Seja bem-vindo quem se vier por bem
Fim de semana
De acordo com o contador que tenho neste
blog, o meu número de visitantes desce bastante nos fins de semana. Claro que eu tento sempre escrever, mesmo sabendo que não vou ser lido imediatamente, porque sempre tenho alguns leitores, mesmo aos fins de semana. E ainda há aqueles que gostam, logo na segunda de manhã, de ler os posts que escrevi no fim de semana. É claro que é uma sensação algo estranha, imaginar que há dias em que não estou a ser...
Espera lá... á... á... O que é que se passa aqui...? i...? i...? Está tão escuro aqui... i... i... Está aí alguém? ém...? ém...? Eco...? Eco...? Eco...?
Experimentem ler em voz alta:
Há cá eco aqui?
Há cá eco, há!
Mas que eco há aqui?
Há o eco que há cá.
Evoluções
Evolução 1
Existe nos Estados Unidos uma corrente que defende que nas escolas e faculdades não se deve ensinar a teoria da evolução. Isto é verdade, eles acham que não é possível demonstrar as teses de
Darwin e, por isso, defendem que elas não sejam, pura e simplesmente dadas no sistema educativo. Em contrapartida, apostam na interpretação literal da Bíblia, como fonte de ciência. Alguns exigem que a Teoria da Evolução deixe de ser leccionada; outros, mais "liberais", já ficarão satisfeitos se a Tese Criacionista for dada com a mesma dignidade que a Teoria da Evolução. Note-se que não se trata, apenas, de exigir que as crianças tenham acesso a educação religiosa. O objectivo é que Adão e Eva passem a constar dos livros oficiais de Ciências da Natureza!
Um grande adepto desta escola é, sem surpresas, o reeleito presidente, George W. Bush. E, no caso dele, essa posição até é coerente: olhando para o senhor, até eu duvido que o Homem Moderno seja o fruto de qualquer espécie de evolução.
Evolução 2
Uma vez que já bati na direita religiosa evangélica, agora é a vez da esquerda folclórica: Por falar em evolução, no espectro oposto, também há quem se comporte, como se a espécie humana tivesse que "evoluir" inevitavelmente para o
Homo Sexualis. Muitos
gays (de esquerda e direita, claro) acham-se no direito de olharem de cima para baixo, para os heterossexuais, como se estes fossem uma espécie de aberração primária, condenada ao extermínio. Exemplos de comportamentos heterofóbicos:
1. a ideia de que é urgente apostar na descriminação positiva dos homossexuais;
2. o "policiamento" politicamente correcto da linguagem, com a recriminação do palavrão (tema tratado nos comentários do
post anterior) que condiciona a liberdade de expressão e aponta para um "pensamento único", controlado, ele próprio tendencialmente fascista.
3. a atitude elitista de criação de
guettos de luxo (bares, discotecas, etc..), onde só se é bem vindo se se pertencer à "classe" - comportamento profundamente descriminatório, aliás;
4. a actuação organizada em
lobbie, que dá preferência à orientação (homo) sexual, em detrimento da competência (prática que já se sente em vários meios).
5. comportamentos provocatórios, ou acintosos para os não-
gays, do género: "Não sabes o que é sexo, até experimentares..."
Felizmente, temos um governo de direita, apologista da família e conservador. Senão, com tanta lata e capacidade de organização, um dia destes ainda teríamos um homossexual no Governo. Deus nos livre!
Evolução 3
A piadinha do paneleiro. Eis uma receita de sucesso! Independentemente de ficar chocado com a heterofobia, não aprovo, lá por isso, a homofobia. Cada um é livre de ter as fobias que quiser, mas que isso não nos retire a inteligência. Quem não gosta de homossexuais está no seu direito. Quem não está para aí virado, salvo seja, tem toda a legitimidade. Mas acompanhem-me neste raciocínio: "Se eu estou feliz e realizado com a minha sexualidade, não preciso de temer o convívio com pessoas com outra orientação sexual. Se a ideia de privar com homossexuais me faz tanta confusão, que até fico transtornado, então talvez não esteja assim tão feliz e realizado com a minha sexualidade"... E aplica-se a máxima: "Quem desdenha..."
Na mesma linha, o nosso humor está pejado da piadinha do paneleiro. Estamos, aliás, a atingir um nível de saturação próximo da náusea. Lembram-se do "Levanta-te e Ri"? Quantos tipos não aparecem lá, a dizer: "O Carlos Castro acha que eu sou uma merda. Agora, estou à espera da opinião de um homem." Como argumento, a humilhação é sintoma de fraqueza. E há maneiras mais originais e inteligentes de abordar o assunto (penso, aliás, que o demonstrei). Se deixássemos de ter que ouvir tantas piadas ao Castelo Branco (que nem esconde nada, ao contrário de outros) isso sim, seria sinal de que estamos em evolução.
Evolução 4
Para gáudio de muita gente (Israel, governo e parlamento palestiniano e directores de estações de tv), Arafat lá fez o favor de morrer. Dizem os sábios da análise política internacional que a morte do líder histórico da OLP abre uma janela de oportunidade para a paz entre Palestinianos e Judeus. Comenta-se, na sala oval e nos estúdios dos telejornais, que a morte desse grande terrorista vai permitir, para o processo de paz, uma evolução. Concordo, mas apenas parcialmente. Para que haja uma evolução em direcção à paz, falta ainda morrer outro senhor, também terrorista, o roliço Ariel Sharon. Ouviu, senhor Sharon? Custa-lhe assim tanto fazer o jeitinho? Estamos à espera...
Olhem-se ao espelho!
Melhor: vejam-se ao espelho. Ver é mais profundo que olhar.
Hoje, vinha a subir no elevador e enfrentei-me ao espelho (de resto, o que é que se pode fazer num elevador, não é?). E dei por mim a questionar-me: "Quanto de ti é que morreu, de ontem para hoje?" A pergunta não é filosófica. É muito real e concreta.
O nosso organismo, como todos os organismos vivos, é composto por células que têm um tempo de vida. As nossas células vivem... e morrem. Todas elas. Se continuamos vivos, é porque temos a capacidade de substituir as células que vão morrendo, por células novas, sejam células de pele, neurónios, carne, ossos, sangue ou órgãos. E, se morremos, é porque com a idade, deixamos de ter a capacidade de substituir as células mortas com o ritmo necessário.
Sim, porque o nosso corpo não é (nunca é) uma realidade fixa. O espelho engana, mas as células dos meus olhos, por exemplo, não são hoje as mesmas que eram há uns meses. Todo eu já morri e renasci umas centenas de vezes. E nem dei por isso! Pensamos que conhecemos o nosso corpo mas, apesar de haver alguma continuidade na aparência, todo ele está em constante transformação: nascimento, desenvolvimento, morte.
A expressão: "Para morrer basta estar vivo" ganha todo um novo significado, não é?
E outras, como: "A menina dos meus olhos"; ou "Aquele tipo nunca vai mudar"; ou ainda "Nunca mudes, pá!", pelo contrário, a esta luz, parecem um bocado ridículas.
É aterrador olhar para o meu muito estimado sexo, por exemplo, e pensar que ele já morreu sem eu dar, sequer, por isso.
Mas é revigorante saber que ele tem uma (quase) infindável capacidade de, qual fénix, renascer das cinzas.
Moral da história: Se o nosso corpo, independentemente da nossa vontade, está sempre a mudar, então nunca é tarde para tentarmos corrigir os nossos defeitos. Se a mudança está inscrita no nosso código genético, então aproveitemos isso.
Nem o pai morre...
(Em protesto, ia parar uns tempos com os
cartoons, mas eu sou um coração de manteiga)
Eu sou um tipo bastante pacífico
...E há poucas coisas que despertem o meu lado homicida. Mas, por vezes, há situações tão aberrantes que o recurso à violência até parece, aos meus olhos, um mal menor. Olhar para o George W. Bush, triunfante, a rejubilar com uma vitória eleitoral é uma delas. Outra dessas raras situações é, mas apenas na aparência, menos nefasta para o mundo. Estou a falar, naturalmente, da apresentadora do programa "Quiosque", na 2.
Em ambos os casos, uma bala certeira faria mais justiça, que dezenas de
posts irados, como este. Sobre o George Bush já muito se falou. Falemos, portanto, da menina do "Quiosque": além da notória falta de capacidade e do total amadorismo, ela brinda os nossos filhos (a minha filha!) com um paternalismo histérico, só ultrapassado pela maneira atrasada mental como fala. Não sou o Gomes da Silva. Mas acho que é caso para exigir a intervenção da Alta Autoridade para a Comunicação Social. São os filhos deste país que estão em jogo!
Repararam? Hoje não há cartoonzinho, nem fotomontagemzinha para ninguém. Sem comentariozinhos vossos, não há plagiozinho das imagens alheias para ninguém! (versão fracasassada de: "Sem bracinhos, não há bolachinhas!")
Então, mas isto é assim?
Anda aqui um gajo à procura de imagens divertidas e originais...
Anda aqui uma pessoa a expor-se a si, e ao seu trabalho...
Anda aqui um tipo a pensar no que é que há de escrever...
Anda aqui um homem aflito para escrever (quase) todos os dias...
Anda aqui um tecno-céptico a esfalfar-se para que o blog tenha um
look catita...
E tu limitas-te a ler e voltas à tua vidinha?
Estou a falar contigo. Sim, contigo, não vale a pena sorrires e desviares o olhar. É contigo, sim senhor. Eu sei que tu estás a ler isto: o contador é como o algodão, não engana. Que pasmaceira é essa, pá? Não achas que é um bocado passivo, isso de leres e guardares para ti? Não achas? Então?!
Por que é que não falas um pouco? Por que é que não usas o sistema de comentários? Eu sei que não parece mas, às vezes, a escrita é uma actividade muito solitária. Sobretudo quando ninguém nos fala, ninguém nos liga, ninguém reage, ninguém discorda, ninguém critica. Um tipo sente-se Calimero, porra!

Pois é. Ainda não caibo em mim de contente com a vitória do Bush. Garanto-vos que continuo a pensar na lista de coisas boas decorrentes de ele ter ganho, mas é um trabalho difícil e moroso...
Novidades: Lá consegui acabar o texto "bloqueado" em que estava a trabalhar. Passava das sete da manhã. Mas quando um tipo acaba o que quer que seja depois das sete da manhã, é porque o que fez ou é genial, ou é mau demais para ser verdade (o tempo dirá).
A Susana e eu fomos convidados a assitir à magnífica - Gala do Cinema, na Sic, no Casino do Estoril. Saímos de lá meio tristes, com a sensação de que, com um pouco mais de organização, aquilo até poderia ter sido interessante. Mas não foi. Ao menos, à pala disso não vi a segunda parte do meu Sporting, que acabou por levar três secos. Para os lagartos mais supersticiosos, até pode ter sido bom: a última vez que o Sporting perdeu por três, no Porto, foi num ano em que, curiosamente, Sporting, Porto e Benfica tinham os mesmos pontos... E foi simplesmente o ano em que o Sporting acabou por tornar-se campeão, ao fim de 18 anos de jejum. Mas eu não sou supersticioso. Preferia ter ganho. Parabéns ao Porto.
Por falar em superstição, não sou, de facto, dado a essas coisas, mas não gosto de falar muito sobre projectos ainda não garantidos (mais por estratégia, que por medo de chamar o azar). Só por essa razão, não vos tenho falado de várias coisas em que ando metido e que, daqui a uns tempos, poderão muito bem chegar a bom porto. (Bom Porto? Esta expressão não foi feliz). Mas quando me sentir à vontade para isso, vocês serão os primeiros a saber.
A segunda feira é uma chatice
...para a maioria das pessoas. Mas para mim e para a Susana nem por isso. Afinal, nas nossas profissões, os dias de algum descanso, em vez de calharem ao fim de semana, são a segunda e, eventualmente a terça feira. Os Sábados e Domingos são dias de trabalho intenso e a única coisa chata na segunda feira é o facto de termos que deixar a miúda na creche, o que nos tira o supremo gozo de estarmos com ela o dia todo.
Ontem fiquei até tarde a trabalhar num dos textos que estavam bloqueados (um projecto de humor que pretendemos apresentar em breve) e, ao fim de muitas horas a bater com a cabeça no monitor, lá consegui "desbloquear" a coisa. Se tudo correr bem, daqui a uns tempos, voltarei a falar nesse projecto (e vocês voltarão a ouvir falar nele).
Hoje estou a fazer o mesmo processo, mas em relação à minha outra dor de cabeça do momento: um texto (ainda meio encalhado) para o "Levanta-te e Ri". Já são quase 4 da manhã. Talvez consiga resultados nas próximas horas. Não pensem que é fácil ser argumentista...
De resto, continuo a elaborar a lista de vantagens com a eleição do Bush. Até ao momento, só me ocorreram duas grandes vantagens:
1: 100.000 civis iraquianos já deixaram de se ralar com as comezinhas preocupações inerentes a estarem vivos (e de certeza que o mesmo há-de acontecer a muitos outros);
2: A eleição de Bush é um sinal de esperança e incentivo para milhões de deficientes mentais em todo o Mundo. Bush é claramente um exemplo de sucesso para a classe.
E agora, com licença, tenho que ir bater com a cabeça nas paredes.