Declaração de voto
Pensei bastante antes de escrever este post (ia escrever "pensei bem" mas isso nunca se sabe). Isto de se fazer comentário público tem destas coisas: Como artista e performer tenho para convosco o dever de (pelo menos tentar) ser mais ou menos equilibrado e equidistante. E tento. Mas também me pareceria hipócrita fingir que não tenho escolhas, como se fosse um extraterrestre iluminado que critica sem tomar posição. E hipócrita porquê? Porque não tendo nenhuma obrigação de me definir politicamente, também não me parece correcto esconder as minhas escolhas, sob a capa de uma pretensa neutralidade, e depois, de certa forma, ajustar o meu comentário às minhas posições.
Por outras palavras, o José Rodrigues dos Santos costuma dizer que leva a sua isenção jornalística tão a sério, que nunca vai votar. Ele diz que o faz para preservar a sua independência. Eu acho que isso é uma falácia e uma imbecilidade. Toda a gente tem opiniões. Um jornalista não tem que estar acima (nem fora) do universo do comum dos mortais. Nem deve. Não é por não ir votar que ele é independente. Tal como não seria por votar que ele deixava de o ser. Decidir deliberadamente nunca votar é um acto de destruição da própria cidadania. E isso faz-me confusão. Para José Rodrigues dos Santos a isenção jornalística está acima do sistema em que se vive. Para ser isento, ele teria que ser indiferente ao facto de vivermos em democracia... ou ditadura. Estaria tão confortável e isento num, como no outro sistema. Logo, sobre isenção estamos conversados.
Mas este espaço nem é jornalístico e a questão nem sequer se coloca dessa forma. Aqui escrevo o que me apetecer.
Dito isto, decidi tornar público que vou votar PS nestas eleições. Digo-o para que não fiquem dúvidas e porque sei que a minha posição não vos condiciona em nada. Vocês são demasiado inteligentes para isso.
E por que é que vou votar PS?
Porque sou uma pessoa de centro esquerda. E porque entendo que, apesar de tudo, o PS tem posições equilibradas sobre o papel do Estado, a economia, o desemprego, o progresso tecnológico, a investigação e a ciência, a despenalização do aborto, a Cultura, a Europa e a pobreza.
E porque a direita, se já era o que era... agora, ainda por cima, está como está...
Acho fundamental que o PSD leve um porradão tão grande que se veja obrigado a correr com o dr Santana Lopes (o que só trará vantagens ao país e ao PSD - note-se!). Santana é um expoente máximo da demagogia, da vitimização e da falta de escrúpulos em política. Correr com ele é um acto de higiene e saúde pública.
Entre ter trabalho para a vida (como humorista) e o bem do país... Excepcionalmente, decidi a favor do país. Mas não se assustem. É uma vez sem exemplo.
Para acabar, peço-vos que vão votar. Vão mesmo. Votem em quem quiserem, mas vão. O divórcio que existe entre o povo e os políticos também é culpa nossa. Se não fosse pela nossa indiferença, pela nossa preguiça e apatia colectivas, os políticos sentir-se-iam mais responsáveis e controlados. Quem não vota (mesmo que vá votar em branco) depois não tem legitimidade para grandes lamúrias. Está nas nossas mãos.
E mais não digo.
VIVA A FESTA DA DEMOCRACIA!
Hello Dolly!
Ian Wilmut, o célebre cientista que criou a ovelha Dolly, obteve autorização para fazer clonagem de embriões com fins terapêuticos, por forma a investigar uma doença chamada esclerose lateral amiotrófica. Isto passou-se há poucos dias em Inglaterra.
Sei bem que a expressão "clonagem de embriões" pode parecer arrepiante. Mas tem que ser enquadrada minimamente.
1. Os embriões clonados servem apenas para fins terapêuticos;
2. ...e nunca para a fabricação de seres humanos.
3. A clonagem terapêutica é a linha de investigação mais promissora para a descoberta de tratamentos para doenças actualmente incuráveis, como a diabetes, Alzheimer, Parkinson e várias formas de cancro.
4. Os embriões utilizados neste processo resultam de processos de gravidez assistida (são embriões excedentários) e teriam sempre um de dois destinos:investigação... ou destruição;
5. Estamos a falar de células embrionárias com um máximo de cinco dias de vida;
6. O processo está em marcha. A Inglaterra e o Mundo não vão voltar atrás. Era bom que Portugal percebesse a oportunidade que tem aqui (sim, porque este governo tem limitado toda a investigação nesta área, por razões religiosas).
7. Nesta área é perfeitamente possível "importar" cientistas (e fundos), uma vez que eles só precisam de países onde a investigação seja possível legalmente;
8. Nesta área, já se faz trabalho de muita qualidade em Portugal e o nosso atraso estrutural não é significativo;
9. Quando os primeiros tratamentos eficazes surgirem, os países onde eles foram feitos terão enormes contrapartidas (emprego, impostos, saúde, prestígio) e os tratamentos terão garantida a procura no mercado;
10. E que tal sermos nós, como país, a descobrir a cura para algumas das doenças mais horríveis da humanidade?
Quando ouço toda a gente falar em plano tecnológico... quando vejo tanta gente dizer que já não sobra mais nada para inventar, lembro-me logo disto: Portugal pode ser um país de ponta (tecnologicamente, não estou a falar de sexo), um país desenvolvido e um exemplo para outras nações (já estou enjoado de ouvir falar na Irlanda e na Finlândia).
Passem esta mensagem, por favor. Não deixem que a ignorância impeça o progresso. O progresso do nosso país, e o progresso da humanidade.
E que tal mudar o mundo? Façamo-lo em conjunto, que temos mais força!
Se tiverem dúvidas coloquem-nas aqui, sob a forma de comentário. Na medida do possível, tentarei responder de forma rigorosa (e até sei alguma coisa sobre o tema, porque sou voluntário da APDH)
PS: Hoje foi dia de debate a 5. Ou foi antes a 4? Num golpe de génio, Jerónimo arranjou forma de não o acusarem, pelo menos por uma vez, de usar a cassete do PCP...
Já foi!
Aquele programa é mesmo violento, acreditem. São horas e horas de espera e antecipação, depois está quase a começar e parece que nos esquecemos de tudo e, por fim, uma descarga de adrenalina durante todo o número. Horas depois de terminado o programa a pessoa ainda não repôs o equilíbrio. Eu e a Susana estamos demasiado estoirados para podermos fazer um balanço objectivo, por isso vamos aguardar para ver a cassete, num dos próximos dias. Entretanto, convido-vos a deixarem o vosso
feed back, seja ele positivo, ou não.
É oije!
Uma catástrofe nunca vem só. Num dia morre a Irmã Lúcia. No dia seguinte voltamos nós ao Levanta-te e Ri!
Gostava que vissem e que usassem o sistema de comentários para dizerem tudo o que correu mal.
(ah, e também podem dizer se alguma coisa tiver corrido bem)
- Estou hiper confiante, como podem ver! -
Viva o Teatro!
Digam o que disserem, o Teatro é a génese e a versão mais pura do trabalho de interpretação do actor. Tenho a sorte de estar a fazer um papel genial num espectáculo que promete ser mesmo hilariante (sei que sou suspeito, mas juro-vos que o espectáculo vai ficar extraordinário!).
A minha personagem tem muita presença em cena, muito texto, muitos momentos de humor e muitas variações de humor. E é-me exigida uma grande dose de energia e irrepreensível concentração durante um longo período de tempo. Cada dia de ensaios tem sido uma surpresa. Há dias que correm menos bem, dias que correm mal, dias que achava que estavam a correr bem, mas em que afinal fiz tudo mal... Dias em que aconteceu o oposto, dias em que me sinto a flutuar de vitalidade, dias em que descubro dezenas de coisas novas, dias em que pareço ter perdido tudo aquilo que havia conquistado até ali. Dias em que sinto que "aquilo é tudo meu" e dias em que só me apetece encontrar um buraco para fugir do palco. Dias de extrema confiança. Dias de total insegurança...
Nunca atravessei um processo de trabalho tão desafiante, tão cansativo e exigente.
E estou a adorar!
PS: Não se esqueçam de ver, na segunda feira, o Levanta-te e Ri. Depois falamos sobre o assunto...