não acontecer, vamos perceber que o Mundo não acaba por causa disso. E vamos saber... (bate na madeira...) perder, se for esse o desfecho.
antecipado
É um dos lugares comuns mais amplamente difundidos acerca do norte em geral, e do Porto em particular.
Da confusão entre os universos da bola e das festas populares, surgiu a expressão "São João antecipado". São frequentes, os São Joões antecipados, até porque o FC Porto costuma dar sempre uma ou outra alegria aos seus adeptos.
Mas este ano foi a loucura. O Porto teve uma série de São Joões antecipados: Foi o Porto-Corunha; foi a final da Liga dos Campeões; e
last but not least, foi a vitória sobre Espanha, carago! Esta malta anda a flutuar em êxtase futebolístico. Repararam que eu disse "esta" malta? Pois foi. Não disse "aquela" malta. E sabem porquê? Porque estou cá em cima, carago! (Também nunca percebi por que é que se há-de dizer "cá em cima" ou "lá em baixo", em função de onde nos encontramos. Mas isso há-de dar outro post, a seu tempo, "mais para a frente")
O que interessa é que hoje à noite, finalmente, estaremos "cá em cima" a celebrar o São João (ou como se diz aqui: o San João).
Para todos os interessados em vir ter comigo, com a Susana e a Maria, para uma celebração conjunta do San João, eis o que devem fazer:
Venham ter connosco à ACE (Academia Contemporânea do Espectáculo) que é uma fantástica Escola de Teatro dirigida pelo actor António Capelo. A ACE fica em frente ao Hotel Inca (é o antigo Colégio Almeida Garret e a antiga Faculdade de Engenharia). A morada é Praça Coronel Pacheco, nº 1.
A Associação de Estudantes organizou uma festa, para a qual estão convidados (claro que, se também quiserem jantar, paga-se 4 euros à entrada).
Vinde ter connosco, vamos comer, beber, dançar, lançar balões e San-Joanar!
PS: Isto há cada coisa... Ontem e hoje (até há pouco) esteve um tempo da caca, com chuva incessante. Mas inexplicavelmente, e muito a propósito, o tempo virou e agora está um sol do carago.
Será que o S. Pedro aceitou uma cunha do S. João? Fica a dúvida.
The truth is out there...
A Bandeila
Se há figura no século XX português que mereça o meu desprezo (e felizmente, não estou sozinho nisto) é o Padre Borga.
Não, não é o Padre Borga, estava a brincar. A figura mais detestável e sinistra do século XX português, para mim, é o António de Oliveira Salazar. Não é por nada, mas faz-me confusão aquela coisita de ele ter sido um ditador fascista, brutal e cruel, que nos manteve privados da Liberdade, da Democracia, da Cultura e do Progresso durante 48 anos.
Mas há uma frasezita dele, com a qual eu tenho alguma empatia: "Beber um copo de vinho é dar de comer a um milhão de portugueses". Lida à letra, revela que ele não percebia muito de matemática (uma vez que era complicado um milhão de portugueses receber alguma coisa por aquele copito de vinho em particular). Mas a frase tem um sentido simbólico e metafórico e eu gosto de símbolos e de metáforas. A ideia é: "É bom investirmos no que é nosso e preferir produtos portugueses". Para ser franco, até concordo. Acho porreiro dar preferência e, com isso, ajudar um agricultor, um vinicultor, um suinicultor, um locutor, ou um elevador português. Há produtos, então, em que temos em Portugal tanto para dar e tão bom, que não faz sentido nenhum comprar estrangeiro, como o vinho, o azeite, a fraude fiscal ou a cortiça.
Nestes tempos que vivemos, muito dados ao patriotismo e ao orgulho nacional, por via do desporto (eu disse "desporto"? queria dizer futebol, desculpem) andamos todos muito agarrados ao que é nosso (e isto não é uma piada sexual). Acontece que, por causa das pressas, acabamos por nem nos darmos ao trabalho de saber de onde vem "aquilo que é nosso".
Eu explico:
Ouvi dizer (e não custa acreditar) que foram vendidas mais de um milhão de bandeiras e bandeirinhas de Portugal nas últimas semanas. Por razões que já escalpelizei em
posts anteriores, a histeria das bandeiras nos estendais e nos carros não me excita. Mas sou o primeiro a reconhecer que, já agora, do mal o menos: temos uma indústria têxtil em crise; um milhão de bandeiras é muita bandeira, ora aqui está uma oportunidade para diminuir o desemprego em Portugal.
Esta é a parte do texto em que eu digo: "Levanta-te e vai buscar a tua bandeira".
Cá vai:
Levanta-te e vai buscar a tua bandeira, vamos fazer uma experiência. Estou a falar a sério: vai buscá-la.
Já foste? Óptimo. Agora, olha bem para ela. Olha, designadamente, para os castelos da bandeira. Como é que eles são? São castelos medievais europeus, com ameias quadrangulares e linhas rectas? Sim? E o padrão, é familiar? Maravilha!
A resposta foi não? Deixa-me adivinhar: os castelos têm umas ameias redondinhas, muito orientais? Ou até uns telhados grandes curvilíneos, mais parecem pagodes, ou templos hindus, do que castelos europeus?
Pois é, meu caro, minha cara... Com tanto patriotismo, acabas de adquirir uma bandeira (mal) feita na China, ou outro país oriental qualquer! É o que dá ser patriótico na Loja dos 300.
Num aparte: A maior parte dos estabelecimentos de 1,5 € - que tanto jeito nos dão - não só vendem produtos feitos por gente que trabalha em regimes de semi-escravatura, como acabam por fugir ao pagamento de qualquer tipo de impostos. À pala dos baixíssimos preços que praticam, estas lojas estão a estrangular o comércio tradicional português e, muitas vezes, alimentam os circuitos chantagistas de imigração ilegal e escravatura de cidadãos orientais a trabalharem sem condições mínimas de dignidade em Portugal. A compra das bandeiras (entre outras coisas) fomenta a circulação ilegal de produtos, foge aos impostos (obrigando os comerciantes portugueses a pagarem mais) e lança portugueses no desemprego sem que, com isso, se esteja a melhorar, sequer, as condições de vida dos trabalhadores que as fizeram nos países de origem.
Parafraseando Salazar: "Comprar uma bandeira é dar dinheiro a um milhão de mafiosos"
Não me parece lá muito patriótico...
(Estão a ver por que é que eu peço sempre para termos calma, antes de embarcarmos nas histerias colectivas?)
Olé!
Seria impossível que o tema de hoje não fosse a selecção. Mas eu gosto de missões impossíveis, por isso não vou falar da selecção, nem do Euro, nem da vitória sobre Espanha.
Viram aquilo? Grande exibição, grande equipa, grande golo, grande tudo!
Para alguma coisa serviu a derrota frente à Grécia. Obrigou os nossos
muchachos a aplicarem-se, a descobrirem a humildade e o sentido de equipa.
E também mudou a nossa forma de ver o Euro. Sim, porque a nossa mania de embandeirar em arco (e isto não é nenhuma piada às bandeiras) não se limita aos altos responsáveis e aos jogadores. Começa e acaba em cada um de nós. Mas valeu a pena termos passado pela banhada grega inicial. Desde o Euro 2000 que não se via Portugal a jogar assim.
Houve uma coisa que me impressionou: o enorme grau de concentração da equipa, aliado ao "jogar por instinto".
Não vou discorrer sobre o talento sobrehumano do Cristiano
Rônaldo, sobre a classe do Figo, a coragem do Jorge Andrade ou a energia do Ricardo Carvalho. Vou falar
daquele momento: o golo.
Na situação em que estava, esperar-se-ia que o Nuno Gomes fizesse a tabelinha com o Figo que, aliás, estava a desmarcar-se. O que é que levou o Nuno Gomes "egoísticamente" a tentar o remate de fora da área? Puro e duro instinto de matador. Sentiu que o Figo estava a arrastar os centrais com ele e foi para a opção mais difícil. Arriscou e saiu-lhe o totoloto. O Nuno Gomes, realmente, tem queda para os golos épicos. Se tivesse falhado, ninguém lhe teria perdoado não fazer a assistência. Mas ele borrifou-se para nós, e para os comentadores e para o treinador e para toda a gente... E marcou.
Podia não ter marcado. Mas teve a ousadia de tentar (a ousadia que tantas vezes nos falta).
Depois do golo... depois do golo, tivemos uma mistura de garra e sorte.
Garra, porque continuámos a atacar, e tentámos várias vezes (sem conseguir) "matar" o jogo.
Sorte, porque aquele remate ao poste do Fernando Torres podia não ter ido ao poste. Sorte, porque felizmente o Ricardo Carvalho esteve lá para o alívio de cabeça, frente a uma baliza desguarnecida. Sorte por N momentos em que ficámos todos com o cu apertadinho.
É por causa dessa sorte (merecida) que não devemos perder a calma e passar a achar que somos os maiores. Mas também é por essa sorte que estamos autorizados a sonhar. Pelo menos, um bocadinho. Mas, se os sonhos acabarem em eliminação (reparem que escrevi "se" e não "quando") isso não significaria que esta equipa não prestava. Vimos que sim, que presta. E há-de ir até onde puder. E se deixar de poder (reparem que escrevi "poder" e não "f...") merece contar com o nosso apoio - sem histerismos, mas com calor humano e generosidade.
Afinal, ninguém perde de propósito. (Excepto o Scolari: o homem é mesmo um génio. Perdeu de propósito contra a Grécia para que, dois jogos depois, pudesse eliminar a Espanha e, simultaneamente, ficar à frente do grupo. Grande estratégia! que visão a longo prazo!
Franceses, Croatas, Ingleses... Venham eles! Venham os quartos de final! Até os comemos! (isto parece-me um bocado
gay, mas enfim)
Boa sorte!
PS 1: Um destes dias, vou parar de escrever sobre futebol. Por agora, é impossível.
PS 2: Por favor, não gritem "Portugal ALLEZ, ALLEZ!". Além de kitsch, parece-me pouco patriótico.
Obrigado a todos!
Distraidamente, olhei para o contador, ali, ao lado e percebi que já tive mais de 4000 visitas! É melhor parar de escrever, antes que a baba que está a cair sobre o teclado se infiltre nos circuitos e avarie o computador. Obrigado! Sois os maiores!
NICPIC
Continuo muito caseiro, eu, muito familiar. Passámos a tarde num "nicpic" a celebrar o aniversário da Maria. Nós, amigos e família. Bem simpático, devo dizer. A seguir fomos ao teatro. Dose dupla de teatro: "
Xavier" da companhia Gato que Ladra e "
I love my Penis" no Trindade.
Duas excelentes escolhas. Xavier é um espectáculo lindíssimo, com um texto profundo e absurdo, que conta com uma encenação de bom gosto e prestações muito boas pelos actores. O I Love My Penis é outro grande texto (numa linha diferente, mais comercial, mas nem por isso menos inteligente) muito bem interpretado. Se o Xavier acabava hoje, quanto ao "Pénis" ainda podem vê-lo nos próximos dias. E vale bem a pena, garanto-vos (liguem para o Trindade 21 342 00 00).
Esta semana não há Cromo Sapiens, porque eu, a Susana e a Maria vamos ao Porto para curtir o São João (ainda estou a tentar perceber como é que vou conseguir continuar actualizar o blog diariamente, mas hei-de me desenrascar).
O São João do Porto é, de longe, a maior festa popular de todas. É democrático, rebelde e subversivo, além de ser histericamente divertido. Eu, que sou de Lisboa, tenho que dizer que põe o nosso Santo Antoninho a um canto.
Também é verdade que guardo belas recordações do S. João: foi nesse dia (e no Porto) que eu e a Susana começámos a namorar; foi nesse dia que nos pedimos, recíprocamente em casamento, etc...
Amanhã (ou hoje, para o caro leitor) vamos fazer uma experiência nova com o
Cromo Sapiens. Houve um casal que, após ver o espectáculo, convidou-nos a ir fazer um excerto do espectáculo a sua casa, por ocasião de uma festa especial. Vai ser divertido ver como conseguiremos adaptar o espectáculo (e como nos conseguiremos adaptar a nós mesmos) nesta que é a primeira apresentação do Cromo Sapiens fora do Teatro da Trindade. Com um milagre, vai correr tudo muito bem de certeza.
Piada do dia: O Presidente da República sugeriu que, como mostra do nosso patriotismo, mantivéssemos as bandeiras nas janelas, mesmo depois de Portugal terminar a sua participação no Euro. Compreendo, se tivesse uma bandeira à janela, sentir-me-ia frustrado se tivesse que a retirar já amanhã!
Calma! Calma! Estava a brincar! Estejam descansados com o jogo. De certeza que vamos ganhar! (Só quero dizer que, mesmo que não ganhássemos, também não era o fim do Mundo)
E fico-me por aqui.
Não, não fico! Vá lá, malta! Ganhem o jogo, porra!