Mea Culpa
Já se sabe que ninguém é perfeito (e ninguém quer ser um "ninguém"). Mas a forma como os erros são assumidos diz qualquer coisa sobre quem os assume. O jornal Público, por exemplo, que eu leio e aprecio, tem uma curiosa forma de se retractar. Num cantinho meio obscuro de uma página pouco lida, coloca uma coluna, com o título: "O Público errou". Repare-se que, de alguma maneira, mesmo no acto de contricção, eles dizem que o "Público", que são eles, mas também todos nós, errou. Quem errou, afinal?
Serve isto para, também eu, assumir "publicamente" um erro. Meu.
No meio em que me movo, há uma grande facilidade em embarcar na maledicência, muitas vezes não fundamentada e, até, mal intencionada. Face a isto, há situações em que só julgo depois de ver com os meus olhos... mas também há outras em que me deixo (como é humano - mas isto já soa a desculpabilização) levar na corrente e aceito, como justa, a crítica-
cliché, sem pensar duas vezes. E agora vem um pedido de desculpas:
Desculpa, Teatro da Cornucópia (no Bairro Alto). Nunca tinha visto um espectáculo teu, mas achava (como muitos) que os espectáculos que fazias eram pretensiosos, longos, chatos e herméticos. Achava que pouco fazias para merecer os subsídios que recebias do Estado, para além de usar, como arma, uma aura intelectualóide e arrogante. E isto sem nunca ter, sequer, visto um espectáculo teu. Pois a verdade é que, neste caso, o arrogante fui eu. Desculpa-me por isso.
Ontem fui, finalmente, ver um espectáculo teu, a Esopaida. E tive que me render, quer à qualidade e inteligência do texto, quer ao brilhantismo e rigor das interpretações dos actores, quer, ainda, à simplicidade e humildade do cenário. Já para não falar do génio (não temamos a palavra) da presença e da encenação do "teu" Luís Miguel Cintra. Mas também te digo, Cornucópia. Ganhaste um espectador. E um admirador. Agora, não me desiludas.
E o caro leitor, em que posição se coloca? Provavelmente, achará o mesmo que eu achava, não apenas em relação à Cornucópia, mas, neste caso, relativamente a muito do Teatro que se faz em Portugal. Em verdade vos digo: Faz-se muita merda. Mas há muita coisa boa, de qualidade e com excelência. Leitores: vençam as vossas resistências e experimentem ir ao teatro. Se quiserem, sigam estas sugestões, que não vão arrepender-se:
ESOPAIDA (Cornucópia)
A CABRA (Teatro da Comuna)
DEMOCRACIA (Teatro Aberto)
PARA ALÉM DO TEJO (Teatro Meridional)
PICASSO E EINSTEIN (Teatro Trindade)
...Porque o Teatro é e será sempre, um espaço de Prazer, Proximidade, Diversão e Liberdade. E um garante de que Portugal não se perderá de si próprio e da sua identidade. Da próxima vez que pensarem ir ao cinema e só vos aparecerem, nas carteleiras dos jornais, filmes-pastilha-elástica... Ponderem ir ao Teatro. Não se vão arrepender
(Aliás, o Público raramente "erra").
Não foi bonito
O que eu fiz não foi bonito. No último
post, ao anunciar a lista das coisas boas ligadas à eleição do
Bush, usei um esquema fácil e arrogante. Anunciei a lista... E depois não incluí nada na lista. Assim, sem pensar, usando um truque cómico, e sem pensar objectivamente. Disse que tinha feito uma longa reflexão, mas era falso. Mas tenho aqui uma oportunidade de me redimir e vou usá-la. Agora, sim, vou publicar toda a lista de coisas positivas para o Mundo advenientes da eleição de
George W. Bush como presidente dos Estados Unidos da América.
Lista de coisas boas só possíveis com a eleição de George W. Bush:
1.
A lista do Bush
Valeu a pena esperar. Após um aturado trabalho de pesquisa, estou em condições de vos apresentar a lista de coisas positivas decorrentes da vitória de George W. Bush nas eleições americanas:
Estarei louco?
Ando mesmo viciado no universo do
Pro Evolution Soccer, essa extraordinária invenção da
Playstation, e que é a mais pesada das drogas legais. Não pensem que aquilo é só bola. Também tem um lado cultural e antropológico. Não acreditam? Eu explico. Como sou um jogador fraquinho, opto por jogar contra equipas ainda mais fraquinhas que eu, para ter hipóteses. Agora digam-me: se não fosse o jogo, alguma vez na vida eu saberia os nomes da equipa de futebol da China? Ah, pois é. Até os digo de cor, se quiserem. Na baliza, está o imbatível
Wan Êt Nou. A apoiá-lo, estão os defesas
Tai Mi Âp,
Lik Mai Cok e
Bi Mai Bitsh. O meio campo é composto por jogadores de grande talento, como
Nil Daun Nau,
Wa Na Fâk e o genial
Rey Pior Mom. O ataque, esse está muito bem servido, com a velocidade de
Sukit Bitsh (irmão do
Bi Mai), a finta imbatível de
Duyô Bést, a criatividade de
Lai Kit Big e o instinto matador de
Nidei Condom.
Depois, há aqueles suplentes muito utilizados, como o
Fâk Of Beib,
o Won Pey Yu e o inimitável
Laik Mai Cok Yiniô Ass.
Mais! Sei que o treinador é inglês, e se chama
Master Bates!
Ainda mais! Até vos digo o nome do massagista:
Si Yu Sun!
O único pentágono do Mundo com 4 lados
Há quem diga que não foi um avião, mas um míssil a atingir o Pentágono, no 11 de Setembro. Há quem explique isso como parte de uma estratégia para eliminar dados comprometedores guardados na ala que foi atingida. E há quem ache que essa ideia faz todo o sentido.
Espreitem a:
Teoria da Conspiração

Todos temos um lado negro e eu não sou excepção. Há quem não saiba lidar com ele, como é o caso do
Michael Jackson, e há quem procure percebê-lo, para depois, com psicanálise, conseguir superar. Eu faço parte desta segunda categoria. E está na altura de confessar uma coisa da qual não me orgulho, mas que está aqui, dentro de mim, a gritar. Cá vai: Nem tudo o que tenha a ver com o PSD me mete um nojo profundo. Já disse. Não me orgulho disso, mas é verdade. Acho que até há coisas no PSD que conseguem ter algo de pitoresco e enternecedor. Para já, gosto do côr de laranja. É uma côr catita e cheia de vida, à qual é impossível ficar indiferente. Depois, acho um piadão ao facto de eles assumirem, tão claramente, que têm um problema com a pequenez do seu dito cujo. De outro modo, o que justificaria usarem uma pilinha erecta como símbolo do partido? É porreiro, devíamos ser todos assim, e usar
t-shirts com grandes pilas laranjas, dizendo para quem quisesse ouvir: "A minha é pequenina, mas cumpre tudo o que promete." ou "A minha é como o país: minúscula, mas com vontade de crescer". O símbolo do PSD é bem melhor que o do CDS (sintomaticamente, duas pilas a esfregarem-se uma na outra, a verem qual é a primeira a entrar no buraco). Deixemo-nos de ordinarices e voltemos ao que é importante: o PSD.
Falemos deste congresso, em particular:
O símbolo era uma pila laranja a dar à volta ao planeta Terra, apertando-o ternamente (não sei se percebi bem o simbolismo).
O lema era "Verdade". É porreiro adoptar um lema que vem sempre ao de cima. E é genial! Reparem: Se o PSD é o partido da verdade, logo... os outros ficam limitados a serem os partidos da mentira. Acabam todos partidos...
O tom dominante era laranja, o que fazia todo o sentido. Toda a arquitectura do palanque fazia lembrar os palcos do
Citizen Kane (para não falar do
Hitler) o que é bom para manter a autoridade. Por outro lado, a forma redonda do púlpito trazia à memória o
Titanic (metáfora menos feliz) ou então a imagem de um urinol (será que era um púlpito multiusos?). Seja como for, a falar ali, nem se via a cabeça do Marques Mendes (e ele deve ter-se visto aflito para suportar o cheiro ácido, mesmo à altura do nariz... grande táctica!).
Depois, foram os discursos, todos eles muito interessantes e todos eles a porem sempre os interesses do país, acima dos do partido (nem era preciso dizer, porque país e partido são praticamente a mesma coisa - talvez o partido seja um pouco maior).
E depois, claro, foi o resultado!
Santana, para grande surpresa de todos, acabou por ser eleito num Congresso (Finalmente!). Talvez tenha ajudado ter lá ido como Primeiro Ministro, não sei. Talvez tenha dado jeito não ter tido oposição interna, não sei. Talvez tenha ajudado ele ter aquele ar tão
sexy e aquela testa alta e reluzente, não sei. Ou aquele ar enfadado e a voz esganiçada, não sei. Só sei que nada sei. Só sei que foi uma grande vitória, uma magnífica
performance!
A partir de hoje, Santana já pode gritar que não tem rival à sua altura, e olhar para Marques Mendes de cima para baixo (em rigor, antes também já podia, mas agora é oficial).
Pensem nisto: é o culminar de uma carreira ascendente: Depois de nomeado Primeiro Ministro, Santana Lopes chega, finalmente, ao mais alto cargo da Nação: Presidente do PSD!
Proponho, desde já, alguns
slogans para futuros combates: "Santana à Lapa!"; "Santana Lopes à Santana à Lapa!" e "Santana é Lapa!";
Desculpem. Estou demasiado comovido para continuar. Vou ligar-me à Quinta das Celebridades, para espreitar a Primeira Dama.
Lisístrata
É quase impronunciável, não é? Mas trata-se de uma obra fascinante da comédia grega, na qual se põem a nu os podres da sociedade da altura, de um ponto de vista, ainda hoje, progressista e feminista. Em traços gerais, a história passa-se assim: As mulheres, cansadas das guerras estúpidas e estéreis, que lhes matam os filhos e levam os homens, decidem que têm que ter uma palavra a dizer. E não se ficam por menos: greve de sexo. Decidem dizer aos maridos que não há cá trangolomango, enquanto eles persistirem na imbecilidade de fazer a guerra só porque sim. No início, os homens resistem, mas depois... claro que a guerra acaba e voltam todos mansinhos para casa.
Às vezes, penso que era necessária uma coisa dessas no nosso país. Sim, porque garanto-vos, se todas as mulheres de governantes, decidissem fazer greve de sexo, em protesto pelas asneiras dos maridos, de certeza que nenhum ministro deste governo continuava a fazer asneirada.
(Ou talvez não)