Seja bem-vindo quem se vier por bem
Falha de Raccord
Uma das dores de cabeça de todas as produções são as falhas de raccord.
Na maior parte dos casos, passam despercebidas, mas quando o público dá por elas é chato. O que é uma falha de raccord? É uma situação em que, na mesma sequência de acção, é visível uma qualquer forma de descontinuidade. Estes problemas acontecem porque muitas vezes a acção é gravada em alturas ou dias diferentes e, quando se tenta reproduzir com exactidão uma determinada circunstância, há qualquer coisa que falha. E há sempre muita coisa que pode falhar: um relógio digital que aparece numa personagem de época, um cigarro que, ora está numa mão, ora aparece milagrosamente na outra. Uma peça de roupa que desaparece, ou aparece do nada, um cabelo que tem um determinado penteado e que, estranhamente, aparece com outro imediatamente a seguir.
As falas de raccord são realmente complicadas, até porque, na maior parte dos casos são impossíveis de resolver, a menos que se abdique daquele plano e haja outro (correcto) que o possa substituir. Até existe uma profissão, a de anotadora, cuja missão é anotar todos os pormenores de uma cena, detectar e evitar as falhas.
Há realizadores que ficaram conhecidos pelas monumentais falhas de raccord dos seus trabalhos. Ed Wood, o pior realizador de todos os tempos, ficou célebre pelas suas inúmeras e hilariantes falhas de raccord e continuidade.
N´O Quadrado das Bermudas tentamos usar o potencial cómico das falhas de raccord. Como? Em determinados momentos, falhamos deliberadamente o raccord, o que, para quem esteja muito atento, terá um efeito divertido. Não vou nomear as situações em que isso acontece, para que não percam a piada de descobrir por vocês mesmos.
Orgulhosamente acompanhado
Amanhã, sábado, vou a uma despedida de solteiro. O Pedro Fernandes (a quem dei algumas noções básicas de teatro quando estava a encenar o grupo universitário
2º a Circular - da Escola Superior de Comunicação Social) vai casar. É um tipo muito porreiro, o Pedro. E estou feliz por ele.
Foi ao lembrar-me dele e dos anos em que fui encenador do
2º a Circular, que me lembrei de outras pessoas que estiveram ligadas à fase inicial do grupo, e de quem também vou tendo notícias ciclicamente, como é o caso da Filipa Pais de Sousa e do Frederico Moreno.
O teatro universitário é um laboratório muito interessante e acaba por revelar, muitas vezes, vocações inesperadas. O Pedro, que é publicitário, colabora na escrita e interpretação dos sketches d´A Revolta dos Pastéis de Nata. A Filipa, a quem pedi que fizesse a produção do
2º a Circular, é hoje uma produtora profissional, criativa e incansável, que trabalha (além de projectos próprios) para o grupo Cassefaz. O Frederico Moreno (que também começou a fazer teatro comigo, na ESCS) é hoje actor profissional e tem aprendido e crescido imenso. Como estes três, havia mais pessoas que, a partir do
2º a Circular, enveredaram por uma carreira artística. Com um pouco de ironia, vocês dirão que não é necessariamente bom enveredar pela carreira artística. Talvez até concorde.
Mas é bom ter a coragem de ir atrás da felicidade. E eles tiveram-na. Tenho orgulho neles, na evolução e no caminho que fizeram. E sinto-me feliz por ter feito parte desse caminho.
É por isso que eu mando daqui, aos velhos e novos membros do
2º a Circular (que tenho a honra de ter ajudado a criar) um grande abraço!
Método de Trabalho
No Quadrado das Bermudas, optámos por gravar "à cinema" e "à novela". Confusos? Eu explico. Gravar "à cinema" significa que há apenas uma câmara a filmar. Esta câmara capta toda a acção. Quando determinada cena justifica captar mais que um ponto de vista, desloca-se a câmara para outro ângulo e repete-se exactamente a mesma cena, mas para dar o contra-campo. Esse processo (campo, contra-campo, plano geral) só fica completo na pós produção, fase na qual se editam as imagens, seleccionando quais os planos que, em cada momento, aparecerão aos olhos do espectador.
Em novela, pelo contrário, para poupar tempo, costuma usar-se o sistema multi-câmara. As várias câmaras são posicionadas simultaneamente no plateau e o realizador, numa regie (muitas vezes móvel) vai fazendo a sua edição, escolhendo, em tempo real, o que será aproveitado.
Ao mesmo tempo, em novela (em cinema também, mas menos) o que se faz é, para poupar nas deslocações a diferentes décors, gravar num determinado local todas as cenas que se passam nesse local, independentemente da sequência cronológica segundo a qual serão apresentadas na história. Ou seja, como a ideia é aproveitar o décor (ainda que os actores mudem de roupa entre cenas para simular diferentes dias de acção) num mesmo dia, poderão ser gravadas cenas dos episódios 1, 3, 9 e 14. Cenas essas entre as quais há grandes passagens de tempo (e o actor tem a responsabilidade de perceber que cada cena representa um estado de espírito diferente e uma fase diferente na evolução da personagem).
Por que é que digo tudo isto?
Para explicar que n´O Quadrado das Bermudas gravamos simultaneamente "à cinema", ou seja, só com uma câmara... e "à novela", ou seja, gravando cenas de diferentes episódios no mesmo dia.
diário mais ou menos diário (dia 10)
Clube das Chaves
Para não dizerem que só falo d´"
O Quadrado das Bermudas", hoje, vou falar de outro projecto em que tenho andado envolvido. Sou um dos argumentistas da série "
Clube das Chaves" que, felizmente, tem estado a fazer um sucesso enorme, em audiências e apreciação da crítica. Escrevi os episódios 1, 3, 5 (depois suspendi a escrita, na fase em que estava a apresentar o L.E.R... E retomei recentemente) 12, 15 e 17. Encontro-me a escrever o episódio 20.
Não é fácil conciliar tantas coisas, mas é compensador ver o nosso trabalho reconhecido.
Amanhã, há mais notícias ao "Quadrado".
"Metido na clássica"
Ainda não o disse aqui, mas uma das coisas mais engraçadas neste projecto, é que vai ter bastante música... clássica. E não é que fica interessante?
diário mais ou menos diário (dia 9)
Custou mas foi!
Concluimos mais um... plano ambicioso...
O quarto dia de gravações chegou ao fim e a sensação geral foi de termos conseguido obter mais um lote de bom material. A próxima semana vai servir essencialmente para limar arestas e organizar o futuro, uma vez que é sempre possível melhorar e, simultaneamente simplificar processos.
Já temos (em minutos) o material equivalente a dois episódios.
Nada mal, não acham?
diário mais ou menos diário (dia 8)
"Mijas de pé, Paulo?"
...foi uma das frases absurdas que hoje tive a oportunidade de dizer. Daqui a uns tempos, perceberão porquê.
O Quadrado das Bermudas concluiu o terceiro dia de gravação e, mais uma vez, conseguimos cumprir um plano ambicioso (esta do "plano ambicioso" parece tirada de um filme de espionagem). E mais uma vez, estamos todos de rastos. Não é grave. Daqui a cinco horas, lá estaremos nós, cara alegre, a atacar mais outro plano ambicioso.
Para hoje reservei-vos mais alguma informação sobre "O Quadrado das Bermudas".
- o genérico já está praticamente pronto (mas não em condições de ser exibido, uma vez que essa estreia está reservada ao canal);
- só gravaremos em exteriores, uma vez que cedo abdicámos do recurso a estúdio (por razões de conceito e, simultaneamente, financeiras);
- O logotipo já está pronto (e bem giro, se me é permitido dizer);
- Vamos ter um site d´O Quadrado a breve trecho (e vocês saberão em primeira mão a morada) com bastante informação sobre o "Quadrado" e a equipa que o compõe.
Há bocado, dei-me conta que este "diário de bordo" é tudo menos diário. Não que não haja trabalho árduo todos os dias, mas precisamente pela razão inversa: tenho tido trabalho a mais para manter um diário... diário. Por isso, hoje vou escrever:
diário mais ou menos diário (dia 7)