Guerra Civil
Este é um post de serviço público:
No Iraque, no dia de hoje, morreram 3 pessoas. Em Portugal, no mesmo período, nas estradas, morreram 6.
Se estão prestes a conduzir, para irem para a terra, ou para voltarem para casa, por favor, tenham cuidado. Não vos quero encontrar por acidente.
Bom Natal e tenham cuidado.
Cuidado com a condução!
Excepcionalmente, o post de hoje não está aqui. Pode ser encontrado no sistema de comentários do post anterior (hoje não é dia para falar em coisas sérias). Boas Festas!
Sem MAMADA não vamos lá
Os Minaretes estão em perigo. É tempo de agir. Esperar para ver pode ser fatal, no que toca ao Taj Mahal. Vejam bem o forte simbolismo da coisa: "Taj Mahal". Apesar de ser hindu, parece mesmo português: "´Tás Mal". Não podemos ficar de braços cruzados! Temos mesmo que salvar o Minarete. Proponho que nos organizemos. Proponho a criação de um movimento nacional. Poderemos chamar-lhe
Movimento de
Apoio ao
Minarete
Asiático
Degradado ou
Abandonado. Exacto, proponho-vos MAMADA. Quem quiser ajudar a MAMADA, tem que seguir uma regra muito simples: fazer Minaretes. Fazer Minaretes (assim mesmo, cada um vai fazendo o seu) e oferecer Minaretes às pessoas. Assim, se lá na Índia aquilo for à vida, sempre ficamos com alguns em Portugal para contar a história. Os portugueses serão os últimos a desistir do Minarete. E acreditem que estão a lutar por uma boa causa. Se alguém se recusar a aceitar um Minarete vosso, não se inibam de responder: "Taj Mahal, pá".
Não tem piada
Acabo de ver, na Sic Notícias, que uma das maravilhas do Mundo, o Taj Mahal, está seriamente ameaçado e corre o risco de ruir. Os Minaretes, que conseguiram levar tanta gente ao êxtase, durante tantos anos, estão agora em perigo. Pode ser o fim dos Minaretes para toda a gente. Não tem piada nenhuma, os maiores Minaretes do Mundo estarem a desaparecer. Então, por que é que não consigo parar de sorrir?
Eis um pequeno tributo ao espírito natalício.
Gigolo Bells
(Jingle Bells)
Gigolo Bells, Gigolo Bells
Gigolo all the way
Oh, what fun
It is to come
all over someone´s face
Gigolo Bells, Gigolo Bells
Gigolo all the way
Oh, what fun
It is to come
All over someone´s face
I like to dress up smart
I sell my body, too
I have sex with a tart
Well over fourty two
I think my life´s OK
Old women find me cute
I´m honoured to say
I´m a male prostitute, hey!
Gigolo Bells, Gigolo Bells
Gigolo all the way
Oh, what fun
It is to come
All over someone´s face
Oh, what fun
It is to come
All over someone´s face!
Miguel Barros 2004
Adeus, Luís
Morreu o actor Luís Pinhão, aos 85 anos de idade, após uma infecção respiratória. Foi ao ler o jornal que soube.
Luís Pinhão começou a sua carreira de actor no final dos anos 50. Trabalhou em várias companhias de teatro, ao longo de décadas (companhia Rafael d´Oliveira; companhia Raul Solnado; Rey Colaço-Robles Monteiro; T. Nacional D. Maria II...) .
Luís Pinhão, por muito dura que tenha sido a sua vida, foi um privilegiado. Afinal, foi ele quem inaugurou a obra-prima de Raul Solnado e Armando Cortez, a Casa do Artista. Luís Pinhão teve uma velhice digna. Muito solitária, mas digna.
O último espectáculo em que participou, uma encenação de Ana Tamen, teve lugar no Teatro da Trindade em 2001. Chamava-se "O Romper do Dia". Desde então não mais pisou os palcos.
Foi por essa altura que conheci o Luís. Era um cavalheiro. Castiço, bem humorado, nobre nos gestos e nas palavras. Nos ensaios e sessões de "O Romper do Dia" senti-me privilegiado por poder contracenar com ele. O Luís Pinhão, nunca tendo sido um "ídolo", uma "
pop-star", ou um galã, era muito mais que isso. Era uma referência, um exemplo de persistência e dignidade no trabalho. Era divertido vê-lo em palco. Divertido, mas arrepiante. Por vezes, fazia longos silêncios, claramente à procura mentalmente da próxima deixa. Em pânico controlado, os outros actores recorriam ao improviso e davam-lhe uma ajudinha, em cena: "Não me diga que ia agora falar sobre as flores!.."
Mas ele estava lá, entre nós. Participava nas chalaças, sofria com os mesmos nervos que nós, tolerava as nossas ocasionais brejeirices e, não raramente, mandava uma piada ao mesmo nível. Era um de nós. E toda a gente gostava de fazer parte do grupo de pessoas em que o Luís pontificava: os actores.
Nunca mais o vi desde 2001. Dei por mim a perguntar-me: "Será que ainda é vivo?". Nunca fiz o esforço de ir visitá-lo (apesar de saber da sua grande solidão). Não vale a pena escrever que me arrependo.
Em muitos aspectos, Luís Pinhão morreu, de facto, em 2001. Nunca mais fez teatro, nunca mais foi chamado à televisão, nunca foi homenageado, nunca mais deu sinais de vida... nunca mais ninguém se lembrou dele.
Faz sentido, de facto. Faz mesmo todo o sentido, a maneira como nós lidamos com os nossos velhos. Esse padrão, que nós praticamos diariamente e que transmitiremos aos nossos filhos, será a nova norma social. Mas faz sentido. Se não pensarmos em velhice, se não pensarmos e não cuidarmos dos avós de Portugal... então tudo vai correr bem e nem temos que preocupar-nos com nada. Longe da vista, longe do coração, não é? Se tudo correr como planeado, ao contrário do Luís Pinhão, nós vamos ser eternamente jovens e nunca vamos chegar a velhos.
O Porta-Chaves
Li ontem no jornal que Luís Marques Mendes desancou o PS num jantar partidário. Disse deles qualquer coisa parecida com um
sketch televisivo: "Eles falam falam, falam, falam, falam..."
Mais! Disse que "Sócrates não tem uma única ideia na cabeça"! (sic)
Marques Mendes anda tudo menos original e é preciso que alguém o avise, como amigo. Eu presto-me a isso, porque gosto sempre de ajudar os pequeninos:
Dr. Marques Mendes, toda a gente com o mínimo de conhecimentos de filosofia clássica sabe que Sócrates não tem uma única ideia na cabeça. Se não estou em erro, até foi Sócrates que disse "Só sei que nada sei", frase que funciona como pedra angular do pensamento moderno.
Nota: Foi de uma extrema incorrecção intitular um post sobre Luís Marques Mendes com uma fórmula tão boçal como "O Porta Chaves". Foi mais forte do que eu, mas devo pedir desculpa aos leitores por ter utilizado as características físicas de alguém como motivo de chacota. Não se faz. Até porque, para ser sincero, tenho que dizer duas coisas:
1. O verdadeiro Porta-Chaves da política é Pedro Santana Lopes (porque no dia em que Chaves bateu com a Porta, nem o Portas amparou o Governo).
2. A estatura de Luís Marques Mendes não o diminui. Pelo contrário. Ele tem a estatura ideal para um conjunto de actividades bastante úteis, recreativas e agradáveis. As minhas desculpas.
O pobrezinho perde validade depois do Natal
Eu sei, eu sei... O título deste
post é muito cínico. Era só para chamar a atenção.
Já repararam que bastou entrarmos uns diazitos em 2005, para que a generosidade natalícia perdesse fulgor? É que os pobrezinhos perdem encanto, depois de 26 de Dezembro, é um problema que eles têm... Claro que agora anda tudo atento à Ásia, mas isso é (felizmente) conjuntural e não tem nada a ver com o Natal.
Nem sempre é assim. Há quem faça trabalho solidário durante todo o ano. É o caso das organizações assistencialistas que acabam por fazer aquilo que era obrigação do Estado. Essa malta que abdica do seu tempo e se dispõe a ajoelhar-se para servir o próximo e deixá-lo com um sorriso (Banco Alimentar, Comunidade Vida e Paz, Médicos sem Fronteiras, José Castelo Branco) é que merece todo o nosso apoio e respeito. Aqui há umas semanas eu e a Susana fomos a um jantar a casa de um velho amigo. Inicialmente, o mote da noite era uma troca de prendas (de valor simbólico). Mas rapidamente a coisa ganhou outro sentido, e decidiu-se que toda a gente ficava de trazer roupa que já não usasse (mas em bom estado) e leite, para entregar à Comunidade Vida e Paz. O grupo era grande e acabámos por reunir uma quantidade apreciável de bens, o que foi muito porreiro. Sugiro-vos que façam o mesmo (não apenas, é óbvio, no Natal). Até é bem simples, basta contactar a Organização da vossa preferência, perceber o que é que lhes faz mais falta e marcar o jantar.
Fiquei muito feliz por poder contribuir para um mundo melhor. Além de ter despachado uma catrefada de roupa velha e libertado espaço no roupeiro, sei que, daqui a uns dias, vou poder encontrar na rua um indigente qualquer, provavelmente drogado, com as minhas roupas vestidas. Se ele me cravar uns trocos, respondo: "Só se me pagares pela roupinha que trazes no pêlo, seu malcheiroso!"
Sim, porque eu acredito mesmo na solidariedade: faz-nos sentir bem, enriquece-nos humanamente e aumenta as nossas hipóteses de ir para o Céu. É um bom investimento a longo prazo.