Stand up just for the Comedy II
Após o impacto inicial da primeira geração de
stand up comedians, o género entrou numa fase de algum adormecimento. O final dos anos setenta e o princípio dos anos oitenta foram muito marcados pela apatia no público norte-americano, o que não dava espaço para o olhar mais cínico, característico deste género performativo. Mas, se adormeceu, a
stand up não morreu. Longe disso. Durante este período, o formato
Talk Show ganhou nova projecção nas televisões (por ser barato e eficaz junto das audiências) e foi preciso encontrar novos comunicadores, que estivessem à vontade em situações de entrevista e, simultaneamente, soubessem agarrar uma plateia. Onde é que os foram buscar? Exacto, à
stand up comedy. Desde então, até aos dias de hoje, a
stand up tem sido a principal escola de formação de apresentadores televisivos (temos os exemplos de
Jay Leno,
Conan O´Brian,
David Letterman, entre muitos outros). Nos palcos dos bares, assistia-se também ao nascimento de uma nova vaga de talentos, marcada pela especialização. Os
stand up comedians (não digam
stand uppers...) de agora, tinham temas, personagens e alvos específicos. Mas, ao contrário dos pioneiros dos anos cinquenta, primavam pelo uso e abuso de um factor: inteligência (estamos mesmo a dar os primeiros passos por cá, não concordam?)
Essa onda de especialização criou, ao longo dos anos oitenta, as várias ramificações/"especialidades" que haveriam de enquadrar os artistas em sub-géneros.
Artistas
Físicos (exuberantes, "apalhaçados"):
Jim Carrey
Artistas
Observacionais (brincam com o quotidiano):
Jerry Seinfeld
Artistas com
Personagem (mais teatrais, usando personagens):
Andy Kaufman (este é menos recente)
Artistas
Políticos (assumidamente "parciais" e comprometidos, e preocupados com a mensagem):
Bill Hicks (herdeiro da linha
Lenny Bruce);
Artistas
Estarolas (grandes patetas inconsequentes):
Johnny Blowjob; Burt Cock Sucker; Jenny Huge-Dick ou Lance Ass Hole. *
Foi um autentico
boom, o que se viveu nos EUA, com o advento dos anos 90. De repente, o género ganhava dignidade própria, tornara-se, de corpo inteiro, uma nova forma de arte.
Mas a história não acaba aqui. No próximo
post, tratarei dos espantosos anos 2000...
*
estes artistas e o género "Estarolas" não existem. Era só para ver se vocês estavam atentos...
Net dependências
Pois é. Nesta era de comunicação cibernética, ficamos completamente reféns das tecnologias. Este
post é só para dizer que ando com dificuldades de acesso à internet em casa e é por isso que a escrita aqui, no Cromo, anda tão irregular. Como dizem na tv, "Por motivos alheios à nossa vontade, não somos capazes de..." Ficam as minhas desculpas.
Até breve.
Stand Up for Your Rights!
Stand Up Comedy é um género muito específico de humor. Literalmente, significa: "comédia de pé". E é tão simples como isso. Um homem, ou mulher, de pé, sem artifícios, nem cenário, faz o possível para fazer o público rir. Diz-se que o género começou nos clubes nocturnos e
cabarets ingleses e norte americanos
, nos quais havia apresentadores que anunciavam a próxima atracção, fosse ela um ilusionista, ou uma dançarina exótica chamada Gina Bambolina. Os apresentadores tentavam queimar tempo (para permitir a mudança de cenário) e, nesse processo, contavam umas piadas à boca de cena. Com o correr dos anos, o aperfeiçoamento das capacidades dos apresentadores fez com que estes passassem a ser o novo centro das atenções, em detrimento das vedetas mais despidas. Daí, até o artista "de pé" (sem nunca largar o
cabaret natal) passar a ocupar os pequenos palcos de bares e tertúlias urbanas, foi um passo. O género ganhara autonomia. Mas ainda estava na fase do gatinhar. O passo seguinte, foi descobrir-se que o humor (como tudo o que é inteligente na vida) tinha um lado social, político e, muitas vezes, subversivo, e a
stand up não podia ser excepção. Os conturbados anos 50 e 60, nos EUA foram disso testemunho, assistindo ao surgimento dos primeiros
stand up comedians políticos, dos quais se destaca
Lenny Bruce, cuja obra deixou marcas até hoje. Se, no princípio, foram vistos com desconfiança ("Por que é que este gajo vem para aqui falar de política?") rapidamente se percebeu a força mobilizadora das suas tiradas contra a hipocrisia moral dos poderes instalados, fosse atacando o racismo, a homofobia, o McArthismo ou o falso puritanismo reinantes.
Lenny, perceberam-no as forças no poder, era mais que um incómodo. Era uma ameaça. E tinha que ser tratada como tal. No país da liberdade de expressão não se podia (abertamente) atacar o discurso político de um artista. Logo, as autoridades resolveram fazer-lhe o cerco, mas só o detiveram e levaram a julgamento por... imagine-se!... dizer palavrões em público. Dizer "broche" num espectáculo foi a causa do primeiro de muitos julgamentos e prisões em que
Lenny se viu enredado. É caso para dizer: "Granda Broche!" Seja como for, se hoje nos EUA, os artistas de
stand up podem dizer as coisas mais desbragadas e ofensivas, sabem bem a quem devem esse direito: a
Lenny Bruce, pai da
stand up moderna, que acabou por morrer falido, exausto e cheio de dívidas, com uma overdose de heroína (a menos que gostem de teorias da conspiração...).
A
stand up comedy é, ou deveria ser, isso mesmo. A denúncia do que vai mal, o ataque aos poderes instituídos, o permanente pesadelo da ordem instalada. Por isso, é fácil compreender que, na verdade, em Portugal, este é um género que está em expansão mais em quantidade, que em qualidade. Num certo sentido, estamos a dar os primeiros passos.
Falemos do "Levanta-te e Ri" e da minha recente participação: Afrontar uma plateia, questioná-la e fazê-a questionar-se, pode ser um acto de coragem ou de estupidez (ou ambas). Pode trazer atenções, mas também processos judiciais e marginalização no "meio". Mas foi, no meu caso, uma atitude deliberada e consciente. E que pretendo manter no futuro. A luta de
Lenny não acabou. E a prova disso foi um adolescente borbulhento, que veio ter comigo no final (a rir-se, com os nervos) e que disse: "Epá... Vou-te dizer isto... Não me leves a mal. Tiveste piada, mas tens que arranjar coisas novas!". Eu disse-lhe que sim, que precisava e, para dentro, sorri reflectindo: "Estou no bom caminho."
Pensem nas palavras:
Stand Up Comedy. Stand Up. Erguer. De pé. Fazer frente. Afrontar. Afrontar e fazer rir. É o que faço.
Tenho uma profissão do c******!
(
repararam que não escrevi "caralho"? Podia tê-lo feito, mas não fiz).
Forum Cromático
Gostava de saber a vossa opinião sobre a minha participação no Levanta-te e Ri de hoje. Usem o sistema de comentários para esse efeito. Elogiem, opinem, critiquem, arrasem. Mas usem a vossa liberdade de expressão. Estamos num país livre.
Por enquanto.
Batanetes
Já sabiam?
Existe mesmo uma família cujo nome é "Batanete". Desde que o programa homónimo na TVI começou, queixam-se de serem gozados e olhados de maneira diferente. Até aqui, tudo normal. Mas este é um país de gente que sabe aproveitar as oportunidades que espreitam em cada esquina. Vai daí, esta família com um simpático e pitoresco nome resolveu pôr a TVI em tribunal, exigir o fim do programa e (presumo) pedir uma indemnização avultada. Caramba, eu sou insuspeito para defender a TVI... até porque é notoriamente uma estação que coloca os interesses dos accionistas acima da liberdade de expressão dos seus comentadores (nem é preciso dizer mais, pois não?). Mas só consigo pensar: Alguém chamado "Batanete" põe a TVI em tribunal? Já viram o ridículo da situação? Não deveria antes pôr os próprios pais? Faz lembrar aquele tipo que estava insatisfeito por se chamar João Merda e que teve de lutar muito para poder mudar de nome. No final do processo, quando questionado sobre que nome adoptaria para o futuro, respondeu: José Merda.
Hoje vou estar no
Levanta-te e Ri (não sei precisar a hora exacta) na Lousã. Por isso, só volto a escrever aqui na terça feira.
A mulher mais poderosa do país
...deixou de o ser.
Manuela Ferreira Leite, ex-ministra das finanças, idolatrada pelo PSD, enquanto símbolo da austeridade e rigor orçamental, detestada por todos quantos sofreram na pele as consequências das suas decisões... está à beira de cair no esquecimento definitivo.
A Dama de Ferro de Durão Barroso cometeu dois erros políticos (fatais, quando se é de um partido-saco-de-gatos, como o PSD): deixou que em si se corporizasse a imagem do país de tanga e não disse "Amen" a Santana, quando este apareceu, disposto a destruir todo o seu trabalho.
É Karma. A senhora esteve para ser delegada ao congresso do partido, lugar humilde para alguém que foi tão importante... mas já nem isso vai ser. A razão? Esqueceu-se de pagar as quotas do partido.
Aquilo é mesmo uma cambada despudorada de pulhas, ou é impressão minha?
O meu primeiro instinto foi sorrir, mas depois só consegui sentir pena. Dela, do PSD e de todos nós, que estamos entregues a esta gente.
Paz à sua alma.
Nota: Eu acho, como achava, que as políticas da senhora estavam erradas e pecavam por miopia. Mas não foi o shô Presidente que disse que este governo só seria nomeado, na condição de continuar as políticas do anterior?