ATENÇÃO, MALTA DO NUORTE!
Como me andam a surgir várias coisas, algumas das quais a cairem todas no mesmo período de tempo, neste momento não sei dizer se vou poder fazer os três espectáculos que faltam, no espaço Maus Hábitos (previstos para 16, 17 e 18 de Dezembro). Assim, recomendo à malta do norte que não queira perder a apresentação do espectáculo
Cromo Sapiens, que aproveite a minha ida, hoje, ao LAF, em Leça da Palmeira.
Informações úteis:
O LAF (lufada de ar fresco) fica em Leça da Palmeira, na Rua Óscar da Silva, 1280 r/c (93 405 40 68)
Vou apresentar uma versão reduzida do Cromo (mas com bastante material novo pelo meio).
O espectáculo começa pelas 23.00.
Lá vos espero!
Dias Históricos... pais histéricos
Para a maior parte das pessoas um dia, para ser histórico, tem que ser feriado nacional. Para mim e para a Susana, não. Basta que a Maria faça uma gracinha nova, para ficarmos todos inchados. Mas o dia de hoje (ontem) foi efectivamente histórico. Foi o dia em que a Maria foi tirar o seu primeiro B.I.
É que o B.I., vocês não estão a ver, é mesmo especial, prova que se é gente. E tem muito mais pinta que uma certidão de nascimento. O B.I. implica foto tipo passe (e como é divertido tirar uma foto a um bebé de 17 meses!) e implica, claro, a inevitável impressão digital. Estão a imaginar os pauzinhos chineses? A espessura da impressão digital da Maria é equivalente à pontinha de um deles, é delicioso! Mas atenção! Agora, a miúda tem mesmo que se pôr a pau: se roubar alguma coisa, ou cometer algum crime, arrisca-se a ser apanhada pelas impressões digitais...
Ainda hei-de perceber por que é que usamos essa expressão cleptómana, "tirar", para tantas situações: tirar o BI, tirar a foto, tirar a carta, tirar o passe, tirar um curso... Parece que nada é nosso por direito, como se tudo fosse "sacado" sem mérito a um desgraçado qualquer. Ainda hei-de tirar uns minutos (a quem?!) para me debruçar sobre esse tema.
Escreve aí uma Bio...
Os tipos da FNAC querem que eu lhes envie um textinho sobre mim e o meu percurso (presumo que para colocar no futuro DVD, ou para enviar à imprensa, juntamente com a divulgação dos resultados do concurso. Bem, este parêntesis ficou mesmo longo).
A conversa passou pela seguinte frase: "...Depois, mandas-nos uma
bio" (lê-se Bái-ó)
Num primeiro momento, achei que eles estavam a querer qualquer coisa relacionada com a minha ficha médica e estranhei. Mas depois percebi que era uma biografia. Já ninguém diz CV...
Tenho sempre algumas dificuldades com a escrita desse tipo de textos (acho que toda a gente tem, até certo ponto, mas eu sou perito em complicar as coisas).
Lista das minhas dificuldades em fazer
BIO´s (lê-se BÁI-Ó):
1 : escrevo na primeira, ou na terceira pessoa? Ou seja: "Fiz isto, trabalhei naquilo..." ou "Fez coiso e tal, trabalhou não sei onde"? Eu sei que é na terceira pessoa, mas soa-me sempre pateta. Afinal, estou a falar de mim, e não da rainha de Inglaterra!
2 : sobre o que é que falo primeiro? Da licenciatura em direito e do percurso académico/político? Do trabalho como actor? Ou das coisas que escrevi como argumentista e dramaturgo? E, se for falar do trabalho de actor, divido entre tv e teatro? E refiro que já fiz produção? E encenação? E reportagem? E
stand up? E falo nos anúncios todos que fiz, ou só nos últimos? Ou só os melhores? (Enfim, já em pequenino me diziam que tinha uma grande tendência para me dispersar)
3 : como não parecer cagão? Um gajo quer ser exaustivo e mostrar que, efectivamente, tem um percurso diversificado, mas se começa a adjectivar... parece logo um pretensioso de toda a espécie (é melhor não adjectivar).
4 : Mas ponho tudo? Ou falo só do mais importante, para que as pessoas tenham pachorra de ler até ao fim?
5 : E nomeio os espectáculos de teatro que fiz, um a um? E as novelas? E as animações? E os programas de tv?
Sonho com o dia em que possa escrever a minha Bio assim: "Miguel Barros. Fez muita coisa, mas nem tudo se aproveitou" (era sintético, não acham?)
Tenho que resolver estes dilemas ainda esta noite. Amanhã quero começar a alinhavar os tópicos da apresentação do Cromo Sapiens, no LAF, em Leça da Palmeira, que será no sábado. Será uma versão reduzida do espectáculo, mas com algum material novo. Também vão lá estar o Carlos Moura e o Baldaia, a apresentar. Além disso, pelo que percebi, o LAF tem uma onda bastante alternativa e informal, portanto, se puderem, é capaz de valer a pena aparecer.
RÉS DO CHÃO
Hoje recebi uma boa notícia. Uma óptima notícia, aliás. Um texto meu ganhou o concurso FNAC de curtas metragens. Tratava-se de um concurso nacional, em que os dois melhores argumentos para curta metragem seriam premiados com a respectiva rodagem e edição em DVD. A FNAC decidiu dividir o país em zona norte e sul (para efeitos do prémio, assegurando que se fariam 2 filmes de zonas diferentes do país) e o meu texto, chamado "RÉS DO CHÃO", ganhou o concurso da zona sul. As filmagens vão começar em breve e vou poder acompanhar o processo de produção. Dentro de algum tempo colocarei o texto no
site, para que os mais curiosos possam espreitá-lo. Como podem imaginar, o meu sorriso já desfigurou a minha cara permanentemente e a quantidade de baba que está a pingar sobre o teclado aconselha a que termine este
post rapidamente, para evitar o risco de curto-circuito. Até amanhã.
Quem adormeceu quem?
Ontem à noite, pelas 21.00, fui adormecer a minha filha. Mas acho que quem adormeceu primeiro fui eu. Até agora. Olha, é da maneira que começo a aproveitar as manhãs.
Qual é a tua, Humanidade?
Serei só eu a sentir-me assim, ou temos mesmo razões para estar desiludidos contigo?
Por que raio é que nos deixam crescer na expectativa de ver as coisas melhorarem e depois... é sempre a descer? É a isso que se chama chegar à idade adulta? Então não quero, exijo o meu dinheiro de volta!
Por que é que pensava que não haveria pior do que Cavaco... Até descobrir Santana Lopes?
Por que é que os americanos, povo amante da liberdade, elegem um carrasco fascista como Bush?
Por que é que os israelitas permitem que um corrupto assassino, como Sharon, os comande?
Por que é que os palestianianos não se conseguem entender?
Por que é que o Ocidente teima em dar pretextos a Bin Laden, para que diga que a sua luta,
contra nós, é justa?
Por que é que há seres humanos capazes de executarem uma activista dos direitos humanos que amava o país que eles dizem querer libertar?
Por que é que TODOS permitimos a crise no
Darfur?
Por que é que o sangue de UM branco vale mais que o de MILHÕES de pretos e árabes e orientais?
Por que é que a Democracia nem sempre funciona?
Por que é que o Sporting teima em ficar para trás, no campeonato?
Tantas dúvidas, tantas questões... Tão poucas respostas.
Uma boa semana, malta!
Sentido
Há um pensamento que me assusta. É que eu gosto de estar vivo. Mesmo muito. E a ideia de que cada ano, cada dia, cada hora que passa (ou que deixo passar) é absolutamente irrepetível e irrecuperável deixam-me frustrado e impotente (impotência no sentido apenas intelectual, bem entendido). Eu sinto-me privilegiado, note-se. Adoro o meu trabalho, a minha família, os meus amigos, e tenho poucos, ou nenhuns, arrependimentos dignos de nota registados no meu percurso. Por isso, sinto que até aproveito muito da vida. Mas nunca nada será suficiente, comparado com a inevitabilidade de chegar um dia, o fim do meu prazo de validade, o mesmo é dizer, à minha morte. Esse acontecimento inexorável reforça, em mim, uma vontade que é muito humana: fazer-me útil, marcar o meu tempo, usar para o bem a minha passagem por cá, por outras palavras, dar um sentido a isto tudo.
Atenção, que isto não é uma mensagem pessimista! Cada um procura esse objectivo de maneira diferente (e haverá pessoas que, legitimamente, nem querem saber de sentido nenhum para nada).
Mas é curioso que, no meio deste frenesim histérico em que vivemos, há acontecimentos que nos devolvem a esperança: Em nós, na humanidade e nessa mesma ideia de "sentido". Hoje, eu e a Susana fomos a um jantar de despedida de dois amigos. Eles, que estavam perfeitamente instalados, com empregos, automóveis, casa, filhos... decidiram mudar de vida e, durante um ano, largar tudo (menos os filhos). Agora, estão em vias de partir para Moçambique, no âmbito de uma missão humanitária, na qual vão dar aulas de Português a putos que, se não fossem este tipo de projectos, permaneceriam na total iliteracia. Fico feliz por adivinhar que, para o Zé Maria e para a Rita (é assim que eles se chamam) o "sentido" está mesmo ao alcance da mão.
Será só para eles?