A vida está cheia de ironias
E quem duvidasse, aqui está mais uma prova:
Como já disse antes, no dia 14, que é na próxima segunda feira, eu e a Susana vamos ao
Levanta-te e Ri. Nos últimos
posts (e sobretudo nos comentários a um deles) tem surgido um debate bem interessante sobre os limites do humor e sobre o que é, ou não, considerado de bom gosto.
A propósito disso, gostava, aliás, de desafiar-vos a deixarem a vossa opinião quanto à pergunta:
"Até que ponto é legítimo usar a imagem, as características físicas, os defeitos de fala, deficiências e a orientação sexual das pessoas para fazer humor?"
(Isto num quadro de Liberdade e democracia, obviamente, mas tendo em conta o respeito que se deve ter e a salvaguarda da vida privada das pessoas)
Não é um tema pacífico. Nem atlântico, e muito menos índico!
Deixem os vossos comentários... ´Bora lá divergir (ou não)?
Mas dizia eu que a vida é irónica. Porquê? Porque , no próximo
Levanta-te e Ri vai haver um espaço na primeira parte que será uma rábula às eleições e aos políticos.
Guess What?Vou interpretar o Paulo Portas!
Guess What else?O discurso da minha personagem (que foi escrito por outra pessoa) é sobre...
...o tema boateiro dos últimos dias! E está bem mais explícito do que as piadas que eu fiz sempre que toquei no assunto. Já me foi dito que podia alterar coisas no texto (mas não posso alterá-lo todo, como é óbvio, porque das minhas deixas depende a réplica das outras personagens). E agora?
A vida está cheia de ironias...
Ironia 2:O homem não acerta uma! Santana resolveu prolongar o choradinho
à la Calimero. Desta vez, passou o dia a dizer que a imprensa portuguesa não era livre (e o próprio país e a própria democracia, aliás!). E por que é que a imprensa não era livre, mas sim tendenciosa? Porque o atacava muito, coitadito! E tudo para levar o PS ao colo! E fez isto no exacto dia em que a imprensa deu destaque a um alegado (e muito mal investigado) envolvimento de Sócrates num negócio de licenciamento de construção. Da análise dos poucos factos que já existem, ressalta que a investigação não concluiu ainda nada, pelo contrário, parece que não vai concluir mesmo nada... Aliás, qualquer pessoa atenta sente que a investigação a Sócrates parece mesmo ter sido "encomendada" para coincidir com as eleições, tal como, aliás, a notícia em causa. Sócrates? Levado ao colo?
Assim ninguém leva Santana a sério!
(o que também não é novidade)
Achtung! (santinho)
"Primeiro foram atrás dos judeus, mas eu não sou judeu e nada fiz;
Depois foram atrás dos ciganos, mas eu não sou cigano e nada fiz;
A seguir foram atrás dos homossexuais, mas eu não sou homossexual e nada fiz;
Depois, foi a vez dos comunistas, mas eu não sou comunista e nada fiz;
Por último, vieram atrás de mim. E não havia ninguém para me defender."
A intolerância está a ganhar terreno em Portugal. Mesmo.
Nunca se assistiu a tanto desprezo pelos direitos dos imigrantes, tanto moralismo sexual e a tanta receptividade aos boatos.
Não pensem que é por acaso.
Ontem, num centro comercial, passei por um momento bizarro e intimidatório, mas revelador dos tempos que vivemos: Uma senhora de idade, sentada na zona dos restaurantes, segurava bastante alto, um jornal aberto e fingia estar a lê-lo, mas não estava. Na realidade, limitava-se a olhar, sorrindo com malandrice, para as pessoas que passavam. Tinha retirado a primeira página do jornal e estava a mostrar a toda a gente uma manchete de uma notícia que estava no interior do jornal: "Sócrates mantém amizade íntima com o actor Diogo Infante". O sorriso e a forma incisiva como me olhou fizeram-me sentir que ela estava muito satisfeita com a eficácia da sua iniciativa pessoal de campanha.
Hoje reparei num conjunto de cartazes (selectivamente) vandalizados. Tratava-se de cartazes do PS, com a imagem de José Sócrates, em quem alguém tinha feito
graffitis sobre o alegado facto de o senhor ser
gay. Na rotunda das Olaias, um
outdoor do PCP foi tapado por um outro do PSD, apenas "porque sim". Cartazes do Bloco foram arrancados. E não foi só à esquerda. Os célebres narizes de palhaço (que tanta gente achou divertidos, normais e acutilantes) atingiram, e não por acaso, cartazes de todos os partidos políticos... excepto do Bloco...
A lógica é simples: "Se não gosto do que dizes, não gosto de ti. Se não gosto de ti, destruo a tua imagem (não só no papel dos cartazes, como sobretudo em termos sociais). É crime destruir cartazes? E daí?"
Apesar de haver uns menos culpados que outros, ninguém pode clamar inocência.
O humor é também um espelho da sociedade.
Ontem, no Levanta-te e Ri, a mair parte das piadas visavam as características físicas ou a orientação sexual, ou o tamanho da genitália dos nossos candidatos a governantes (e esta tendência já vem de trás). Exemplos:
Odete Santos é feia - comparação com Shreck
Ferro Rodrigues é feio - comparação com Shreck
Santana é macho - alusão ao tamanho do seu sexo
Portas é gay (?) - usa meias cor de rosa
Sócrates é gay (?) - alusão explícita a Diogo Infante como "Primeira Dama"
Vejamos. Não há sequer, coerência, nos ataques. Goza-se com Odete por ser feia, mas também se goza com Lili Caneças por fazer plásticas (se uma pessoa não tem "direito" a ser feia, mas também é gozada se quiser deixar de o ser...). Ou seja, a lógica é simples: vale tudo, desde que seja para destruir.
E depois há aquela pequena coisa que nós, humoristas, temos tendência a esquecer: Se é verdade que todas as piadas têm que ter uma vítima (real ou inventada), também é verdade que há piadas que ferem de forma grave e há, por vezes, pessoas que sofrem com o que rimos à custa delas. E que têm dificuldade em explicar aos seus filhos e amigos por que é que "aquele senhor que não conhece o pai está a dizer mal dele na TV". Temos o direito e o dever de criticar o que está mal, mas isso não nos deve diminuir em humanidade e ética profissional.
Fiquei sinceramente triste, ontem, ao ver algumas daquelas piadas. E para ser franco, fiquei triste comigo mesmo (vocês estavam a estranhar eu não tocar no assunto, não era?). Afinal, apesar de o ter feito para denunciar a hipocrisia de um político em particular, também eu, em tempos (não distantes) usei humoristicamente a (alegada) orientação sexual de um indivíduo para o pôr a nu (salvo seja). Tinha seguramente os meus motivos e acho que nunca perdi a elegância. Mas tenho algumas dúvidas sobre se tinha ou não o direito de fazer o que fiz. Até porque esse acto fez-me, de alguma maneira, descer ao nível dele. De certa forma, contribuí para a corrente moralista e coscuvilheira que assola Portugal.
Mea Culpa.
Mas garanto-vos que vou fazer um esforço para mudar isso.
(Se bem que não seja fácil, caraças! Hoje o Portas disse que "Sócrates estava a tentar "amolecer" os eleitores do PP" - as piadas que isso daria!)

"Oh, não! O Miguel está a ficar um chato!"
Frases feitas
As frases feitas são por natureza exageradas. Por exemplo, "É Carnaval, ninguém leva a mal!"
Ora aqui está um exagero. Não só nem tudo é susceptível de ser levado a bem (e há muitas coisas que me ocorrem) como há muita gente que não gosta do Carnaval, pelo que leva as coisas tão a mal nesse período como noutros dias quaisquer.
Por que é que digo isto? Não sei. Hoje não estive muito fértil em ideias originais. Não me levem a mal. Afinal, sempre é Carnaval!
Não me f
altam ideias para o que estou a fazer esta noite. É do c
ontrário que me queixo: tenho ideias a mais, só que todas f
ora de um contexto adequado a um sketch de 10 minutos. É uma m
arca que tenho, quando vou ao Levanta-te e Ri, levar no c
aderno piadas, ideias e mensagens que ponham as pessoas todas a f
alar sobre temas interessantes. Não quero só que eles batam p
almas, nem que riam só por rir. Às mulheres, quero apalpar-lhes o c
oração, apertar-lhes os p
reconceitos contra a parede e fazê-as v
er o quão injustiçada é a sua condição. Aos homens, cambada de p
eões neste xadrez machista em que vivemos, quero ir-lhes ao c
érebro e mudá-lo do avesso. Sim, não basta dizer que Portugal é uma m
aravilha, porque não é. Há muito a mudar. Somos todos filhos da p
reguiça, do machismo e da intolerância. Não concordam? Então que se f
ale mais nestes temas, pelo menos. Estou f
arto de ver apatia nos corações e nas almas lusas. "País de m
arinheiros", dizia-se de nós. Só se isso foi no passado, c
ertamente! Mas espera! O texto é para entregar amanhã, senão f
azem-me a cama! Por que é que perco tempo a escrever para o C
romo Sapiens? Se não cumprir o prazo, a produção aperta-me os t
imings ainda mais e depois é que está tudo f
eito num oito! Sabem o que é que vos desejo? Uma boa f
olga no Carnaval, seus f
oliões de m
áscaras! Vão-se f
antasiar!
cadeia
O esquema não é novo, mas a internet aumentou-lhe a velocidade e eficácia. Estou a falar das mensagens em cadeia. O princípio é simples: o texto começa por prender a atenção do leitor, apelando a que a mensagem seja levada a sério. Apresentam-se casos (nunca provados) de pessoas a quem a vida começou a correr bem (por terem aderido) e mal (por terem sido cépticas). O tema dominante pode variar, mas anda sempre à volta de uma destas três hipóteses: saúde, amizade ou dinheiro. E a ideia é simples: "Se enviares isto a X pessoas tudo te correrá bem"; "Mas, se hesitares, vais perder a sorte, amigos, a tusa, a saúde ou até a vida". E aquilo que começara por parecer um voto simpático de que as coisas nos corram bem, acaba por ganhar contornos de chantagem pura e dura. A ironia é que estas mensagens costumam chegar-nos de pessoas que até gostam de nós e a quem nós olhamos com amizade. O esquema aposta na credulidade, na superstição e na ameaça. E tem sido uma aposta ganha!
É óbvio que a ameaça não é para levar a sério. Que efeito tem enviar (ou não) mails só para chatear gente de quem gostamos? Mas todos nós pensamos: "Também não custa nada. Mais vale não arriscar". E é por isso que estes mails em cadeia (sucessores das cartas em cadeia e das notas de quinhentos escudos com mensagens escritas) continuam vivos e de boa saúde.
Recebi há poucos minutos um desses mails. Dizia que, se não obedecesse em cinco minutos, reenviando a mensagem a 10 amigos, a minha sorte (e a dos meus) acabaria nesse instante.
Não levei a mal à pessoa que mo mandou. Compreendo que a lógica do "Mais vale prevenir..." esteja instalada (por muito acomodada e irracional que seja). Mas é preciso dizer isto:
1. A minha "sorte" só depende do que eu faço para merecê-la;
2. Estes esquemas só se travam se mantivermos a inteligência e a razão acima do obscurantismo;
3. Enviar ameaças é indigno de um verdadeiro amigo.
Mas já que se fala nisso, e como "prevenir é melhor que remediar", leiam atentamente esta mensagem:
Este blog é redigido por alguém que lhe quer bem. Se quer que a sua vida melhore, seja em termos de saúde, amizade ou dinheiro, não se esqueça de o ler. Não é aparecer aqui de vez em quando. É ler mesmo. Todos os dias. E deixar comentários. Ler o Cromo Sapiens já melhorou a vida de muita gente. Não acredita? Então leia: Johnny Belmondo, empresário texano, estava na mais perfeita miséria. Mas decidiu, a conselho de um amigo, começar a ler o Cromo Sapiens e a sua vida mudou radicalmente: Hoje é o dono do Google, ganha milhões e tem um enorme grupo de amigos desinteressados e verdadeiros. Vive numa mansão apalaçada rodeado de mulheres nuas, que lhe satisfazem todos os desejos, por mais caprichosos que sejam. Apesar de ser calvo desde os 14 anos, assim que começou a ler Cromo Sapiens, o seu cabelo voltou a crescer. O seu sexo (que media uns míseros 3 cm) aumentou definitivamente de tamanho e mede actualmente 27 cm em repouso!
Mas deixar de ler este blog traz desgraças. Acredite. As pessoas que abandonaram a leitura do Cromo Sapiens têm tido uma sucessão de azares, perseguições, traições, acidentes e problemas de saúde. Não acredita? Então fique a saber que um dos primeiros leitores deste blog (e que entretanto deixou de o ler) se chamava... Pedro Santana Lopes.
Agora que já leu esta mensagem, está marcado. Ou recomenda imediatamente Cromo Sapiens a pelo menos 15 amigos, ou a sua sorte acabará.
Se não quer acabar presidente do PSD, leve esta mensagem a sério.