Precisamos debater uma
OS EMPATAS
Como estava nos ensaios (os actores vivem a contraciclo com o comum dos mortais, como os vampiros) não assisti ao debate Socrático-Santânico.
Claro que no fim quis saber quem ganhou. Reconheço que é um bocado imbecil achar que os debates se ganham ou perdem (porque isso depende muito da simpatia de quem vê e comenta) mas também sei que os comentadores e a opinião publicada influenciam, com as suas análises (também elas subjectivas) a opinião das pessoas.
De acordo com o que li nos jornais de hoje, parece que foi um empate.
O "Público" diz mesmo que, por as expectativas em relação Santana terem sido tão baixas, ele acabou por sair favorecido com a sensação geral de equilíbrio.
Atrevo-me ter outra análise: Se Santana passou as últimas semanas a queixar-se que Sócrates tinha medo de debater porque alegadamente o debate seria o seu maior trunfo... então o equilíbrio beneficia Sócrates, que esvaziou o principal trunfo do adversário. Se eles mantiverem ambos o
score que já traziam, então Sócrates continua à beira da maioria absoluta, e Santana à beira de um desastre só comparável, em dimensão, ao tamanho do seu ego.
Mas isso são conjecturas e não interessa para nada.
Mas eu sempre acabei por ver o debate! Lá para as duas da manhã, a Sic Notícias passou uma repetição. E vocês perguntam qual é a
minha opinião. E eu digo-vo-la (que lindo, digo-vo-la!).
Empate. Eles empataram, empataram-se, empataram tempo, empataram-me a mim e empataram-nos a todos.
Debatem leve, levemente...
(eis uma foto infeliz, dado o contexto)
A foto acima exposta foi retirada do blog de José Sócrates (que moderno que ele é!). Se quiserem dar lá um saltinho, experimentem:
´Bora aí ler o gajo
Este
post, digo-o já, vai ser um bocadinho longo, mas acho que o tema justifica.
Anda-se a falar muito em boatos e na utilização da vida privada dos políticos como arma de arremesso. O caso mais recente passou pelas insinuações que Santana Lopes fez sobre o líder do PS e seu adversário directo, José Sócrates.
Deixem-me já dizer que as palavras de Santana meteram nojo, mas não é isso que surpreende. O que surpreende é a falsa inocência com que estes temas são tratados. E é agora que este
post, verdadeiramente, começa. Analisemos alguns dos chavões dos últimos dias:
1. "A vida privada dos políticos deve ser respeitada enquanto tal, e mantida longe dos holofotes e do comentário"
Concordo. Aliás, assino por baixo. Mas deixem-me dizer que não foram os "portugueses" que pediram para conhecer as "primeiras damas" dos políticos. Pensem nas "Primeiras damas" de Cavaco, Guterres e Durão Barroso. Foram esses mesmos ex-primeiros ministros que, em comícios partidários resolveram apresentá-las, retirando dessa exposição, pretensos dividendos eleitorais.
Os portugueses não reivindicaram o direito a conhecê-las. Aliás, acho que os portugueses sempre se borrifaram para isso. Mas elas foram-lhes impostas pelos políticos, como algo "natural".
Poderemos dizer que José Sócrates não expôs a sua mulher (ou quem quer que seja) em nenhum comício. É verdade, mas não assim tanto: Sócrates e o PS nunca se inibiram de puxar ao sentimento das pessoas, recorrendo à vida privada dos candidatos (ou apresentando candidatos cuja vida privada se torna mais significativa que eles próprios). Pensemos no caso da viúva Sousa Franco (senhora que tem, seguramente méritos e currículum, mas que, se aparece candidata nas listas do PS neste momento é por ser viúva de quem é). Note-se que a responsabilidade disto nem é dela, mas das cúpulas do PS e do próprio Sócrates.
2. "A sociedade portuguesa não pode discriminar pessoas em função da sua orientação sexual". Concordo e concordo em absoluto. Mas pensemos no conceito: "discriminação". Em que é que consiste? Justamente em prejudicar alguém por factores alheios (sexo, orientação sexual ou política, cor da pele, etc..) ao bom desempenho de uma função . Sendo assim, falar em discriminação neste caso é misturar alhos com bugalhos. Esqueçamos os políticos portugueses em concreto. Pensemos antes, e em abstracto, no Político X.
Começa a espalhar-se, o rumor de que o Político X é homossexual. Um qualquer merdas, por exemplo, num qualquer comício, diz "Ele tem outros colos" insinuando isso mesmo. O que é que acontece daqui para a frente? Ele nega ser homossexual? Então temos duas sub-hipóteses: 1: ao negar a homossexualidade, ele está a mentir (e estará, de certa forma, no seu direito) ou 2: ao negar, está a dizer a verdade (e estará, obviamente, no seu direito). Conclusão, seja, ou não, homossexual, o Senhor X tem direito a mentir! Porquê? Porque nunca se gabou de andar a seduzir mulheres e porque isso nunca foi tema dos seus discursos. E há outra razão para ele poder mentir: Porque o boato é igualmente nojento, seja ou não verdadeiro: não permite defesa e é um acto de cobardia anónima. O boato é nojento porque é boato. E a insinuação vai na mesma linha-filha-da-puta, são os dois obra de gente desqualificada. Mas não são, em si mesmos, "discriminação". O que é, então, discriminação? Simples:
O Político X é homossexual. Decide assumir-se publicamente como homossexual e acaba, em consequência, prejudicado por isso. Isto sim é discriminação.
3. "O público não tem o direito a saber da vida privada dos políticos". Concordo também, mas só até certo ponto. E esse ponto é o da coerência mínima. Exemplifiquemos, utilizando um caso extremo: Imaginem que o Político Y tem gostos sexuais minoritários, por assim dizer, e gosta de Sado Masoquismo ou de Zoofilia. (OK, quando pararem de rir eu continuo...)
O Político Y é competente? É. Puxou do tema "vida sexual"? Não. Então, eu digo: o Político Y não tem nada que ser confrontado com os seus gostos sexuais. Não é aceitável tocar na esfera da sua vida privada, ainda que essa esfera seja peluda ou use chicote.
Pura e simplesmente, não temos nada que saber.
A menos que... (Há sempre um "A menos que!")
A menos que esse Político Y, praticante da Zoofilia, ou do Sado Masoquismo (ou de ambas) utilize as armas do moralismo para ganhar votos e chegar ao poder.
A questão da divulgação da vida privada é sempre polémica. Profissionalmente, eu gosto de seguir as mesmas regras que supostamente balizam a comunicação social e que é o Código Deontológico dos Jornalistas. "Apanhei uma foto do Político Y a namorar com uma galinha! Posso publicar?" A resposta é: Depende. Depende de quê?
Depende do tipo de argumentos que o Político Y usa no seu quotidiano. Se existe uma contradição extrema entre o que ele diz, e o que ele faz... então, o jornalista tem o
dever de divulgar. Dever? Exactamente. É o que diz o Código Deontológico dos Jornalistas e muito bem. Porque temos o direito de saber quando nos estão a mentir em coisas importantes. Ora, se um tipo é conservador, reaccionário, moralista, defensor da família, condenar o aborto e repudiar o uso do preservativo... Se puser em prática políticas que condicionam a vida sexual ou reprodutiva dos portugueses (ao ponto de os/as mandar para a cadeia) e, simultaneamente, for ele mesmo, o oposto na sua vida sexual, familiar e reprodutiva, ou ajudar amigas a abortar no estrangeiro... Então...
E vocês já estão a perceber onde é que eu quero chegar.
É por isso (e só por isso) que não me inibo de tocar no tema Paulo Portas. É por isso que acho que ele tem que ser desmascarado. E é por isso que acho que os nossos jornais são incompetentes e paternalistas para com os leitores. Sob pretexto de uma falsa candura e inocência (que é mesmo falsa, garanto-vos) ficam todos arrepiados e indignados, se o Louçã (numa tirada infeliz, de resto) informa os eleitores que, ao votarem Portas, estão a deixar-se enganar na substância, iludindo-se com o pacote (salvo seja). Reparem que é com a mesma hipocrisia que esses mesmos jornalistas, ao mesmo tempo que se mostram chocados com as insinuações e boatos, são eles próprios, caixa de ressonância do lixo que sai da boca de algumas pessoas. Quantas vezes não se leu, nos últimos dias, as palavras de Louçã e de Santana? (Pois é... Inocentes? Não, o que importa é vender jornais!)
Por acaso, até acho que os portugueses são bem mais tolerantes com a orientação sexual, do que os pintam. Os portugueses não são parvos, até percebem as coisas... e não querem saber disso para nada! Num país realmente tolerante, num país saudavelmente anti-discriminação, seria banal um político assumir-se como homossexual, nem seria nada bombástico, antes uma coisa trivial. Não havia nada para esconder, não era vergonha nenhuma, nem era nenhuma "calúnia". Num país saudável, com uma imprensa verdadeiramente livre não seria preciso esconder, omitir, proteger o público de "certas" verdades. E seria visto como ridículo que os políticos gritassem que as suas vidas têm que ser salvaguardadas quando, ao mesmo tempo, arrastam as suas mulheres para cima de palanques, para chamarem "cherne" aos seus mais que tudo. Num país como a Holanda, por exemplo, a extrema direita (!) teve à frente um neo-fascista que se assumia homossexual. Aí temos um país civilizado (também é verdade que ele foi assassinado, mas percebem o que estou a dizer).
Mas voltando à vaca fria (e isto não é piada! Porra, vocês!...). Entendo que o engenheiro Sócrates não tem nada que falar sobre a sua vida íntima. É indigno e é foleiro ele ter que se sujeitar a isto. Mais! Garanto que não vou fazer humor com ele (e isto também não era piada, porra!)
Correcção: Vou gozar, e muito, com ele, mas como político... Não vou pegar-lhe no sexo (também não é piada, pá!). Não vou pegar no tema sexo. Porquê? Porque não quero saber para nada da vida sexual dele. Espero que lhe seja satisfatória, de resto. Um Primeiro Ministro mal-fodido vinga-se e fode os portugueses (ai a minha linguagem!).
Resumindo e concluindo, não sei, nem quero saber se ele é hetero, homo, bi, metro ou zoosexual. E acho mal a onda mesquinha de "diz que disse"; "li não sei onde", etc..
Borrifei-me se é bígamo, eunuco, fez voto de castidade, ou vai às putas. Não quero saber se anda com fulano, beltrana ou cigano. Porquê?
Por uma questão de respeito: Ele nunca me chateou com discursos sobre a forma como eu devo fazer amor. Faz toda a diferença, digo eu.
PS: O Papa está doente. Isto é uma não-notícia, eu sei. Mas parece que desta vez o panorama não está nada optimista. Os médicos não lhe dão mais de 20 anos de expectativa de vida...
Ok. É bem provável que o senhor vá ter com o Senhor.
Como já sei que este vai ser tema de seiscentas análises, comentários e bocas, decidi que devia ser o primeiro e partilhar convosco o meu balanço do consulado de Carol Woytila. Em poucas palavras, claro:
POSITIVO: Foi um Papa ecuménico, que soube lançar pontes com as outras confissões religiosas, mesmo as mais exóticas (judeus, muçulmanos, José Castelo Branco). Foi um Papa atento e socialmente activo, que soube rejeitar o capitalismo puro e chamar a atenção para a pobreza no Mundo.
NEGATIVO: Foi um reaccionário da pior espécie, responsável pelo atraso estrutural da igreja, pelo conservadorismo católico, pela discriminação das mulheres, pela manutenção do celibato dos padres e pela proibição dos padres casarem e pela proibição/discriminação fascista da homossexualidade e pela perseguição das mulheres que praticaram aborto e pela propagação da SIDA a milhões de pessoas em África, que morrem todos os dias por não terem usado preservativo porque o Papa lhes disse que era pecado e pelo afastamento das pessoas das igrejas e da Igreja das pessoas e pelo crescimento da OPUS DEI e pelo facto de o Porto ter sido campeão nacional tantas vezes (ah não, agora enganei-me no Papa).
Sortido rico
A operação apito dourado da PJ, que investiga a alegada troca de favores entre árbitros e o FCP (os árbitros eram convidados a irem às meninas a expensas do FCP) corre o risco de ser rebaptizada. Em vez de apito dourado, poderá vir a chamar-se chuveiro dourado.
Por falar em Porto, o que é que se passa com o FCP? E não vale a pena meterem-se comigo por causa do meu Sporting. Sim, porque eu estou habituado a perder.
Os iraquianos têm mesmo qualquer coisa de especial. Fartaram-se de levar porrada e têm o país em fanicos. Mas conseguiram ir votar, mostrando ter muito mais coragem que os americanos que, até para os bombardear, o fazem à distância. Como é lógico, o dia de hoje não justifica as atrocidades de que eles têm sido vítimas (da parte dos americanos e dos outros terroristas) mas é interessante ver que, no meio do caos em que o país deles foi mergulhado, eles ainda têm coragem e esperança no futuro.
Santana Lopes interrompeu as emissões de televisão para fazer um comunicado ao país sobre as eleições iraquianas. Será que o homem não tem noção do ridículo? Será que não percebe que há limites à demagogia numa campanha eleitoral? Se, ao menos, fosse para comunicar que ia para o Iraque...
E a campanha prossegue, morna. Sobre isso falaremos em breve. Hoje faz-se tarde e amanhã começa uma semana nova. Bom dia para todos!

Já repararam que este imbecil gosta de pronunciar: "AI- RAK?" Se a moda pega, vamos ter que falar em AI-tália, AI-nglaterra e AI-Rão. AI o AI-mbecil!