Cromo-Verão (ou Verão Cromo Sapiens)
O
Cromo Sapiens, mais do que um espectáculo fechado, com uma estrutura rígida, é um conceito. No conceito
Cromo Sapiens pode caber tudo o que eu lhe queira pôr (não pensem já em badalhoquices), tudo o que tenha para dizer. O
Cromoé um estilo, um registo, uma marca. Assim, pouco depois de ter estreado, decidi investir a fundo e valorizar todas as potencialidades do
Cromo Sapiens. Como? Fazendo mais do mesmo? Recauchutando material? Não. Reinventando.
Estou a preparar
a nova vaga do Cromo Sapiens, com material novo, novas piadas, mais provocações, e a mesma (fraca) qualidade de sempre.
Para que é que estou a dizer-vos isto?
Porque o Cromo Sapiens vai voltar.
Já neste mês de Julho!
Existe um
bar em Carcavelos, mais exactamente na Praça do Junqueiro 5 A, que se chama
5ª Avenida. É um espaço simpático e acolhedor que esteve bastante na moda aqui há uns anos, com um palco, onde se cantava (e canta) em modo Karalhoke.
Após uma sequência de curtas conversas com o dono do espaço, ele embarcou na irresponsabilidade de me pedir para apresentar o
Cromo Sapiens lá. Em Julho faremos as primeiras experiências e, depois, em Setembro, voltarei à carga.
E agora, um espaço para as perguntas dos leitores:
Como é que posso assistir?
Indo lá. As
datas já marcadas são
13, 20 e 27 de Julho.
Vale a pena?
Obviamente que não.
Quanto é que se paga?
Essa é que é a boa notícia.
Nada. Não é cobrada entrada e o bar não tem consumo mínimo. É óbvio que se espera que consumam alguma coisa, o bar não se sustenta sozinho. Mas ninguém vos aponta uma espingarda à cabeça (e daí, pensando melhor...). O que posso garantir é que o espaço é bem simpático, a convidar à conversa e ao convívio. Também garanto que a música é boa.
Aliás, a ideia é recriar a atmosfera envolvente e mágica dos bares de
stand up comedy Nova Iorquinos. O desafio é enorme? Claro que sim! Mas eu também sou inconsciente, por isso...
Silly Season
Estamos em plena
silly season, nome estrangeirado que se convencionou chamar a este período de Verão em que, supostamente, não acontece nada e ninguém diz nada de jeito.
Acontece que, este ano, realmente ninguém diz nada de jeito, mas até estão a acontecer coisas. O tema da moda é "
eleições antecipadas" - SIM ou NÃO? Pela parte que me toca, e que expliquei em
posts anteriores, sou a favor. Mas isso é o menos, até porque a minha opinião nunca contou para nada (e, se não houver eleições, a opinião dos portugueses valerá o mesmo que a minha).
O que me irrita um pouco é perceber que todos os "
silly politicians" já esqueceram, há muito, a questão de fundo. Digo isto porque neste momento, o que está a bater forte no cerebelo dos nossos políticos, em vez de ser encontrar a solução mais justa e democrática, é a questão: "E eu? Se houver eleições, fico a ganhar, ou fico a perder?". Finalmente percebi que não é coincidência o local que os partidos escolhem para a sua sede. É tudo uma metáfora ao poder. Não é por acaso que o PS fica no
Rato. E também não é casual que o PSD seja na
Lapa. Estamos entregues à bicharada...
Simultaneamente, toda a gente começa os discursos com um hipócrita: "Sem querer condicionar a autonomia de decisão do senhor Presidente da República..." ... Quando todo o resto do discurso é, inevitavelmente, uma tentativa de condicionar (para não dizer chantagear) essa mesma autonomia de decisão.
O que é que este tipo de comportamentos desperta em mim? O que é que penso sobre isto tudo?
Neste preciso momento, posso garantir-vos, caros leitores que:
"Estou-me a cagar!"
Estou no reino dos Algarves a gozar umas merecidas micro-férias e dou demasiada importância aos meus neurónios para os desperdiçar com questões tão insignificantes como o futuro do país. É impossível (e indesejável) pensar, quando se tem uma imperial e um prato de caracóis à frente. São servidos?
Verão Azul
Eis um programa que marcou as nossas infâncias (não sei se para o bem, ou para o mal). Por que é que me lembrei disso? Por nada, pareceu-me que dava um bom título.
Hoje é dia de viagem. Eu, a Susana e a pulga estamos de abalada. Apesar de andarmos com bastante tempo livre, a verdade é que não descansamos devidamente (sobretudo a cabeça, que, à sua maneira, nunca pára de encontrar pretextos para andar a cem à hora). Para descansar a sério, é mesmo necessário zarpar, como o fizeram os heróicos portugueses quinhentistas dos Descobrimentos (o processo dos Descobrimentos, no fundo, não passou de umas longas férias colectivas).
Vai daí, decidimos que temos que ir para um destino quente, longínquo, onde seja particularmente difícil encontrar um português. Exacto, tal como no ano passado, vamos passar uns tempos ao Algarve.
Vou tentar manter a minha bloguização cromática actualizada diariamente. Se houver atrasos, as minhas desculpas antecipadas.
See You!
Última hora!!!
Daqui a poucas horas, vou apresentar, pela primeira vez o "Cromo" no Restaurante Fio de Azeite, em Telheiras. Devia estar a trabalhar no alinhamento do espectáculo, mas em vez disso, estou a escrever posts que nunca mais acabam aqui no blog.
Ai, os nervos...
Última hora!!!
José Sócrates, putativo candidato a Secretário Geral do Partido Socialista, anunciou que pretende mudar de nome ainda este mês. "O meu nome de família", disse, "não é muito popular nos tempos que correm". Instado a avançar qual será o seu novo nome, respondeu "Só sei que nada sei", mas acrescentou: "talvez Silva, Cavaco Silva. Soa bem e é original"
Última hora!!!
Durão Barroso está na TV a anunciar que pediu ao senhor Presidente da República a demissão do cargo de Primeiro Ministro. Diz-se feliz, porque deixa o país num bom momento, por causa dos sinais de retoma que se adivinham.
1. De facto, a saída dele é uma boa notícia para o país e é, em si mesma, um sinal de retoma;
2. O que ele não admitiu é que só saiu hoje para poder ver à borla a final de ontem;
3. Deixa, seguramente, menos saudades que o Rui Costa.
Boa sorte, Europa!
(Bem precisas...)
Olha que Karagounis!
A final perdemos. Perdemos a final. Afinal, perdemos. Perdemos, afinal.
Para podermos dizer que somos campeões europeus, temos que acrescentar um "vice" à palavrinha mágica. Somos os segundos, ou seja "os primeiros dos derrotados", "tão últimos como os últimos" "Para perder assim, mais valia termos sido logo eliminados!"
Será?
Claro que não! Não conheço ninguém que, com sinceridade, preferisse perder cedo para sofrer menos. Lembram-se do Euro 2000? Perdemos com a França e a partir daí... Foi o vazio.
Sejamos sinceros connosco próprios. Temos todo o direito de estar desiludidos, mas que isso não nos tolde o raciocínio. Fomos mais longe do que alguma vez sonhámos ir.
SOBRE O JOGO:
Gostei:
Da entrega dos jogadores (de ambas as equipas), da tenacidade e persistência dos gregos, da criatividade e génio dos portugueses e da ideia de que vale a pena lutar até ao fim. E vale.
Não gostei:
Que a geração de 91 não tenha podido coroar o seu percurso com uma grande e merecida vitória. Que, um pouco por todo o mundo, tenha havido milhões de seres humanos do nosso lado. Que tenhamos tido (porque tivemos mesmo) azar. E que os gregos vejam premiada uma estratégia cínica e hiperdefensiva que é, em si mesma, a negação da beleza desse jogo mágico que é o futebol. E não gostei que o Euro tivesse acabado. Nestes momentos, fica-se sempre com uma sensação de fim de festa e o desejo (impossível) de prolongar
ad eternum o encontro de nações e a nossa função de anfitriões universais.
Também não gostei do discurso "da gravata" do Durão. Eu não sou contra as superstições. Todos nós, de uma forma ou de outra, acabamos por adquirir os nossos rituais de fé. Mas temos que perceber que esses rituais (em si mesmos, ridículos) devem ser guardados para nós. Durão, no fundo, sabia bem que a porcaria da gravata não teria influência nenhuma na porra do resultado. E sabia, também, que vivemos num país com muita gente influenciável e iletrada. Sabia, igualmente, que o discurso da superstição retira o mérito aos jogadores, ao talento, ao esforço. Como se ganhar dependesse de factores exteriores ao valor individual e colectivo da selecção. Ele não acredita na gravata. Nunca acreditou. Mas não hesitou em usar esse discurso para ser "engraçado" e para se associar ao sucesso da selecção. Até na saída, José Manuel Barroso prestou um péssimo serviço à auto-estima, à inteligência e à cultura deste país. Espero que enfie a gravata no cu. E que a mantenha sempre lá, guardadinha, enquanto for Presidente da Comissão. E que isso lhe dê sorte. Sim, porque ele pode ser incompetente, mas é português!
Maus tempos se avizinham em Portugal.
Digo-o porque conheço o meu país. Somos mesmo uma nação bipolar. Os "do costume" já começaram a sair da toca e a atacar, sem nexo, tudo e todos: os jogadores, o selecionador, a equipa, a nossa auto-estima. Não podemos deixar que se instale a ideia de que, afinal, somos bestas. Talvez não sejamos bestiais, mas é inegável que fomos mais longe do que alguma vez havíamos conseguido. Só isso, já seria histórico.
Maus tempos se avizinham um pouco por todo o lado.
Porque estas coisas são por modas. E porque, neste momento, foi consagrada a forma grega de jogar. Logo, as várias selecções vão ter a tentação de "agreguizar" o seu estilo de jogo, tornando-o mais cínico, oportunista e feio. Virado exclusivamente para o resultado puro e duro, e nada para o lado belo, artístico e criativo da bola. Um jogo do "gregório", portanto.
Não nos podemos esquecer que ontem, toda a gente que gosta de futebol, um pouco por todo o mundo, estava a torcer por nós. A Grécia foi carrasco das selecções que jogavam o mais belo futebol: Espanha, França, República Checa e, claro, Portugal. Ontem não fomos só nós os perdedores. Infelizmente, foi também, o próprio futebol.
Sejamos nós capazes de resistir à tentação do cinismo; sejamos nós suficientemente adultos para não permitir que se faça uma caça às bruxas; saibamos nós valorizar o facto de termos ido mais longe que nunca, não só em termos da selecção, como ao nível da capacidade de organizar aquele que foi o melhor Euro de sempre. Saibamos nós, finalmente, perceber que hoje estamos mais orgulhosos e ricos que antes. Que somos, talvez, um pouco mais portugueses e menos "coitadinhos".
Cada um de nós, neste campeonato, só pôde torcer por fora, não teve forma de participar directamente. Isso coube aos jogadores.
Mas lanço-vos o desafio: E que tal se pegássemos nesta energia, nesta dinâmica toda, e as usássemos para construir um país melhor e mais justo? Desta vez é connosco! E temos mesmo que ir a jogo!
Obrigado, Portugal! Devolveste-nos a capacidade de sonhar.
A final, perdemos. Perdemos a final. Afinal, ganhámos! Ganhámos, afinal!