LISTA DAS COISAS QUE ME ENCANITAM
Vou parar, por agora, de abordar as questões de linguagem. Passemos às novas formas de comunicação:
SMS´s não assinados.Quando uma pessoa envia um SMS deve ter o cuidado de assinar. Hoje em dia, não sei se repararam, já ninguém decora os números de telemóvel de ninguém. Quando eu era puto, tinha o cérebro perfeitamente ginasticado. Sabia, sem hesitar, pelos menos uns seis ou sete números: casa dos pais, namorada, escola, 3 ou quatro melhores amigos e Alcoólicos Anónimos (estou a brincar, era o nº dos Narcóticos Anónimos). Era capaz de fixar, de memória, um número que me fosse dito uma única vez. Porquê? Tinha mais espaço no cérebro. Acho que, desses tempos até hoje, não foi a quantidade de informação armazenada que cresceu, mas sim o tamanho do cérebro que diminuiu.
A culpa é das agendas dos telemóveis que nos fazem a papinha toda... mas que são traiçoeiras.
Moral da história e reflexão encanitada do dia:
A menos que tenhamos a certeza que a outra pessoa sabe o nosso número, assinar é mesmo a melhor opção. Se todos assinassem os SMS´s, este mundo seria muito melhor.
(ou talvez não mas era menos uma coisa a encanitar-me)
LISTA DAS COISAS QUE ME ENCANITAM
Andamos cheios de
ilusão.
Não é só dos americanos e ingleses que vamos buscar inspiração para assassinar a língua portuguesa. Não, nós somos tão permeáveis ao exterior que basta ter tido um ou dois treinadores de futebol espanhóis (que não sabiam falar português naturalmente) e alguns jogadores portugueses a jogarem em Espanha para assumirmos como linguagem corrente os erros (apesar de tudo desculpáveis) que eles davam.
O termo
ilusion em castelhano significa algo como esperança, expectativa. Em português significa... ilusão, ou seja, miragem, ideia não fundamentada, esperança vã. Não é à toa que se diz que a única forma de não termos desilusões é começar por não ter ilusões.
Mas os espanhóis usam o termo numa acepção diferente. Vai daí, toca de ver os jogadores portugueses, a imitarem o
mister (outra imbecilidade:
mister é "senhor") e a dizerem que começam a época cheiinhos de ilusão. Isso explica por que é que tantas equipas dão-se mal. Em vez de empenho e expectativas, arrancam para o campeonato (ou superliga, outra imbecilidade imitada do inglês) cheios de miragens e ideias erradas sobre o seu próprio valor.
A coisa não acaba aqui. Todos sabemos que a imprensa desportiva é a mais lida. Todos sabemos que o discurso dos jogadores é ouvido (atentamente, meu Deus!?) por quase toda a gente neste país. Resumindo, vulgarizou-se a expressão: "Temos muita ilusão".
Até certo ponto, é verdade. Realmente, andamos mesmo iludidos. Agora, quando é que vamos realizar isso mesmo?
completamente encanitado
Há muitas coisas que me perturbam, intrigam ou desarmam. Não chegam a ser coisas graves, não mexem com a minha felicidade, mas estão lá. Simplesmente lá. São impossíveis de ignorar porque recorrentes. Não vale a pena fingir, porque elas voltarão inexoravelmente para me lembrarem que de nada vale negar a realidade. Não matam, mas moem. São as coisas que me encanitam. O mais curioso é que nem sei exactamente o significado da verbo "encanitar", nem do advérbio de modo "encanitado", mas acho que é uma palavra catita, a palavra "encanita". Provavelmente, se existe
encanitar, também há-de existir canitar. Faz sentido, não é? Só que aí, meus amigos, nem tento encontrar significado. É uma coisa que me escapa. Mais uma coisa que me encanita: o significado da palavra "canita".
Nos próximos dias vou exorcizar, sublimar, ultrapassar todas as coisas que me encanitam. Vou expô-las, deitar cá para fora e limpar o cérebro dos efeitos perversos (quiçá traumáticos) de todas as coisas que me encanitam. Para esse efeito, vou usar o
Cromo Sapiens. Não só me serve para evitar problemas futuros (úlceras, etc..), como para encontrar material de trabalho (tudo o que encanita é potencialmente usavel em
stand up) e ainda me servirá para me dar a conhecer um pouco melhor aos meus queridos leitores, a começar por ti.
LISTA DAS COISAS QUE ME ENCANITAM:1. O verbo
REALIZAR. O verbo realizar não me encanita. Até é um verbo porreiro e construtivo. Realizar é... fazer. Realizar é (numa acepção mais específica) dirigir cinema. Tudo isso é completamente porreiro e não me encanita minimamente. O que me perturba é o mau uso da expressão "realizar". Porquê? Porque somos uma cambada de subservientes sem cultura e queremos é ser colonizados (o mais depressa possível) pelos americanos (ou por quem pagar mais) não pensando duas vezes antes de importar expressões e adaptá-las de forma saloia, esquecendo, sem pudor, o amor à língua mãe (não é o amor à língua da mãe, seus tarados). O que é que fazemos? Ouvimos qualquer coisa numa série americana ou brasileira e toca de "aportuguesar". Normalmente dá asneira. Os americanos usam o "to realize" como nós usamos o "tomar consciência" ou "dar conta" ou ainda o "aperceber". Quando se referem ao cinema, eles não dizem "he is realizing a movie" isso não existe. Para isso, usam o "direct" ou o "director" (realizar e realizador, respectivamente). Como nós somos totós, começámos a usar o "realizar" na acepção que
eles dão à palavra. Com resultados desastrosos. Dizer: "Tu realizaste bem o que eu te disse?" é uma imbecilidade. Isso quereria dizer "Tu fizeste um bom filme do que eu te disse?". A menos que sejamos argumentistas de cinema há 99,9% de hipóteses de a frase ser incorrecta e pateta. Por este caminho, um dia dir-se-á: "Fulano é um tipo sensível e perspicaz. É um autêntico realizador!" Paremos de utilizar incorrectamente o verbo "realizar"!
Eu farto-me de tentar explicar isto às pessoas, mas quê?! Os portugueses não realizam nada!
Para quem acha que o voto não faz diferença
Mariano Gago acaba de afirmar, no discurso de apresentação do programa de governo, que o novo executivo não vai aceitar o discurso demagógico de restrição das boas práticas científicas com base no preconceito e no obscurantismo. E disse mais:
Tendo em conta os benefícios potenciais para a saúde humana, não vê nenhuma razão para a restrição à investigação em células estaminais em Portugal.
Eu traduzo:
Temos uma nova política de investigação em Portugal e vamos retomar a sério a investigação em células estaminais (as tais que poderão vir a arranjar curas para o cancro e para Alzheimer, por exemplo). São boas notícias para o país e para os nossos filhos.
Quem fala assim não é gago.
(Bem, ele até é, mas só de nome)
quando ando cansado...
...escrevo menos.
Mas este ano está a prometer...
Mais novidades em breve.