Viva Santana Lopes!
(Chamei a vossa atenção? Óptimo)
Já tenho as datas dos espectáculos no Porto:
16, 17 e 18 de Dezembro, pelas 23.30. Não há desculpas.
Vão ao teatro. Não é um conselho genérico. Apresento sugestões concretas de teatro de excepcional qualidade que está em cena em Lisboa, neste preciso momento:
Na Comuna (Praça de Espanha) está em cena um dos melhores espectáculos do ano, "
A Cabra", com um texto extraordinário e interpretações sem mácula. Faz-nos rir, faz-nos pensar, toca-nos e inquieta-nos.
No espaço da Garagem, o Teatro Meridional leva à cena "
Para Além do Tejo", criada a partir de improvisações por uma equipa de alto nível (encenação, actores, músico). É particularmente interessante, por ser uma abordagem despretensiosa da técnica da máscara, em que os actores comunicam (quase) sem recorrer à palavra.
Quanto a mim, hoje vou fazer uma borla a todos os refugiados que queiram vir para Portugal. Não é bem o que estão a pensar. Vou entrar, como actor, num anúncio para sensibilizar a malta para o drama dos refugiados de todo o mundo. E faço-o com todo o prazer.
Definam-se!
Ora aqui está uma proposta divertida e pedagógica. Sempre quis saber se é de esquerda ou direita? E o que é isso, de ser de esquerda ou direita? (Meninas, a esquerda é a mão que tem o anel de casamento. Rapazes, direita é a que usamos para... vocês perceberam, não é preciso ser gráfico) Mas politicamente falando, ainda fará sentido essa concepção do Mundo, dividido entre as pessoas que são bem formadas, e as de direita? Se querem respostas a todas estas perguntas, experimentem fazer o teste que está aqui, no
site do Público. Pode ser que se surpreendam...
Já me esquecia! O seu a seu dono: foi o Samuel quem primeiro me falou no site. Outra coisa: Usem o sistema de comentários para opinarem sobre os resultados.
Stand up for the comedy Conclusão
Os anos 2000 têm sido interessantes de seguir no que diz respeito à
stand up comedy. Mas voltemos um pouco atrás, e lembremos os grandes marcos, porque tudo tem um passado.
Lenny Bruce, já o disse, foi o percusor do género. Lutou contra a extrema direita americana, denunciou o racismo, a homofobia e o puritanismo sexual (hipócrita) dos "bons costumes" do seu país (vejam o filme
Lenny, com
Dustin Hoffman);
Andy Kaufman veio baralhar o jogo, confundindo deliberadamente o público, usando uma linguagem que variava entre a extrema erudição e a caricatura grotesca, incentivando a leitura, apelando a todas as formas de cultura, e rejeitando o sistema de mercado que o tentou engolir (vejam "
Man on the Moon", com
Jim Carrey);
Bill Hicks pegou no legado de
Lenny Bruce e fez um percurso na mesma linha, mas indo mais longe, em termos de comprometimento político, personalização da crítica e atacando as grandes corporações. Adepto da teoria da conspiração, ajudou a desmontar alguns mitos recentes, como o caso
Wacco, o
Unabomber, ou a manipulação dos media pelo complexo militar (consultem o site
sacredcow.com para terem acesso a vídeos e depoimentos sobre
Bill Hicks e sobre a (desconcertantemente lógica) teoria da conspiração);
Todos estes tipos tinham coisas em comum: Estavam à frente do seu tempo; só parcialmente foram compreendidos (todos lhes pediam que fossem mais "acessíveis" ao grande público); rejeitavam a ordem estabelecida; tiveram problemas com a justiça; e morreram precocemente (
Lenny: overdose;
Kaufman: cancro;
Hicks: cancro do pulmão). Irónico, não?
E agora? Já não há génios vivos? Um nostálgico diria que não. Mas isso estaria longe da verdade. Porquê?
1. Porque material, motivos de gozo e crítica não faltam (pense-se em
George W. Bush)
2. Porque nunca houve tantos génios (não tenhamos medo da palavra) a trabalharem ao mesmo tempo e a serem vistos por tanta gente. A televisão por cabo (cá, como nos EUA) alargou e acelerou brutalmente a projecção mediática dos artistas.
3. E porque efectivamente eles (os génios) existem (se bem que a maior parte seja ainda desconhecida em Portugal) Têm dúvidas? Então, aqui ficam umas sugestões para investigarem:
Seinfeld (sic radical e sic comédia): embora a série já tenha uns anitos de idade;
The Daily Show, com
John Stewart. (Não é
stand up? Claro que é! Reparem: toda a estrutura do programa é típica do
stand up (e nem seria difícil imaginar em palco) simplesmente, substituem a explicação/preparação da piada política pela exibição da imagem real do político a falar. A seguir,
John Stewart comenta, dando a
punchline (ou exprimindo apenas discordância ou incredulidade). O uso do formato de telejornal reforça a ironia do programa, mostrando a facilidade de desmontar o discurso político e, ao manipular, mostrando que a realidade que nos chega (nos "verdadeiros" telejornais) é, também, manipulada. Subversivo? Brincas!?
Lewis Black: (que também colabora com o
Daily Show) é o típico judeu nova-iorquino, cínico, agressivo e corrosivo na interpretação política do mundo.
And so on, and so on...
Sem ser
stand up, há obras de culto que não podem deixar de ser sugeridas (nem todas dos anos 2000, obviamente). Se não conhecem, ponham-se a investigar, porque isto são autores de comédia obrigatórios:
Rowan Atkinson; The Office; Monthy Python; Michael Moore; Luís Delgado
(estão atentos?)
E Portugal?
Também não nos podemos queixar. É verdade que ainda há poucos meios e pouca diversidade na oferta (mas apesar disso, nunca houve tanta). Se pensarem nisso, estamos e viver a maior explosão humorística desde o "Tal Canal". Só que, agora, há mais escolha: Gato Fedorento;
Cabaret da Coxa; Pedro Tochas; Nilton; Aldo Lima; Bruno Nogueira;
Moi même... (perdoem-me a ousadia)
E reparem que estou a excluir as ofertas mais populares (Batanetes; Malucos; Tonecas, etc..) bem como muitos outros
performers conhecidos do grande público (que prefiro não nomear).
Há muito humor e muita vontade de o consumir. Toda a gente quer fazer humor. A ti, caro leitor, cabe escolher e investigar, para que não tomes o trigo pelo joio, o plágio pela genialidade.
Na realidade, se olharmos em volta, provavelmente concluimos que ainda estamos na Idade Média da
stand up (e do humor) em Portugal, mas a receptividade do público mostra que estamos em evolução. E esse processo, de triagem pela qualidade, de amadurecimento e aperfeiçoamento do trabalho... Não é uma miragem de futuro. É um desafio do presente.
Não é assim tão mau, estarmos em crise...
Afinal, esta era de genocídios, guerras, discriminação, doença e morte é o melhor período de sempre da História do Humor. Aproveitem!
Como diriam os
Monty Python: Always look on the bright side of life!